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Bioinseticida para controle de mosca-branca chega ao mercado

Bioinseticida para controle de mosca-branca chega ao mercado

Data de Publicação: 31 de janeiro de 2023 09:43:00 Uma parceria público-privada entre a Embrapa e a canadense Lallemand Plant Care oferece ao mercado um bioinseticida capaz de controlar a mosca-branca, uma das piores pragas da agricultura brasileira #Bioinseticida #mosca-branca

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*Por Rodrigo Peixoto, da Embrapa Arroz e Feijão

Uma parceria público-privada entre a Embrapa e a empresa Lallemand Plant Care lançou o inseticida biológico Lalguard Java, uma alternativa sustentável para o controle da mosca-branca ( Bemisia tabaci ), praga que causa perdas em mais de 40 lavouras no Brasil. O inseto é responsável por perdas diretas (por sucção de seiva, injeção de toxinas e distúrbios fisiológicos) e indiretas devido à excreção de uma substância açucarada que favorece o crescimento de fungos nas folhas das plantas. Além disso, é um vetor de várias doenças transmitidas por vírus em plantas. A mosca-branca apresenta resistência a vários inseticidas químicos sintéticos, o que torna seu manejo difícil e caro.

Nosca-branca (Foto: Sebastião Araújo)

 

O Lalguard Java foi formulado a partir de uma cepa do fungo Cordyceps javanica, que tem demonstrado eficiência no controle de ninfas (fases jovens) e adultas de mosca-branca, principalmente pelo seu comportamento de “caçador” (cresce extensivamente a partir de insetos mortos e infecta outros insetos nas folhas), o que resulta em alta mortalidade de pragas. Além disso, é inofensivo para humanos e outros vertebrados e tem baixo impacto sobre insetos benéficos, inimigos naturais de pragas no campo. Ao contrário dos pesticidas químicos, o Lalguard Java é inofensivo ao meio ambiente e não deixa vestígios nos alimentos.

O bioproduto é resultado de um estudo iniciado em 2012 e que envolveu especialistas da Embrapa. O trabalho incluiu a coleta do fungo em áreas com alta mortalidade natural de mosca-branca nas lavouras de soja, feijão, milho, goiaba, tomate e algodão nos estados brasileiros de Goiás, Maranhão e no Distrito Federal.  

As cepas do fungo coletadas de ninfas e adultos de mosca-branca no campo foram isoladas em meios de cultura para dar início à pesquisa. Após essa etapa, foram realizadas análises moleculares por meio de sequenciamento genético para determinar quais espécies estavam presentes nas amostras, sendo então identificadas 11 cepas do fungo Cordyceps javanica. O próximo passo foi testar essas amostras quanto à eficácia no controle da mosca-branca em experimentos de laboratório, casa de vegetação e campo. O resultado desse trabalho foi a seleção da cepa de Cordyceps javanica BRM 27666.

Além de estabelecer um zoneamento climático favorável para a cepa selecionada, eles avaliaram sua compatibilidade com mais de 30 produtos comerciais comumente usados ??em lavouras, entre adjuvantes, inseticidas, fungicidas e herbicidas. O objetivo era testar se os produtos químicos sintéticos tinham algum efeito tóxico na eficiência do componente fúngico (esporos ou conídios) no controle da mosca-branca. 

O BRM 27666 tem demonstrado eficácia em ambientes com alta ou baixa umidade, o que é um ponto positivo para sua aplicação em lavouras. Além disso, essa cepa se multiplica dentro do hospedeiro e produz muitos esporos, que são as estruturas de disseminação do fungo que podem se espalhar pelo vento, chuva ou pelo próprio inseto, causando novas infecções. 

Ninfas de mosca-branca infectadas com o fungo Cordyceps
javanica após aplicação do Lalguard Java (Foto: Eliane Quintela )

 

Estratégia de gestão integrada 

Em 2015, foi firmada uma parceria com a empresa canadense Lallemand Plant Care, com sede no Brasil em Patos de Minas, MG, que foi responsável por transformar todo o conhecimento gerado em um bioproduto. É uma fórmula em pó molhável para ser aplicada via spray foliar contendo conídios fúngicos, ou seja, estruturas germinativas que penetram na mosca-branca ao contato, o que é um aspecto importante, pois a infecção independe da alimentação do inseto a partir dela.

Segundo o fabricante Lallemand Plant Care, o Lalguard Java tem um bom prazo de validade (cerca de um ano) se armazenado em condições adequadas e com controle de temperatura. 

A entomóloga da Embrapa Eliane Quintela, uma das cientistas responsáveis ??pela pesquisa que deu origem ao produto Lalguard Java, explica que o novo bioinseticida foi testado em todas as safras (verão, seca e inverno) para controlar a mosca-branca em lavouras atacadas pelo praga. Segundo ela, essa é mais uma opção para as limitadas estratégias de controle do inseto. “Esse bioinseticida protege as plantas, não deixa vestígios nos alimentos e é compatível com outros inseticidas, herbicidas e adjuvantes. aos defensivos químicos convencionais", acrescenta Quintela.

Ela destaca o potencial do novo insumo como ferramenta a ser incorporada aos programas de Manejo Integrado de Pragas (MIP) em culturas de importância socioeconômica para o Brasil, como algodão, soja, feijão, tomate, batata, melão, melancia e plantas ornamentais, entre outras . 

- A perspectiva de uso do Lalguard Java deve estar alinhada com o conjunto de práticas de MIP que visam manter o equilíbrio da população de mosca-branca nas lavouras; agregar a rotação de culturas e cultivares; monitorar insetos nas lavouras; e observar os períodos de pausas sanitárias estabelecidos para cada local do país, quando as plantas hospedeiras da mosca-branca não podem ser cultivadas - conclui Quintela.

 

*Via Agência Embrapa de Notícias.

 

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