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DIGNIDADE ][ Brasil sai do Mapa da Fome da ONU e lidera Aliança Global Contra a Insegurança Alimentar
Data de Publicação: 28 de julho de 2025 15:40:00 O Brasil é oficialmente retirado do Mapa da Fome da ONU, impulsionado por políticas de apoio à agricultura familiar e acesso à alimentação. Agora, o país lidera a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza na COP30, conectando a luta contra a fome, a pobreza e a crise climática.
Da redação
O Brasil foi oficialmente retirado do Mapa da Fome das Nações Unidas, um feito histórico alcançado três anos após seu reingresso em 2021. Essa conquista é atribuída a escolhas políticas que priorizaram o apoio à agricultura familiar e o acesso à alimentação. O país já havia saído do mapa em 2014, mas retornou entre 2020 e 2022, quando as taxas de desnutrição subiram para 4,2%. No entanto, a FAO já havia sinalizado em 2024 que o Brasil estava próximo de reverter essa situação.
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Os restaurantes comunitários fazem parte da politica
brasileira contra a fome (Foto: Secom/Palmas)
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O governo brasileiro pretende destacar na COP30 a Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada durante a cúpula do G20, presidida pelo Brasil em 2024. Essa aliança estabelece uma conexão direta entre fome, pobreza e crise climática, buscando coordenar países, agências da ONU, bancos multilaterais, sociedade civil e filantropia em respostas práticas à insegurança alimentar extrema. A proposta se baseia em políticas nacionais já existentes, como transferências de renda, compras públicas da agricultura familiar, alimentação escolar universal e apoio à produção agroecológica, visando ampliar sua escala através de coordenação internacional e financiamento estruturado.
No cenário internacional, o Brasil tem defendido que o combate à insegurança alimentar é crucial para a resiliência climática, especialmente diante do aumento de eventos extremos que impactam a produção e o acesso a alimentos. Com a Aliança e o programa Brasil Sem Fome, o país busca demonstrar que políticas públicas integradas podem, simultaneamente, reduzir vulnerabilidades sociais e ambientais, pressionando outros governos a seguir o mesmo caminho.
Raj Patel, especialista do painel IPES-Food e professor da Universidade do Texas, Austin, afirma que "o sucesso incrível do Brasil mostra que ninguém precisa passar fome – a fome é uma escolha. O que funciona é apoiar os agricultores familiares em vez do agronegócio, investir em merendas escolares, programas públicos e acesso à alimentação. Estes não são ideais utópicos, são ferramentas comprovadas." Elisabetta Recine, especialista do IPES-Food e presidenta do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Brasil (Consea), reforça que "com o Brasil liderando a COP30, a mensagem é clara – enfrentar a fome, a desigualdade e as mudanças climáticas andam juntos." Ela alerta, contudo, que "a luta ainda não acabou. Os preços dos alimentos estão subindo e ameaças tarifárias estão surgindo, então precisamos manter o rumo, porque o custo da inação é medido em vidas."
O relatório da ONU sobre o Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI), publicado recentemente, indica que a fome global diminuiu, mas aumentou na África e na Ásia Ocidental, analisando também as causas e consequências da inflação alimentar global.
Números do Brasil
"Sair do mapa da fome" significa que a desnutrição no país caiu para menos de 2,5%, um nível considerado muito baixo para ser notificado. Entre 2020 e 2022, 21,1 milhões de pessoas (9,9%) estavam em insegurança alimentar grave; entre 2022 e 2024, esse número caiu para 7,1 milhões (3,4%). A proporção de pessoas incapazes de pagar por uma dieta saudável também diminuiu de 29,8% em 2021 para 23,7% em 2024, apesar do aumento contínuo do custo de uma dieta saudável. Maria Siqueira, codiretora executiva do Pacto Contra a Fome, destaca a importância de garantir não apenas o acesso a alimentos, mas a alimentos de qualidade que previnam doenças crônicas.
Receita Brasileira
O sucesso do Brasil, em contraste com a insegurança alimentar global, é atribuído a um conjunto de políticas públicas do programa Brasil Sem Fome, que inclui:
- Ampliação do Bolsa Família para famílias vulneráveis.
- Programa universal de alimentação escolar com alimentos de agricultores locais e agroecológicos.
- Aumento do salário mínimo.
- Compras públicas de agricultores familiares para escolas e cozinhas comunitárias.
- Apoio à transição para produção orgânica e agroecológica.
- Apoio a populações negras e indígenas para acesso a compras públicas de alimentos.
- Garantia do direito humano à alimentação adequada na legislação nacional.
- Programa Cidades Alimentadoras para melhorar o acesso a alimentos em áreas urbanas.
- Coordenação interministerial inédita, alinhando objetivos de alimentação, saúde, educação, clima e erradicação da pobreza.
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