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AQUISHOW BRASIL/ENTREVISTA | A Revolução da piscicultura brasileira: O futuro da aquicultura sob a perspectiva de Luiz Ayrosa

AQUISHOW BRASIL/ENTREVISTA | A Revolução da piscicultura brasileira: O futuro da aquicultura sob a perspectiva de Luiz Ayrosa

Data de Publicação: 27 de maio de 2025 16:25:00 Luiz Ayrosa, renomado pesquisador brasileiro com vasta experiência na área de aquicultura, especialmente voltada para a piscicultura, responde nesta entrevista as inovações, parcerias e novos horizontes para a produção aquícola no Brasil. Conforme ele, MATOPIBA pode surgir como nova fronteira aquícola.

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Por Antônio Oliveira

Nesta entrevista exclusiva com Dr. Luiz Ayrosa, renomado especialista em piscicultura, discutimos a notável evolução da aquicultura no Brasil nos últimos anos, destacando o crescimento acelerado na produção de tilápia e o papel das inovações tecnológicas. Ele aborda as parcerias entre a iniciativa privada e os governos, a inserção de espécies exóticas no mercado e a urgência de regulamentações para práticas sustentáveis, especialmente na Amazônia. Dr. Ayrosa também aponta para o potencial do Nordeste e Minas Gerais como novas fronteiras para a produção de pescado, enfatizando a colaboração necessária para garantir um futuro próspero e sustentável para o setor.

Luiz Ayrosa, pesquisador (Foto: Antônio Oliveira)

Cerrado Rural Agro: Dr. Luiz Ayrosa, considerando sua vasta experiência em pesquisas na aquicultura brasileira, como o senhor analisa a evolução deste setor, especialmente da piscicultura, nos últimos 10 anos?

Luiz Ayrosa: Não poderia haver momento melhor do que o que estamos vivendo hoje na aquicultura brasileira. Temos observado um desenvolvimento e crescimento significativos, principalmente na tilapicultura, que cresceu mais de 10% ao ano na última década. Isso se deve a muitas inovações e tecnologias. Na Aquishow 2025, podemos ver diversas empresas apresentando novidades e equipamentos que visam aumentar a produtividade nacional. No ano passado, chegamos a quase 900 mil toneladas de pescado produzido, sendo 70% dessa produção composta por tilápia. Portanto, estamos em um momento de crescimento contínuo da atividade no Brasil. Regiões como Uberlândia, em Minas Gerais, apresentam grande potencial, especialmente com seus lagos e usinas hidrelétricas, para aumentar a produção nacional.

Cerrado Rural Agro: No processo de evolução da piscicultura brasileira, como o senhor analisa a relação entre a iniciativa privada e os três entes federados?

Luiz Ayrosa: Cada vez mais estamos vendo uma integração entre a iniciativa privada e as parcerias público-privadas em nossa atividade. É essencial que haja uma boa colaboração entre os três níveis de governo para disponibilizar mais tecnologia tanto para pequenos e médios produtores quanto para grandes produtores, que impulsionam toda a atividade. Um exemplo disso é o estado do Paraná, que conta com três grandes cooperativas e é o maior produtor de tilápia do Brasil. O cooperativismo também representa um grande avanço para a aquicultura brasileira; é um caminho sem volta. Precisamos dessas iniciativas para alavancar nossa atividade no Brasil.

Cerrado Rural Agro: Está acontecendo um fenômeno interessante na piscicultura brasileira, onde espécies exóticas, como o panga e a tilápia, estão ocupando espaços em todo o país, especialmente na região amazônica e em estados sob sua influência. Por outro lado, espécies nativas também estão sendo cultivadas fora de seu bioma natural. Como o senhor analisa essa relação e esses acontecimentos, que até fomentam equívocos em relação à piscicultura brasileira?

"Portanto, é importante trabalhar em conjunto com os órgãos ambientais para regulamentar essas espécies, sejam nativas ou exóticas"

Luiz Ayrosa: Precisamos regulamentar essa situação junto aos órgãos responsáveis, especialmente o IBAMA, e as instituições ambientais nos estados. Por exemplo, em São Paulo, estamos aumentando a produção de panga, principalmente a produção de alevinos. Atualmente, essa produção está concentrada em Mococa, com grande potencial em sistemas fechados e viveiros que garantem a contenção do esvaziamento, evitando a fuga do panga para os rios. Esse peixe é criado em tanques de recirculação. Também estamos desenvolvendo projetos para o pirarucu fora do seu bioma natural, em sistemas fechados, como tanques suspensos, com produtividades variando de 80 a 100 quilos. A questão é que precisamos de um peixe fresco, e os peixes que vêm da Amazônia, como pirarucu e tambaqui, muitas vezes não chegam frescos ao maior consumidor do Brasil, que é São Paulo. Portanto, é importante trabalhar em conjunto com os órgãos ambientais para regulamentar essas espécies, sejam nativas ou exóticas. Quanto à tilápia, ela já está estabelecida no Brasil há mais de 50 anos, nos principais rios e bacias. Precisamos conviver e colaborar com os órgãos ambientais para a regulamentação dessas espécies.

Cerrado Rural Agro: O senhor enxerga uma nova fronteira aquícola no Brasil? Considerando que os espaços nas grandes regiões produtoras, como o Sul e Sudeste, estão cada vez mais escassos. A produção de peixes de cultivo pode migrar para estados do Nordeste, especialmente para a região do MATOPIBA?

Luiz Ayrosa: Sem dúvida! O estado de Minas Gerais tem um enorme potencial, e a Agrishow, que ocorrerá aqui, é um grande divisor de águas para aumentar nossa produção. Em relação à exportação, segundo dados da Peixe BR apresentados ontem, já somos o segundo maior exportador de filé fresco de tilápia para os Estados Unidos. Acreditamos que, até o final deste ano, poderemos nos tornar o maior exportador, via Miami, do filé de tilápia produzido no Brasil. O estado de São Paulo e o Paraná também são grandes exportadores. Para que essa nova fronteira se realize, precisamos de incentivos e parcerias público-privadas envolvendo todos os segmentos institucionais: governo estadual, municipal e iniciativa privada. Além disso, o camarão é o maior produto da região Norte e Nordeste, e acredito que as espécies nativas, como tambaqui e pirarucu, podem ser um divisor de águas para aumentar a produção aquícola no Brasil.

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