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INTEGRAÇÃO NA PISCICULTURA - Cultivo de tambaqui com curimbatá, uma combinação economicamente e ambientalmente viáveis

INTEGRAÇÃO NA PISCICULTURA - Cultivo de tambaqui com curimbatá, uma combinação economicamente e ambientalmente viáveis

Data de Publicação: 19 de abril de 2023 16:36:00 Esse consórcio já faz par¬te do negócio de um grande número de produtores no estado do Maranhão, onde o curimbatá tem uma grande aceitação de mer¬cado e está sob experimento no Tocantins #integração na piscicultura #tambaqui com curimbatá #tambaqui #curimbatá

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Redação

Um projeto que pode multiplicar os resultados da produção de peixe de cultivo.  É a criação integrada de tambaqui e curimbatá, um sistema desenvolvido com a participação de universidades e instituições de pesquisa. O projeto foi encampado pela Associação Brasileira de Piscicultura (PeixeBR)

- E com a possibilidade de oferecer à população um pescado com preço mais acessível – diz Francisco Medeiros, presidente da PeixeBR.

Essa combinação já faz par­te do negócio de um grande número de produtores no estado do Maranhão, onde o curimbatá tem uma grande aceitação de mer­cado. As vantagens começam pelo fato de as duas espécies serem complementares e não concorrentes, pois ocupam lugares diferen­tes na cadeia alimentar, como explica a pesquisadora da Embrapa Pesca e Aquicultura, Adriana Lima.

- O tambaqui come ração e o curimbatá consome os resíduos – diz Medeiros.

Ou seja, tem-se a criação de dois pescados diferentes com o mesmo custo de alimentação.

- Se o tambaqui paga a ração, o curimbatá é o lucro - afirma Me­deiros.

O acréscimo mais significativo em termos de custo fica por conta dos alevinos de curimbatá.

A sustentabilidade é um dos pontos altos dessa combinação, pois o curimbatá desempenha uma função de filtragem do ambiente em que é cultivado. Ao se alimentar dos resíduos orgânicos da criação como um todo e transformá-los em proteína, evita que esse material chegue aos efluentes.

- É uma proposta de melhoria de qualidade de água na produção de peixe de cultivo -  diz o pre­sidente da Peixe BR.

Por se alimentar de resíduos, o curimbatá dispensa a ração
balanceada, reduzindo custos no cultivo do tambaqui (Foto: Divulgação)

 

Oportunidade para os nativos

O cultivo integrado de tambaqui e curimbatá amplia o espa­ço para os peixes nativos no mercado brasileiro. Desde que essa oportunidade comercial seja lastreada pela pesquisa científica, como ocorreu com a tilápia.

- Essa espécie tem crescido muito por haver um pacote tecnológico bem desenvolvido, com estudos pelo mundo todo - afirmou a pesquisadora da Embrapa.

Segundo a especialista, poucos países, como o Brasil, têm pesquisas com espécies nativas. Esse cenário pode ser analisado pelo olhar do tan­que meio cheio, vislumbrando-se as oportunidades.

- Há muito espaço para crescer - diz Adriana.

A Embrapa realizará pesquisas com três modelos de criação: só o tambaqui; tambaqui e curimbatá; e tambaqui, curimbatá e camarão da Amazônia. Segundo Adriana, os resultados podem até agregar valor ao tambaqui.

- Será o mesmo peixe, mas com maior eficiência por conta da preservação ambiental e da maior rentabilidade - afirma.

A integração com curimbatá ainda abre um caminho para que produtores diversifiquem a atividade e aumentem a renda.

Esse movimento já está acontecendo em Tocantins, e com o in­centivo do governo do estado. De acordo com o zootecnista da Secretaria de Agricultura e Pecuária (Seagro-TO), Thiago Tar­divo, a ideia é distribuir alevinos de tambaqui e curimbatá para pequenos produtores. O projeto visa também a aumentar a pro­dutividade por área na piscicultura do estado.

Desafios pela frente

O cultivo integrado de tambaqui e curimbatá também será objeto de pesquisas na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), com foco na viabilidade econômica. O projeto é relevante para o estado, pois, segundo a professora da UFMT, Janessa Sampaio de Abreu, os peixes nativos somam 84% da produção mato-grossense de pescado.

- O produtor de nativos precisa de opções, e o cultivo integrado pode ser uma saída -  afirma.

No entanto, Janessa chama atenção para a necessidade de outros elos da cadeia, como a indús­tria, a comercialização e o mercado, acompanharem essa evolução.

Na lista de desafios, Patricia Valenti, professora do Centro de Aquicultura da Unesp (Jaboticabal, SP), inclui também a maneira como levar essa ideia pelo País. Segundo ela, a forma de comuni­car o projeto é essencial para sua expansão, por haver muitos Bra­sis, com diferentes culturas e conceitos em cada região.

- Temos de trabalhar de acordo com cada região - afirma.

A professora do CAUnesp acredita que esse projeto pode ser um passo importante para aumentar a eficiência da piscicultura, otimizando o uso de estruturas já existentes.

Atualmente a curimbatá é o segundo peixe mais exportado pelo Brasil, atrás da tilápia e à frente do tambaqui. E quando se trata de importação de peixes de cultivo, ele está em terceiro, atrás de salmão e panga.

É um modelo de integração tambaqui/curimbatá, um dos melhores arranjos de sustentabilidade da piscicultura brasileira, com ganhos econômicos para o produtor, para o meio ambiente com a redução de efluentes e principalmente a oportunidade de uma oferta com preço social que possa ser adquirido por todas as classes sociais no Brasil.

- O cultivo integrado de tambaqui e curimbatá amplia o espaço para os peixes nativos no mercado brasileiro.

*Fonte: Anuário da Piscicultura PeixeBR 2023/PeixeBR, com edição da redação deste site.

 

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