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AVICULTURA SOB RISCO: Medidas de contenção contra a influenza aviária no Brasil
Ministério rastreia ovos de granja infectada e inicia descarte preventivo; restrições comerciais se expandem após o primeiro caso confirmado no Rio Grande do Sul. Confira os últimos acontecimentos.
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| Foto: Luis Agner/IBGE |
Da redação
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou que completou o rastreamento de todos os ovos destinados à incubação provenientes da granja onde foi identificado o primeiro caso de influenza aviária de alta patogenicidade (IAAP). Esses ovos estão sendo enviados para incubatórios situados em Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul. Em conformidade com o plano de contingência relacionado à influenza aviária e à doença de Newcastle, o Ministério já implementou medidas de saneamento adequadas.
Uma das ações adotadas inclui a destruição dos ovos. Na última segunda-feira, 17, o governo de Minas Gerais decidiu descartar 450 toneladas de ovos fertilizados e outros materiais associáveis como uma medida de precaução. Em comunicado oficial, o governo estadual enfatizou que essa ação é crucial para a manutenção do controle sanitário e para garantir a contenção e erradicação da doença, ao mesmo tempo em que assegura a capacidade produtiva do setor.
O Mapa também destacou que não há evidências de contaminação entre os ovos e que estão sendo tomadas todas as precauções necessárias para proteger a avicultura nacional.
Gripe aviária
O primeiro caso do vírus IAAP em aves comerciais foi validado esta semana na cidade de Montenegro, no Rio Grande do Sul. Em nota, o Mapa reafirmou que a doença não é transmitida pelo consumo de carne ou ovos.
Desde a confirmação desse caso de IAAP no Brasil, países como China, União Europeia e Argentina suspenderam as importações de carne de frango brasileira por um período inicial de 60 dias. Embora o foco da doença seja regional, as restrições comerciais aplicadas pela China e pelo bloco europeu se estendem a todo o território nacional, em atenção a acordos comerciais existentes com o Brasil.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) reporta que, desde 2006, têm ocorrido casos de IAAP em várias regiões do mundo, especialmente na Ásia, África e no norte da Europa.
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| Foto: Agência Senado |
Morte de cisnes
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) confirmou que as mortes de 38 cisnes e patos do Parque Zoológico de Sapucaia do Sul (RS) foram causadas pela Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (H5N1).

A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) do Rio Grande do Sul já havia fechado o local para visitação desde o registro da morte dos animais na última terça-feira (13) e continuará fechado por tempo indeterminado.
Sapucaia do Sul fica a cerca de 50 quilômetros de Montenegro (RS), local em que a detecção do vírus da influenza aviária de alta patogenicidade foi confirmada em sistema de avicultura comercial na última quinta-feira (15).
O Parque Zoológico de Sapucaia do Sul tem 63 anos de existência e é o maior zoológico do Rio Grande do Sul. Atualmente, abriga cerca de 130 espécies entre répteis, aves e mamíferos, somando mais de mil animais. Além dos animais silvestres, conta com um plantel de espécies domésticas, entre elas 500 cisnes e marrecas.
Doença
A influenza aviária, também conhecida como gripe aviária, é uma doença viral altamente contagiosa que afeta principalmente aves silvestres e domésticas, mas também pode acometer humanos.
Entre os principais sintomas apresentados nas aves estão dificuldade respiratória; secreção nasal ou ocular; espirros; falta de coordenação motora; torcicolo; diarreia; e alta mortalidade.
Segundo o Ministério da Agricultura, a doença não é transmitida pelo consumo de carne nem de ovos.
A Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) do Rio Grande do Sul pede que todas as suspeitas de influenza aviária, que incluem sinais respiratórios, neurológicos ou mortalidade alta e súbita em aves, sejam notificadas imediatamente à Secretaria da Agricultura através da Inspetoria de Defesa Agropecuária mais próxima ou pelo WhatsApp (51) 98445-2033.
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| Foto: Ascom/Seapi |
Barreiras sanitárias
O governo do estado do Rio Grande do Sul iniciou a montagem de sete barreiras sanitárias para a contenção do foco de influenza aviária no município de Montenegro (RS), local em que a detecção do vírus de alta patogenicidade foi confirmada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) na última sexta-feira (16).
Até o começo da noite deste sábado (17), cinco das sete barreiras já haviam sido instaladas. Estão previstas duas barreiras na BR-386, uma ao norte na RS-124, outra na TF-10, no sentido Triunfo (RS), e três em estradas vicinais.
- O objetivo é inspecionar todos os veículos de carga viva, os que transportam ração e fazem coleta de leite, que são veículos que circulam em diversas propriedades rurais. No raio de três quilômetros os automóveis de passeio também serão desinfectados. Os pedestres não são o foco da ação”, disse o governo em comunicado.
As barreiras funcionarão em conjunto com a Patrulha Ambiental (Patram), da Brigada Militar, e a prefeitura do município, com operação 24 horas por dia. Os pontos de controle sanitários estão instalados em um raio de três a dez quilômetros do local do foco da doença.
O governo do estado informou ainda que serão vistoriadas cerca de 540 propriedades rurais no raio de dez quilômetros do foco da doença para avaliação e ações de educação sanitárias.
A prefeitura de Montenegro ressaltou, em nota, que o risco de infecção em humanos pela gripe aviária é muito baixo e ocorre, na maioria das vezes, entre tratadores ou profissionais que têm contato intenso com os animais.
- Essas pessoas estão sendo monitoradas e não apresentaram nenhum sintoma da doença - diz a nota.
A administração municipal pediu ainda compreensão dos moradores em relação às alterações nas vias de tráfego da cidade em razão dos bloqueios sanitários.
- Podem ocorrer desvios em estradas e interrupções temporárias de fluxo. Não há motivos para pânico.
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