Português (Brasil)

CRISE HÍDRICA ][ Seca severa ameaça safra no Centro-Sul do Maranhão e inviabiliza safrinha

CRISE HÍDRICA ][ Seca severa ameaça safra no Centro-Sul do Maranhão e inviabiliza safrinha

Data de Publicação: 30 de janeiro de 2026 22:23:00 Estimativas iniciais apontam perdas de até 80% na soja em regiões como Grajaú; falta de chuvas compromete germinação e eleva risco de endividamento generalizado.

Compartilhe este conteúdo:

Resumo

A crise hídrica no Centro-Sul do Maranhão ameaça o agronegócio. Com perdas de até 80% - em algumas propriedades - na soja e inviabilidade da safrinha, o Sinrural alerta para o endividamento do setor. O Cerrado Rural Agro acionou o MAPA e a Sagrima em busca de medidas de socorro financeiro e técnico para a região.

Glen Maia mostra o panorama de desolação na safra 2025/26
no centro-sul do Maranhão (Foto: reprodução de video)
____________________________________________________________________________________________________

Por Antônio Oliveira

O setor produtivo do Centro-Sul do Maranhão enfrenta um de seus períodos mais críticos dos últimos anos. A irregularidade das chuvas, que persiste desde o início do ciclo, já compromete severamente o desenvolvimento das lavouras de soja e milho. Em entrevista exclusiva ao Cerrado Rural Agro, o presidente do Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural), Glen Maia, alertou que, embora o balanço final ainda dependa de alguns meses, a realidade no campo é alarmante.

Perdas e fisiologia comprometida

Segundo Maia, o impacto na soja é devastador para quem não conseguiu realizar o plantio nas janelas iniciais mais favoráveis.

- Ainda não temos uma contabilidade real, mas na soja já estamos perdendo entre 70% e 80% em algumas propriedades aqui na região. Quem plantou mais cedo sofre menos, mas a maioria enfrenta um cenário de plantas fracas -  explica o dirigente.

O estresse hídrico afeta diretamente a fisiologia das culturas. Sem umidade, as sementes não germinam ou, quando o fazem, apresentam baixo vigor.

- A planta germina sem força. É garantia de produtividade diminuída; ela não produzirá como deveria. O milho, sendo ainda mais exigente em água que a soja, enfrenta uma situação ainda mais difícil - pontua o presidente do Sinrural.

Situação que ainda dá um alento, mesmo com
produtividade bem reduzida (Foto: reprodução de vídeo)
____________________________________________________________________________________________________

Fim da janela para a safrinha

Um dos pontos mais graves levantados por Glen Maia é a inviabilidade da segunda safra. Devido ao atraso e à debilidade das culturas de verão, a janela climática para o milho safrinha fechou precocemente.

- Este ano, não há a mínima chance de realizar a safrinha - sentencia.

A redução da área plantada já é visível em toda a região. O reflexo será uma colheita drasticamente menor, agravada pelos altos custos de produção da atual temporada.

- As pessoas estão muito endividadas devido aos investimentos altíssimos realizados com financiamentos que agora correm o risco de não serem quitados - alerta Maia.

Este cenário indica perda total da produtividade
em algumas áreas (Foto: reprodução de vídeo)
____________________________________________________________________________________________________

Efeito dominó econômico

A crise hídrica ultrapassa as porteiras das fazendas e atinge o abastecimento regional. Com a quebra da safra local, a região será obrigada a importar insumos e grãos de outras praças para atender a demanda interna, elevando os custos logísticos e financeiros.

O déficit pluviométrico é histórico. Em cidades como Grajaú e Barra do Corda, onde a média anual gira entre 1.200 e 1.500 mm, o acumulado recente mal ultrapassou os 600 mm. O cenário de seca se estende por um cinturão produtivo que inclui Grajaú e Barra do Corda; Balsas e Formosa da Serra Negra; Amarante do Maranhão e Sítio Novo.

- Tudo indica que o baixo índice pluviométrico irá se repetir este ano. Vemos que o ímpeto de plantio diminuiu muito diante dessa incerteza -conclui Glen Maia.

Nota da redação

O Cerrado Rural Agro solicitou formalmente um posicionamento do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e da Secretaria de Agricultura do Maranhão (Sagrima) sobre as medidas de contingência previstas para o estado. A reportagem questionou ambos os órgãos acerca de planos de apoio financeiro e técnico para mitigar os danos econômicos e sociais na região centro-sul. No momento, os questionamentos estão sob análise das equipes técnicas das duas pastas, que se comprometeram a enviar um posicionamento oficial até o final da próxima segunda-feira.

 

agro • maranhão • crise hídrica • soja • milho • economia rural • cerrado

Compartilhe este conteúdo:

  Seja o primeiro a comentar!

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo

Nome
E-mail
Localização
Comentário