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EMBRAPA NO ESPAÇO: O Voo das mulheres e a inovação agronômica
Data de Publicação: 14 de abril de 2025 14:26:00
Da redação
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Mais do que uma equipe excepcional composta inteiramente por mulheres, o recente voo suborbital da Blue Origin, realizado na segunda-feira, 14 de abril, transportou um valioso material: sementes de batata-doce das cultivares Beauregard e Covington, além de grão-de-bico BRS Aleppo, desenvolvido por cientistas brasileiros da Embrapa.
Esta pesquisa, focada nas duas espécies sob condições espaciais, faz parte da Rede Space Farming Brazil, uma colaboração entre a Embrapa e a Agência Espacial Brasileira (AEB), que reúne as principais investigações no Brasil sobre a produção de alimentos em ambientes extraterrestres, caracterizados por elevada radiação e baixa gravidade. A inclusão das sementes brasileiras se deu por meio de um convite da Winston-Salem State University (WSSU), localizada na Carolina do Norte, EUA. A astronauta Aisha Bowe, ex-cientista de foguetes da WSSU, será responsável pelos experimentos com as sementes brasileiras, em colaboração com a Odyssey, uma empresa que facilita operações e ciências espaciais da universidade. A escolha da batata-doce e do grão-de-bico se justifica por suas vantagens agronômicas e nutricionais, levando em conta os desafios de cultivar plantas no espaço. Ambas as espécies se destacam pela adaptabilidade e resiliência, apresentando rápido crescimento e facilidade de manejo, mesmo em condições adversas e com recursos limitados. Considerada uma aliada na dieta dos astronautas, a batata-doce fornece carboidratos de baixo índice glicêmico, e suas folhas são uma alternativa de proteína vegetal. A engenheira-agrônoma Larissa Vendrame, da Embrapa Hortaliças, ressalta que as raízes da batata-doce contêm compostos bioativos que atuam como antioxidantes essenciais, especialmente em ambientes expostos à radiação, como na Lua, Marte ou na Estação Espacial Internacional. As cultivares de batata-doce que serão analisadas – Covington e Beauregard – possuem polpa alaranjada, rica em betacaroteno, um precursor da pró-vitamina A, benéfico para a saúde ocular e da pele. Conhecido por seu alto valor nutricional, o grão-de-bico, frequentemente chamado de "grão da felicidade", foi escolhido pela cultivar BRS Aleppo, que se adapta bem às condições do espaço. O pesquisador da Embrapa, Fábio Suinaga, explica que a missão visa desenvolver plantas mais produtivas, com porte adequado às limitações do ambiente espacial. "Explorar o espaço é semear o futuro da agricultura: inovações que podem transformar a produção alimentar na Terra e garantir a segurança nutricional dos astronautas." O cultivo no espaço demanda o desenvolvimento de sistemas sem solo ou utilizando regolito lunar e marciano, além de cultivares selecionadas para a escassez de água e nutrientes. Segundo Vendrame, esses desafios são também relevantes para a agricultura da batata-doce no Brasil. "Uma equipe multidisciplinar da Rede de Agricultura Espacial Brasileira está empenhada em obter novas cultivares com as características desejadas de maneira mais eficiente e inovadora", conclui. As pesquisas em agricultura espacial têm o potencial de acelerar o melhoramento genético e trazer inovações para a agricultura na Terra, especialmente diante das mudanças climáticas, além de gerar impactantes spin-offs que poderão avançar o conhecimento agronômico e as tecnologias no Brasil.
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