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BIODIVERSIDADE ][ Lambari laranja e preto encontrado no MT representa linhagem isolada há milhões de anos
Data de Publicação: 7 de novembro de 2025 12:19:00 Nova espécie de peixe, um tetra de cores laranja e preta, é descrita em afluentes do Rio Juruena (MT), reforçando a importância da conservação local.
Da Agência Bori
Uma nova espécie de peixe foi descrita em afluentes do rio Juruena, no estado do Mato Grosso. Trata-se da Inpaichthys luizae, um tipo de tetra (lambari) de cores laranja e preta, apresentada em artigo do ictiólogo Fernando Cesar Paiva Dagosta na revista Neotropical Ichthyology. O trabalho amplia o número de espécies conhecidas do gênero Inpaichthys, antes restrito à Amazônia ocidental.
O peixe foi encontrado por um pescador de aquarismo que suspeitou tratar-se de uma espécie nova e enviou os exemplares ao pesquisador. Após análises morfológicas, Dagosta confirmou que se tratava de uma espécie inédita. O Inpaichthys luizae tem uma faixa oblíqua escura que percorre o corpo até a cauda e nadadeiras em tons de laranja intenso — características que o tornam particularmente chamativo.
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Espécime de Inpaichthys luizae, lambari de cores
laranja e preta descrito nos afluentes do rio Juruena,
em Mato Grosso (Foto: Fernando Dagosta
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Segundo pesquisador, o tetra é considerado uma espécie relíquia: um grupo isolado há milhões de anos. A linhagem teria se separado de parentes da região andina, o que reforça a importância das cabeceiras do rio Tapajós e de outras áreas de relevo antigo no Brasil central.
Os resultados do estudo têm implicações diretas na conservação e no comércio de peixes ornamentais, visto que o Inpaichthys luizae possui um apelo devido a sua aparência peculiar. O autor explica que, por ter grande potencial de venda no aquarismo, a espécie “tem que ser descrita o quanto antes, porque, com o nome científico, passa a ser uma espécie brasileira com direito à conservação”.
Embora os rios onde vive estejam preservados e a espécie seja classificada como de “pouco preocupante”, o estudo destaca o risco de perda rápida de populações em função da exploração ornamental e do avanço do desmatamento.
Dagosta pretende continuar com os estudos e analisar pelo menos uma dezena de espécies de lambarizinhos inéditas nas regiões altas do escudo brasileiro. O trabalho corre contra o tempo para catalogar a fauna local antes que seja extinta pelo desmatamento.
Matéria publicada simultaneamente no site PISCISHOW & AVISULEITE.
Ictiologia, Nova Espécie, Inpaichthys luizae, Peixe Ornamental, Rio Juruena, Mato Grosso, Conservação, Amazônia.
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