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CRISE NA SAFRA 2025/26 ][ Falta de chuva e crédito ameaçam produção agrícola, alerta Maurício Buffon

CRISE NA SAFRA 2025/26 ][ Falta de chuva e crédito ameaçam produção agrícola, alerta Maurício Buffon

Data de Publicação: 31 de outubro de 2025 11:57:00 Retorno das compras de soja dos EUA pela China e entrave no Plano Safra 2025/2026 criam um cenário desafiador para a agricultura nacional, podendo elevar preços dos alimentos para o consumidor. O presidente da Aprosoja Brasil, alerta que a falta de investimento e chuvas pode reduzir o tamanho da safra.

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Por Antônio Oliveira

Em entrevista à CNN Brasil, na tarde desta quinta-feira (30) o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, abordou os impactos do cenário internacional, marcado pela retomada da compra de soja americana pela China, e os desafios internos que ameaçam a safra brasileira 2024/2025. A principal preocupação reside na conjugação da falta de chuvas em regiões produtoras e a crise de crédito no Plano Safra.

Acordo EUA-China e o mercado internacional

A entrevistadora, Elisa Veeck, iniciou o diálogo mencionando o acordo entre Donald Trump e Xi Jinping, que prevê a compra imediata de grandes quantidades de soja e outros produtos agrícolas americanos pela China, após a suspensão das compras em maio devido às tarifas americanas.

Maurício Buffon reconheceu que o "mercado mundial muito especulativo, as taxações dos Estados Unidos, China nos Estados Unidos, contra o mundo na verdade, impacta diretamente o produtor brasileiro". Sobre o retorno das compras da China nos Estados não impactam a soja brasileira, uma vez que o Brasil exporta muito pouco para os americanos. Ele avaliou: "O Brasil na verdade é um grande fornecedor para a China", mas de outros produtos. Mas  destacou que o anúncio coincide com a colheita da safra americana, que agora tem soja para vender, diferente do Brasil, que está em entressafra e começando o plantio.

Maurício Buffon em entrevista a CNN Brasil (Foto: Reprodução)

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Buffon informou que os Estados Unidos devem vender cerca de 12 milhões de toneladas para a China ainda neste ano, um movimento que ele considera "quase que normal" para completar o volume que a China tradicionalmente comprava. No entanto, ele pondera que "sempre que esses acordos comerciais acontecem, pode sim impactar o produtor brasileiro".

Apesar da preocupação, ele vê o lado positivo do acerto: "Com a China e os Estados Unidos se acertando, a tendência é dar uma melhorada, isso acaba também refletindo nos preços aqui no Brasil." A Aprosoja Brasil prevê que o mercado irá oscilar muito nos próximos 60 dias, exigindo atenção do produtor para a comercialização antecipada.

Crise de crédito e clima ameaçam a safra 2024/2025

Questionado sobre as próximas safras, o presidente da Aprosoja Brasil alertou que a safra será "desafiadora" e está com a produção "um pouco comprometida" devido a um momento "meio seco, digamos assim, com pouca chuva nas regiões produtivas do Brasil".

Entretanto, ele enfatizou que o "grande problema da safra brasileira" é a questão do crédito:

"O plano safra do governo federal não aconteceu como deveria ter acontecido. O dinheiro não foi disponibilizado para fazer essas lavouras acontecerem. Então, é um desafio de crédito para poder implantar essas lavouras."

Buffon ressaltou que, devido à dificuldade de crédito para investimento em fertilizantes e corretivos, a safra brasileira "ainda tem um ponto de interrogação do qual vai ser o tamanho", correndo o risco de ser "mediana". Ele revelou que o problema é de conhecimento do Governo Federal:

  • "O governo federal, o Ministério da Agricultura. sabem. Eles mesmos divulgaram que o plano de safra não aconteceu."
  • Houve linhas de crédito em que 92% dos recursos "não aconteceram na conta".
  • O custeio agrícola, plano principal para o setor, estava com apenas 70% dos recursos nas lavouras há cerca de 10 dias.
  • "As instituições financeiras, cada vez mais, exigem garantias acima do normal do que vinha acontecendo e, automaticamente, o crédito cada vez mais dificuldade para implantar essa safra."

Impacto no consumidor e balança comercial

O risco de uma safra menor compromete as exportações e, internamente, pode gerar preços elevados para os alimentos no país.

- Com uma oferta menor de produto aqui dentro, possivelmente nós teremos um preço elevado principalmente dos alimentos aqui no país - afirmou Buffon.

O presidente da Aprosoja Brasil alertou para o risco de um cenário de alta de preços semelhante ao ocorrido com o arroz e o feijão:

- Nós vamos viver um momento muito semelhante a isso. [...] Se você perder esse ano, você vai ter uma oferta menor de alimentos e, no primeiro momento, o produtor paga essa conta, mas o consumidor é o que vai ser mais prejudicado.

Ele concluiu que a diminuição da produção "vai se tornar os nossos alimentos mais caros no supermercado para todo o consumidor", e alertou o governo:

- Esse não investimento do governo federal no plano safra vai comprometer também os recursos das exportações dessa balança comercial.

 

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