Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência.
ESCÂNDALO ][ Produtor rural do Oeste da Bahia e MATOPIBA é alvo da PF por suposta compra de sentença
Data de Publicação: 29 de outubro de 2025 09:45:00 João Antônio Franciosi, dono da Franciosi Agro, é acusado pela PF de ser o mentor de um núcleo de organização criminosa que pagou R$ 26 milhões em propina para comprar uma decisão judicial favorável no Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) para a grilagem de uma fazenda de 22,5 mil hectares no estado
Por Antônio Oliveira
O Oeste da Bahia, frequentemente em destaque positivo no noticiário nacional de agronegócios por sua crescente produção e produtividade em diversas culturas, aliadas à responsabilidade social e ambiental, e um plano estratégico de infraestrutura em parceria com entes municipais e estaduais, está, nestes dias, nas manchetes negativas de sites de notícias políticas e de agro em todo o Brasil. Isso se deve a acusações graves contra um dos maiores empresários da região, do MATOPIBA e do país, João Antônio Franciosi, dono da Franciosi Agro, uma dissidência surgida da divisão do Grupo Franciosi entre irmãos.
![]() |
|
João Antônio Franciosi, dono da Franciosi Agro (Foto: Divulgação)
|
Franciosi está sendo acusado pela Polícia Federal (PF) de pagar R$ 26 milhões para comprar uma decisão judicial do desembargador do Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI) José James Gomes Pereira em um processo de disputa de terras. No último dia 2, o mega produtor rural foi alvo de mandado de busca e apreensão da PF, sob a acusação de integrar o núcleo da organização criminosa composto por empresários responsáveis pela grilagem de terras no Piauí por meio da compra de sentenças do tribunal estadual. Também integram este grupo, conforme a PF, o irmão e sócio de João Antônio Franciosi, Ubiratan Franciosi, e a filha do desembargador José James, Rachel de Sousa Pereira Santos, além de vários advogados suspeitos de operarem, articularem e intermediarem a venda das decisões judiciais no TJPI.
A Polícia Federal acusa João Antônio Franciosi de incumbir os advogados Paulo Augusto Ramos Chaves e Germano Coelho para providenciar com o desembargador José James e com sua filha, Lia Rachel, a venda da decisão judicial que seria favorável, proferida no âmbito do Agravo de Instrumento nº 0750602-73.2023.8.18.0000. O empresário não é parte do processo, mas interessado, segundo as investigações.
O relatório da PF aponta que, para implementar seu objetivo, Franciosi pagou, no período de 04/09/2023 a 14/08/2024, a Juarez R$ 16.984.480,00 (em 7 PIX) e a Germano R$ 9.221.980,00 (em 9 PIX), valores que revelam fortes indícios de estarem ligados ao êxito na compra de decisão com o desembargador, e que o pagamento ocorreu no contexto da decisão de mérito do agravo de instrumento distribuído de forma viciada ao desembargador.
Inicialmente, os repasses foram feitos por João Antônio Franciosi à empresa Villa Bella das Furnas Participações e Negócios LTDA, de propriedade de Paulo Augusto Ramos dos Santos. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a Villa Bella recebeu do empresário um total de R$ 106,3 milhões entre setembro de 2023 e agosto de 2024. Em seguida, a Villa Bella transferiu R$ 26 milhões para os advogados Juarez Chaves e Germano Coelho, que teriam intermediado a compra da sentença junto ao gabinete do desembargador José James.
O objetivo da propina era favorecer a Sundeck Holding, empresa com sede em São Paulo, no âmbito do agravo de instrumento, para que a empresa obtivesse os direitos sobre uma fazenda de 22,5 mil hectares no Piauí. Com o êxito da decisão, a PF indica que Paulo Augusto intermediou a transmissão da fazenda da Sundeck Holding para sua empresa, a Villa Bella, e, posteriormente, a repassou para o grupo Franciosi. Os sócios da Sundeck Holding, Suzana Pasternak Kuzoiltz e Jacyr Pasternak, também são acusados de pagarem propina no esquema criminoso.
Uma história de sucesso
A Franciosi Agro, conforme sua apresentação no site, possui uma estrutura física e humana notável, que inclui sua política de responsabilidade ambiental. A empresa foi fundada em 1986, fruto do "sonho de uma família que tem a coragem em seu DNA". Originários do Rio Grande do Sul, esses desbravadores trouxeram uma visão de mercado inovadora, apostando em uma região que, na época, era considerada improdutiva. Eles persistiram e investiram não apenas no crescimento de seus próprios negócios, mas também no desenvolvimento de toda aquela área.
Com "muito esforço e dedicação", os iniciais 300 hectares do primeiro ano de trabalho transformaram-se em mais de 81,9 mil hectares atualmente. A Franciosi é reconhecida como uma referência no agronegócio em todo o país, impulsionando as riquezas dos campos de Luís Eduardo Magalhães, na Bahia, e de todo o MATOPIBA. Suas áreas produtivas estão distribuídas em sete fazendas: Fazenda Três Irmãos, Fazenda Santa Isabel, Fazenda Santo Antônio, Fazenda Santana, Fazenda São José e Fazenda Confiança no Oeste da Bahia, além de uma fazenda no Piauí.
As fazendas da empresa totalizam 81,9 mil hectares cultivados, sendo 37,82 mil hectares de soja sequeiro; 19,36 mil hectares de soja irrigada; 6,48 mil hectares de algodão sequeiro; e 18,25 mil hectares de algodão irrigado. Em termos de produção e produtividade (dados da safra 2021/2022), a Franciosi superou 3,7 milhões de sacas de soja (2,41 milhões de sequeiro e 1,35 milhão de irrigada) e 7,7 milhões de arrobas de algodão capulho (1,77 milhão de sequeiro e 6,03 milhões de irrigado).
A estrutura e a equipe da Franciosi Agro são compostas por mais de 1000 colaboradores. A equipe é descrita pela empresa como altamente especializada, segmentada do administrativo ao campo, e utiliza as melhores capacitações, soluções tecnológicas voltadas ao agro e o melhor sistema de controle disponível no mercado internacional. A Franciosi afirma em seu site que um de seus principais diferenciais é o investimento no capital humano, reforçando que "acredita no desenvolvimento de pessoas para o fortalecimento de seus negócios e de toda a região abrangida pela empresa", com diversos colaboradores desenvolvendo suas carreiras e sendo continuamente capacitados.
![]() |
|
Algodoeira da Franciosi no Cerrado do Piauí (Foto: Governo do Piauí)
|
A responsabilidade ambiental é mencionada como um fator elementar em sua trajetória, com a empresa afirmando que sua origem foi baseada em transformar áreas nativas em produtivas respeitando o meio ambiente, e que não há como crescer sem o uso consciente dos recursos naturais.
Em 2019, a Franciosi foi considerada pela Forbes uma das 100 maiores empresas do agronegócio no Brasil.
Ascenção duvidosa, um outro caso
O homem que dormiu borracheiro e acordou dono de mais de 200 mil hectares de terra em produção no Cerrado baiano. Esta é a história de José Valter Dias, um borracheiro que se tornou um dos maiores latifundiários do Oeste da Bahia através de um suposto esquema de corrupção e venda de sentenças judiciais, investigado pela Operação Faroeste. Clique aqui para ler artigo deste jornalista sobre o caso.
Consta que João Antônio Franciosi está envolvido no caso com uma suposta compra de sentença.
O outro lado
As defesas de João Franciosi, do desembargador José James, de sua filha Lia Rachel, e dos outros investigados ainda não se manifestaram aos pedidos de informações feitos pelos sites que acompanham o caso. A defesa de José James informou ao portal Metrópole que o magistrado nunca solicitou, autorizou ou compactuou com qualquer prática que violasse os princípios de legalidade, moralidade e ética, e que, devido ao segredo de justiça, não pode aprofundar a análise técnica. João Franciosi optou por não se manifestar.
Por sua vez, o advogado e empresário Paulo Ramos reafirmou que atuou de forma transparente e dentro da legalidade, que a movimentação financeira de sua empresa é lícita e integralmente declarada ao fisco, e que as transferências feitas a advogados investigados se referem a outros serviços, sem relação com a investigação, e ocorreram após os fatos sob apuração.
Cerrado Rural Agro mantém, como sempre, espaço aberto para a defesa de todos os envolvidos nesta questão.
Agronegócio, João Antônio Franciosi, Polícia Federal, Corrupção, Compra de Sentença, Grilagem de Terras, Oeste da Bahia, MATOPIBA, Tribunal de Justiça do Piauí (TJPI), Operação Policial, José James Gomes Pereira, Franciosi Agro.
MOBILIDADE REGIONAL ][ DNIT fará testes em ponte interditada na BR-235 no Tocantins
Teste com sensores em ponte entre Pedro Afonso e Tupirama avaliará estrutura, com laudo previsto para indicar reforma ou substituição até 17 de julho. Saiba Mais +
RECORDE AGRÍCOLA ][ Sojicultor de Goiatins vence Desafio do CESB na Região Norte
Pedro Crispim alcançou 136,64 sacas de soja por hectare no Tocantins com manejo integrado, sanidade foliar e controle rigoroso de pragas. Saiba Mais +
DEFESA SANITÁRIA ][ Abapa realiza blitz para conter o bicudo-do-algodoeiro na Bahia
Ação orienta motoristas na BR-020 sobre o enlonamento e transporte seguro da safra de algodão para evitar a proliferação da praga nas rodovias. Saiba Mais +
GOVERNANÇA CORPORATIVA ][ Paulo Guedes passa a integrar o Conselho Consultivo da Inpasa
Ex-ministro junta-se a José Olympio no colegiado para apoiar a expansão estratégica e os novos investimentos da biorrefinaria de grãos. Saiba Mais +Seja o primeiro a comentar!
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo
|
Nome
|
E-mail
|
|
Localização
|
|
|
Comentário
|
|






.png)
