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O OUTRO LADO ][ Embrapa rebate reportagem e defende AgriZone como espaço público e plural na COP30
Data de Publicação: 3 de dezembro de 2025 15:25:00
Por Antônio Oliveira
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) divulgou uma nota de posicionamento em resposta à reportagem do Intercept Brasil, publicada na última segunda-feira (1/12), que questionava o custo e as parcerias da AgriZone na COP30, especialmente com grandes empresas como Nestlé e Bayer. A Embrapa afirma que enviou detalhamento sobre as iniciativas do espaço, incluindo ações para a agricultura familiar e tecnologias sociais, mas que muitas dessas informações foram omitidas pela reportagem, privando o leitor de um entendimento completo da AgriZone, de sua programação plural e dos diversos atores envolvidos. A nota defende o uso de parcerias público-privadas para criar um espaço de debate inclusivo, gratuito e que abrangeu temas como agroecologia, restauração florestal e comunidades tradicionais. Além disso, a Embrapa refuta a alegação de que termos como "agricultura regenerativa" são apenas propaganda enganosa, reafirmando o caráter científico e de longo prazo dos protocolos de baixo carbono, como a recém-lançada Carne Baixo Carbono. Por fim, a empresa esclarece que a captação de recursos via Fundação de Apoio (FAPED) seguiu a legislação e que todos os dados de patrocínio estão disponíveis no Portal de Transparência.
A seguir, a íntegra da nota.
“Nota de posicionamento com relação à reportagem do Intercept Brasil sobre a AgriZone
Com relação à reportagem publicada nesta segunda-feira (1/12) intitulada Descobrimos o preço da Embrapa para Nestlé, Bayer e empresários do agro na COP30: R$ 18 milhões, a Embrapa tem os seguintes pontos a esclarecer:
1 – A Assessoria de Comunicação (Ascom/Embrapa) enviou, no dia 27/11, resposta aos questionamentos do Intercept Brasil com o detalhamento das iniciativas da AgriZone, inclusive para a agricultura familiar, com informações sobre vitrines vivas, tecnologias sociais (Sisteminha, cultivos biofortificados, Fossa Séptica Biodigestora, Barraginhas, cultivares para plantio específico da agricultura familiar, entre outras), área de preservação permanente da Embrapa Amazônia Oriental conhecida como Capoeira do Black, meliponário, Café Robustas Amazônico, eventos técnicos, entre outras iniciativas disponíveis nesta Nota de Esclarecimento:
Muitas dessas informações, no entanto, foram omitidas, privando o leitor de um entendimento mais profundo e adequado do que de fato foi a AgriZone, da pluralidade da programação, das inovações e dos atores que atuaram no espaço.
2 – Com relação aos quase 400 eventos técnicos realizados nos auditórios da AgriZone, a Embrapa confirma que realizou parcerias com a iniciativa privada e com ministérios, a partir da captação de recursos públicos e privados, para criar um espaço inclusivo, democrático e gratuito de debate. Por meio de um edital público, qualquer instituição pode submeter propostas para eventos. Das propostas aprovadas, 27% vieram de instituições governamentais, 19% de associações, 17% de empresas, 14% de Organizações Não-Governamentais e 13% de instituições de ensino e pesquisa. Agricultura familiar, agroecologia, restauração florestal, sistemas agroalimentares e povos e comunidades tradicionais fizeram parte dos debates, assim como outros temas relevantes para a sustentabilidade da agricultura e que pautavam as discussões nos principais fóruns da COP30. A programação permanece disponível no portal da Embrapa para consulta aberta, na qual tais dados podem ser revisitados.
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A presidente da Embrapa, Silvia Massruhá, e o ministro
Paulo Teixeira (MDA) apresentam tanque da tecnologia
Sisteminha à rainha da Dinamarca, Mary Donaldson
(de camisa branca e calça terracota) (Foto: Saulo Coelho)
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3 – Consideramos equivocada a afirmação da reportagem de que "o agro levou ao espaço conceitos como 'agricultura regenerativa' e 'pecuária de baixo carbono', termos utilizados pelo setor para tentar influenciar as negociações climáticas e considerados por ativistas e ONGs ambientalistas como propaganda sustentável enganosa." Ao contrário do afirmado, os protocolos de baixo carbono para carne, leite, soja, sorgo, trigo, milho estão sendo estudados pela ciência agropecuária há mais de dez anos. O mais recente resultado se concretizou no lançamento da Carne Baixo Carbono, ocorrido na AgriZone e que começará a chegar ao consumidor no segundo semestre de 2026. Trata-se, portanto, de um trabalho sério e de longa duração de pesquisa, que sem a parceria da iniciativa privada, não seria possível o escalonamento. O principal objetivo dos protocolos é a adoção de boas práticas para a execução do sistema de produção, que inclui a redução de uso de fertilizantes, cultura de cobertura, plantio direto, fixação biológica do nitrogênio e várias outras práticas que contribuem para reduzir a emissão no processo e também o sequestro de carbono pelo solo ou pela própria vegetação. Destaca-se ainda, que a ciência agropecuária adota métricas, baseada em conhecimentos científicos que atendem a critérios internacionais, inclusive do próprio IPCC, para avaliação de métricas de carbono.
Para mais informações sobre boas práticas para uma agricultura de baixo carbono acesse as publicações científicas de pesquisadores da Embrapa disponíveis em:
Produção de carne carbono neutro: um novo conceito para carne sustentável produzida nos trópicos.
Recomendações para operacionalização do plano de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) no Pantanal.
4 – Os recursos de patrocínio destinados às ações da AgriZone foram, conforme a legislação vigente, operacionalizados por meio da Fundação de Apoio (FAPED), que possui personalidade jurídica própria e capacidade administrativa para executar despesas, contratar serviços e gerir projetos com maior agilidade e flexibilidade, requisitos que a administração pública direta não dispõe. Por essa razão, os patrocínios foram recebidos e executados pela FAPED. Toda a movimentação financeira, contratos, notas fiscais e prestações de contas referentes aos patrocínios estão integralmente publicados no Portal de Transparência da FAPED, o que atende às obrigações de publicidade e controle previstas na Lei de Acesso à Informação e nas normas que regem o relacionamento entre instituições públicas e suas fundações de apoio.
Conforme indicado em nossas respostas às consultas via LAI, os valores correspondentes a cada cota podem ser acessados por qualquer cidadão em nosso portal, pela página embrapa.br/cop30/patrocinios, assim como a cota à qual cada patrocinador da Jornada pelo Clima aderiu.
Ainda assim, tais informações também foram acrescidas na página supramencionada.
5 – A Embrapa reafirma seu compromisso com a ciência e com a sustentabilidade da agricultura brasileira e mantém-se aberta ao diálogo e à colaboração com todas as organizações interessadas em reduzir os impactos climáticos, seja por meio da mitigação das emissões de gases de efeito estufa ou da promoção de sistemas produtivos mais adaptados, resilientes e sustentáveis. A Jornada pelo Clima foi a concretização deste compromisso diante de um capítulo tão importante de nossa história com a realização de uma COP em território brasileiro.”
Embrapa, AgriZone, COP30, Intercept Brasil, Agricultura, Sustentabilidade, Baixo Carbono, Patrocínio, Pesquisa
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