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EMBRAPA 50 ANOS – Celso Moretti anuncia lucro social de mais de R$ 125 bilhões – retorno de R$ 34,70 para cada real investido pela sociedade na empresa
Data de Publicação: 24 de abril de 2023 16:41:00 Moretti garantiu que a empresa vai intensificar as pesquisas com foco na segurança alimentar e, provocado pelo jornalista Antônio Oliveira, editor do site Centro-Oeste Farm Show, disse acreditar que em 3 anos o Brasil se tornará autossuficiente na produção de trigo #embrapa 50 anos #celso moretti #coletiva da embrapa #trigo #pesquisas
Redação
O presidente da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Celso Moretti, disse nesta segunda-feira, 24, que o foco da empresa para os próximos anos seguirá no contexto da segurança alimentar, com a adaptação de culturas para as regiões tropicais, com tolerância à seca e maior resistência a eventos climáticos extremos, a pragas e doenças, de maneira sustentável. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva sobre os 50 anos da empresa, que serão comemorados na próxima quarta-feira, 26.
- A tendência [para o futuro] é a questão da adaptação e mitigação das mudanças climáticas, e a Embrapa já vem trabalhando em uma série de projetos e pesquisas com o foco em promover a adaptação e resiliência dos sistemas de produção agrícola, pecuária e florestal - disse.
Segundo Moretti, a empresa vai intensificar as pesquisas nas áreas de biotecnologia (com destaque para a edição genômica), nanotecnologia (como, por exemplo, uso de nanopartículas bioestimulantes para melhorar o desempenho de culturas agrícolas e controlar doenças em animais), insumos biológicos, na intensificação dos sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta.
Atualmente, o Brasil possui em torno de 18 milhões de hectares ocupados por sistemas integrados de lavoura, pecuária e floresta, A previsão da Embrapa é chegar a 35 milhões de hectares ocupados por esse sistema em 2030.
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Celso Moretti, presidente da Embrapa (Foto: José Cruz/Agência Brasil)
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- É um sistema onde se integra, na mesma área, os complementos de lavoura, pecuária e floresta em sistemas de rotação, consórcio ou sucessão. A grande vantagem é que o solo é explorado econômica e sustentavelmente durante todo o ano, aliando produtividade com a conservação de recursos naturais - destacou.
O presidente da empresa pública ressaltou ainda que os desafios envolvem o avanço na descarbonização das culturas e da intensificação de tecnologias digitais, com o uso de drones, sensores, internet das coisas e inteligência artificial, entre outras.
Moretti disse ainda que a Embrapa desenvolveu um sistema que permite o rastreamento dos alimentos, desde a sua origem até a prateleira dos supermercados. Batizada de Sistema Brasileiro de Agrorrastreabilidade (Sibraar), a ferramenta é atualmente aplicada no processo de rastreamento do açúcar demerara de uma empresa. Com ele, é possível obter dados como a procedência do produto, sistema de produção, processos industriais, laudos de qualidade até dados sobre logística. As informações são visíveis a partir de QR Code impresso na embalagem.
- Dá segurança para rastrearmos diversos produtos, como açúcar, carne, soja, dentre outras coisas. Cada lote recebe uma assinatura digital que ajuda a combater em casos de adulteração, entre outros - disse.
A empresa também desenvolveu uma plataforma de inteligência artificial para solos para medir a pegada de carbono. A tecnologia integra diferentes softwares e sensores avançados que permitem a digitalização do solo e das atividades agrícolas, permitindo financeiramente medir, reportar, verificar e comercializar (MRVC) o carbono na agricultura. A plataforma também faz a gestão da fertilidade do solo e nutrição das plantas, para o gerenciamento de indicadores de sustentabilidade e produtividade agrícola.
- É realmente uma inovação. É algo que vai apoiar muito o produtor brasileiro - afirmou Moretti.
- Os nossos clientes vão seguir preocupados em comprar produtos do Brasil, mas que sejam produzidos por sistemas de forma sustentável - complementou.
O presidente da Embrapa também destacou soluções elaboradas pela empresa para a produção de alimentos a partir da aplicação de bioinsumos em substituição aos agrotóxicos. O uso dos bioinssumos reduzem assim a dependência do Brasil em relação às importações de produtos químicos. Outro ponto destacado e o teste de sexagem genética para o pirarucu e para o tambaqui, que permite o aumento da produção de peixes.
Brasil próximo da autossuficiência em trigo
Durante a coletiva, o jornalista Antônio Oliveira, editor deste site, questionou ao presidente Moretti sobre a viabilidade do trigo no Cerrado, graças as pesquisas da empresa pública e de outros institutos privados. Mas que, porém, a triticultura no Brasil ainda não se deslanchou tornando o Brasil autossuficiente, saindo dependência do trigo estrangeiro. Conforme ele, neste ano o País teve uma demanda de 13 milhões de toneladas (t) de trigo e produziu 10, 5 milhões de t. Celso Moretti lembrou que em 2019 o Brasil produziu 6,2 milhões de t e chegou a mais de 10 milhões de t, um aumento de mais de 70% da produção.
- Eu acredito que nós estamos muito próximos de atingirmos a autossuficiência no trigo. Se os preços internacionais continuarem altos, e é o que tudo indica, principalmente em função da guerra na Ucrânia, que está reduzindo gradativamente a produção do trigo no leste europeu, o Brasil vai ter esta oportunidade de aumentar a sua produção. Numa entrevista que eu concedi há cinco anos, eu disse que entre 5 e 10 anos o Brasil se tornaria autossuficiente. Eu acho que agora são mais 3 anos para que isto aconteça. Nós temos tecnologia e nós temos terra para isto – concluiu.
Balanço social
Moretti ainda divulgou o resultado do balanço social da Embrapa, com o impacto das principais tecnologias desenvolvidas e transferidas à sociedade. Em 2022, foi registrado lucro social de R$ 125,88 bilhões, gerados a partir do impacto econômico no setor agropecuário de 172 tecnologias e de cerca de 110 cultivares desenvolvidas por pesquisas da empresa. Foram gerados 95.171 empregos.
Em 2021, o lucro social ficou em R$ 81,56 bilhões. Entre os fatores que contribuíram para aumento do resultado em relação ao ano anterior está o impacto econômico da tecnologia Fixação Biológica do Nitrogênio na cultura da soja, pois os produtores de soja brasileiros economizaram mais de R$ 72 bilhões, em 2022, deixando de comprar fertilizantes nitrogenados.
- Para cada R$ 1 aplicado na Embrapa em 2022, foram devolvidos R$ 34,70 para a sociedade - comemorou Moretti.
*Com informações da Empresa Brasileira de Comunicação (Agência Brasil).
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