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INCLUSÃO ][ Embrapa lança Sisteminha em quilombo do Piauí
Data de Publicação: 12 de março de 2026 14:46:00 Nova estratégia da Embrapa e MDS amplia impacto do Sisteminha Comunidades, focando em segurança alimentar e inclusão produtiva em quilombos e cidades.
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Estiveram presentes o ministro do Desenvolvimento
e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington
Dias e também o ministro da Secretaria-Geral da Presidência
da República, Guilherme Boulos (Foto: Embrapa)
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Resumo
A Embrapa e o MDS inauguraram uma Unidade Demonstrativa do Sisteminha no Quilombo Mimbó (PI). A iniciativa investe R$ 11 milhões para implantar 300 unidades em 12 estados, utilizando um novo modelo de parceria com o terceiro setor para escalar a produção sustentável de alimentos e gerar renda.
Da Agência Embrapa de Notícias*
Mais um passo na trajetória da Embrapa na busca por modelos capazes de promover inovação em escala na agricultura familiar. Na última quinta-feira (5/3), foi inaugurada a Unidade Demonstrativa – UD do Sisteminha Comunidades no Quilombo Mimbó (Amarante PI), onde serão implantadas 10 Unidades de tecnologia de forma associada na mesma área, com a presença do ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.
Para implementação da estratégia, foi lançado, no final de fevereiro, o edital para implantação de 29 unidades do Sistema nos municípios de Ananindeua (PA) e Vitória da Conquista (BA). Serão construídas 14 unidades em Ananindeua e 15 em Vitória da Conquista. O edital destina-se à contratação de Organizações da Sociedade Civil (OSCs) interessadas na prestação de serviços para a implantação de unidades. As entidades deverão realizar cadastro no Portal de Compras da Fundação Arthur Bernardes (Funarbe). O prazo para envio das propostas encerra-se em 10 de março, às 15 horas.
As iniciativas estão no escopo do Termo de Execução Descentralizada - TED de quase R$ 11 milhões realizadas entre a Embrapa e o MDS, via Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, para implantação de 300 Sistemas em 20 municípios de 12 estados do País, com a parceria de uma rede de Unidades da Embrapa e de outras instituições. Espera-se impactar social, ambiental e economicamente pelo menos 300 famílias em situação de vulnerabilidade social, prioritariamente povos e comunidades tradicionais e iniciativas coletivas de agricultura urbana e periurbana. A parceria também prevê ações de capacitação de multiplicadores para promover a autonomia e garantir a continuidade do uso da tecnologia de forma independente e ampliar seu alcance, para que mais pessoas tenham acesso ao conhecimento e à produção de alimentos.
Estiveram presentes o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias e também o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos.
- Vamos trazer mais investimentos para essa região, vamos caminhar cada vez mais. Ainda temos muitos desafios pela frente, mas certamente já avançamos muito. Seguiremos trabalhando e trazendo mais tecnologias para melhorar a produção da agricultura familiar - declarou Wellington Dias.
Segundo o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim, além de mais segurança alimentar e maior inclusão produtiva, a parceria vai propiciar que a Embrapa pratique uma nova forma de olhar a promoção da inovação a partir de tecnologias de impacto social.
- A nossa colaboração com o MDS inaugura um novo modelo da Embrapa Maranhão - planejado corporativamente - de como fazer o escalonamento de tecnologias sociais, de impacto social. Estamos exercitando um modelo de formação e mobilização de organizações do terceiro setor para a montagem e capacitação de comunidades no âmbito do Sistema Comunidades – diz Marco Bonfim.
Ainda conforme ele, “isso pressupõe o fortalecimento de uma rede de organizações sociais que se juntam em parceria com a Embrapa para permitir que possamos conseguir chegar à tecnologia a muito mais comunidades, a muito mais povos, a equipes familiares, e de uma forma que respeite os princípios da tecnologia, a cultura local, as tradições, a forma de envolvimento da comunidade - não somente aceitando a tecnologia, mas participando de toda a construção e filosofia do Sistema - prossegue.
Para ilustrar o impacto socioeconômico e ambiental do aumento do Sisteminha, o gestor relata que a cada R$ 100 investidos no Sisteminha, a família amplia a capacidade de aquisição de alimentos em aproximadamente três vezes.
- Isso significa dizer que se uma dona de casa fosse comprar a mesma quantidade de alimentos no mercado, ela precisaria de quase R$ 300, sendo que ela consegue produzir com R$ 100. Além dessa eficiência na produção, estamos falando de alimentos mais saudáveis, sem uso de agrotóxicos, alimentos que produzem na propriedade da família, com autonomia e emancipação para decidir o destino de sua produção - exemplifica.
Bomfim destaca ainda outro benefício do Sisteminha Comunidades:
- A tecnologia passa a ser um elo de conexão das pessoas e da comunidade, porque traz troca de informação, troca de alimentos, aumento da densidade de produção, que permite que eles tenham maior quantidade de alimentos para ir para o comercializar e passem a comprar insumos de maneira coletiva.
Conforme ele, isso não só reduz preços, mas fortalece a organização social, como é o caso do Sistema Comunidades em Paulistana-PI, no Quilombo São Martim, onde a comunidade passou a dialogar e discutir mais para solucionar as questões em comum, a exemplo da oportunidade de troca de alimentos e transferência do excedente.
O Sisteminha Comunidades é uma solução tecnológica de produção integrada de culturas alimentares (peixe, ovos e carne ligados e conectados à produção vegetal) e insumos (adubo de húmus e água do peixe para abranger) abrangendo para pequenos espaços rurais, urbanos e periurbanos para que diversas famílias juntas produzem pequena escala, transportes à segurança alimentar e nutricional e geração de renda por meio da movimentação do excedente da produção e ainda resiliência climática, pelo uso racional de água e pelo cultivo agroecológico.
Histórico e ação dos multiplicadores - Num primeiro momento, a equipe do MDS, em conjunto com a Embrapa, iniciou conversa com 20 municípios, localizados em todas as cinco regiões do País, para articular com as prefeituras municipais a execução do projeto. As cidades foram definidas de acordo com o grau de maturidade da agenda agrícola. urbana e periurbana, identificada por meio do diagnóstico realizado no âmbito da Estratégia Alimentar Cidades, iniciativa da Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, e do Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana.
"Transformando tecnologia social em autonomia: o Sisteminha que multiplica o alimento e fortalece a comunidade."
No que diz respeito à capacitação dos multiplicadores, João Zonta, supervisor da área de transferência de tecnologia da Embrapa Maranhão, diz que o foco são organizações da sociedade civil com expertise em trabalhos com desenvolvimento rural, agricultura urbana e temas similares, para que essas organizações sejam as futuras multiplicadoras da tecnologia.
- Há organizações da sociedade civil com capacidade de multiplicar a tecnologia Sisteminha, a ideia é que aumentemos esse número, criando assim uma rede de organizações que tenham a capacidade de levar a tecnologia para a sociedade.
Para a coordenadora-geral de Agricultura Urbana e Periurbana do MDS, Kelliane Fuscaldi, a proposta é fortalecer as ações da Estratégia Alimentar Cidades, contribuindo para a produção e o acesso a alimentos saudáveis.
- Estamos desenvolvendo um ambiente institucional para a gestão deste projeto, que envolverá também entidades executoras responsáveis ??pela implantação da tecnologia, uma rede parceira composta por unidades da Embrapa e a gestão municipal - completou.
A contribuição iniciativa direta com o Eixo 4 da Estratégia Alimentar Cidades — produção de alimentos sustentáveis ??— e com todos os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) de enfrentamento da fome e da pobreza, assim como está diretamente alinhado ao Programa Nacional de Agricultura Urbana e Periurbana (PNAUP).
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Foto: Embrapa
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Como funciona o Sistema – A tecnologia possui 15 módulos oficiais, elementos que podem ser usados ??em conjunto ou adaptados. Para a implantação via Estratégia Alimentar Cidades, são usados ??cinco módulos interligados: tanque de peixes, galinheiro, composteira, minhocário e área de produção vegetal. O sistema funciona de forma integrada, aproveitando os resíduos de cada etapa como consumo para a seguinte. O tanque cimentado abriga peixes de espécies escolhidas de acordo com a região do país. O tanque contém uma bomba, que filtra os resíduos e limpa a água, deixando-a rica em nutrientes. Ela pode ser usada na supervisão de cultivos como milho e mandioca, definida pelos próprios produtores em conformidade com as características locais. Os resíduos dos peixes são direcionados para um espaço de compostagem. Após alguns dias, esse material é levado para um pequeno espaço suspenso, onde ficam as minhocas, que fazem o trabalho natural de compostagem e transformam os rejeitos em húmus, um adubo orgânico rico em micro e macronutrientes. O húmus pode ser usado no plantio ou comercializado, por ter alto valor de mercado. Em outro módulo, os produtores criam galinhas, buscando ovos e carne de frango, além de mais material para adubo.
Para saber mais sobre o Sistema Comunidades e seus impactos sociais, econômicos e ambientais leia as questões:
*Texto produzido pela jornalista Flávia Bessa, da Embrapa Maranhão, com edição deste site.
Embrapa — Segurança Alimentar — Agricultura Familiar — Inclusão Produtiva — Tecnologia Social — Quilombo Mimbó — Desenvolvimento Sustentável
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