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TECNOLOGIA SERTANEJA ][ Hidrogel natural pioneiro do Piauí combate desertificação em Gilbués
Data de Publicação: 18 de julho de 2025 14:42:00 Tecnologia inédita, à base de babaçu e cajueiro, é aplicada em Gilbués para reter água no solo e promover o crescimento de plantas em áreas degradadas, marcando um novo capítulo na luta contra a desertificação.
Da redação
Uma tecnologia desenvolvida no Piauí está inovando o combate à desertificação no Brasil. Pela primeira vez, um hidrogel natural, feito a partir de plantas como babaçu e cajueiro, foi aplicado em Gilbués, município piauiense que possui a maior área degradada do país. O produto tem a capacidade de reter água no solo por mais tempo, favorecendo o crescimento de mudas mesmo em períodos de seca prolongada.
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"Essa tecnologia é diferente de tudo que
já foi usado no Brasil" (Foto: Maria Catiany)
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A novidade foi apresentada durante um dia de campo que envolveu cerca de 45 alunos do quinto ano da Unidade Escolar Denilde Alencar. Cada criança plantou e batizou uma muda de espécie nativa ou frutífera, criando um elo simbólico com a recuperação ambiental. Essa experiência é um marco inédito na região.
João Xavier, presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Piauí (Fapepi), que lidera a iniciativa em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), destaca a singularidade da tecnologia:
- Essa tecnologia é diferente de tudo que já foi usado no Brasil. Ela é natural, biodegradável e feita com matérias-primas do próprio Piauí. É uma solução científica e sustentável para recuperar solos que pareciam perdidos - disse.
A ação faz parte de um projeto que visa recuperar 10 hectares de solo dentro do Núcleo de Pesquisa de Recuperação de Áreas Degradadas e Combate à Desertificação (Nuperade). Há quase 20 anos, o Nuperade estuda formas de conter o avanço da degradação em Gilbués e na região semiárida. Gustavo Carvalho, assessor da superintendência da Semarh, ressalta a importância de envolver as crianças:
- Começar esse trabalho com as crianças foi fundamental. Elas agora têm um vínculo afetivo com o solo e com o meio ambiente. É um jeito de plantar futuro também nas pessoas.
A iniciativa é resultado da colaboração entre Semarh, Fapepi, Afert Biofertilizantes, Universidade Federal do Piauí (UFPI) e Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT) Polissacarídeos/CNPq.
Inovação e sustentabilidade
Diferente dos géis sintéticos derivados de petróleo, o hidrogel usado em Gilbués é 100% natural, produzido a partir de polissacarídeos vegetais extraídos de espécies abundantes no Piauí. Segundo Adriano Akira, diretor da Afert, a inovação combina alto desempenho com baixo impacto ambiental.
- Nosso gel consegue manter a umidade do solo por mais tempo, o que reduz a necessidade de irrigação e favorece o crescimento das plantas mesmo em períodos críticos de seca. E tudo isso sem agredir o meio ambiente - afirma.
O professor Edson Cavalcanti Filho, da UFPI e representante do INCT Polissacarídeos, reforça o potencial da tecnologia:
- A aplicação dos polissacarídeos vegetais representa um avanço científico importante. Estamos falando de uma solução biotecnológica que pode ser adaptada a outras áreas do semiárido brasileiro. É ciência feita no Piauí com potencial para mudar realidades no país inteiro.
Gilbués, localizado a quase 800 km ao sul de Teresina, já perdeu mais de 7 mil km² para a desertificação, sendo o maior caso de degradação de solo no Brasil. Os impactos são severos na agricultura, biodiversidade e na vida das comunidades locais.
Piauí, Gilbués, desertificação, hidrogel natural, babaçu, cajueiro, recuperação ambiental, Fapepi, Semarh, Nuperade, Afert Biofertilizantes, UFPI, INCT Polissacarídeos, polissacarídeos vegetais, sustentabilidade, semiárido brasileiro, degradação do solo.
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