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IMPACTO ][ Tarifa de 50% dos EUA ameaça exportações de carne bovina do Tocantins, diz estudo da FAET

IMPACTO ][ Tarifa de 50% dos EUA ameaça exportações de carne bovina do Tocantins, diz estudo da FAET

Data de Publicação: 5 de agosto de 2025 11:24:00 A nova tarifa de 50% dos EUA sobre produtos brasileiros, especialmente carnes, pode causar grandes perdas nas exportações. O Tocantins, um dos maiores exportadores de carne bovina para os EUA, será diretamente afetado, exigindo que governo e indústria trabalhem juntos para encontrar novos mercados e reduzir os danos.

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Da redação

A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, a partir de 6 de agosto de 2025, acende um alerta na economia nacional. Embora produtos como artigos aeronáuticos, suco de laranja e petróleo tenham sido isentos, a medida atinge em cheio setores cruciais como a carne bovina, café, frutas frescas, ovos e tilápia, com potencial de gerar queda na receita, pressão sobre o mercado interno e redução nos preços pagos aos produtores rurais.

Os EUA são o segundo maior comprador de carne bovina brasileira, absorvendo 12% das exportações, atrás apenas da China (49%). Em 2024, as importações norte-americanas de produtos de origem animal do Brasil superaram US$ 2,8 bilhões, sendo que mais de 50% desse valor correspondeu a carnes, com a carne bovina representando 95,7% do montante.

Em 2024, o estado exportou US$ 73,8 milhões em produtos de
origem animal para o país norte-americano (Foto: Arquivo)

Tocantins sob ameaça

O estado do Tocantins, por sua vez, figura como o nono maior exportador de carne bovina para os EUA e o segundo da região Norte. Em 2024, o estado exportou US$ 73,8 milhões em produtos de origem animal para o país norte-americano, representando 3,8% da carne bovina brasileira destinada aos EUA. A peculiaridade é que o volume da exportação tocantinense para os EUA está concentrada em um único frigorífico habilitado, situado em Araguaína.

A imposição da tarifa de 50% reduz drasticamente a competitividade da carne tocantinense no mercado americano, afetando diretamente o escoamento da produção e a renda dos produtores locais. Com a taxação, as tarifas que antes variavam entre 4% e 26,5% podem saltar para 54% e 76,5%, respectivamente, a depender do volume exportado.

Reação e diversificação de mercados

A preocupação com o impacto da medida já se reflete nos dados. Em junho de 2025, o volume de carne bovina brasileira adquirido pelos norte-americanos foi o menor desde dezembro de 2024, registrando uma queda de 29.603 toneladas de abril para junho. No entanto, a China, principal parceiro comercial do Brasil, tem compensado parte dessa redução, aumentando suas compras em 27.782 toneladas no mesmo período.

Essa movimentação sinaliza que frigoríficos brasileiros têm a capacidade de ampliar suas vendas em outros mercados. Para o Tocantins, a urgência é ainda maior. Embora a China seja o principal mercado externo para o estado, absorvendo 43,8% de suas exportações, a dependência de um único frigorífico para as vendas aos EUA torna o estado mais vulnerável à nova taxação.

Diante desse cenário, a analista técnica Laís Giuliani Felipetto e o coordenador Luiz Claudio Faria Cruz, do Departamento Técnico da FAET (Federação da Agricultura do Estado do Tocantins), ressaltam a importância de uma ação coordenada. É essencial que o governo federal busque reverter a medida e, paralelamente, que a indústria articule a diversificação de mercados, o fortalecimento da estrutura industrial local e a intensificação da promoção comercial em outras regiões do mundo para mitigar os possíveis prejuízos.

Fonte: Nota técnica da FAET.

 

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