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AGRO ][ Entre o antagonismo histórico e a ilusão política
Data de Publicação: 29 de julho de 2025 15:20:00 O setor do agronegócio no Brasil, pilar da economia nacional, navega em um complexo cenário político, onde o antipetismo histórico convive com a percepção de que nem mesmo o discurso pró-agro se traduz em apoio concreto.
Da redação
O setor do agronegócio no Brasil, pilar da economia nacional, navega em um complexo cenário político, onde o antipetismo histórico convive com a percepção de que nem mesmo o discurso pró-agro se traduz em apoio concreto.
O sentimento antipetista no campo, enraizado em memórias de invasões de propriedades por movimentos sem-terra e na “indústria da multa” ambiental durante gestões passadas do Partido dos Trabalhadores (PT), é "perfeitamente compreensível", conforme análise de Diogo Schelp, publicada nesta segunda-feira, 28, no Estadão. A retórica petista, que frequentemente rotulou o agronegócio como "latifundiário, improdutivo, desmatador e reacionário", culminou em episódios como a qualificação de "fascista" por Lula a integrantes do setor, mesmo em 2023 já como presidente, diz o articulista.
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| Imagem ilustrativa da META IA por sugestão da redação |
No entanto, por trás da polarização ideológica, o pragmatismo econômico prevalece. Lula e o PT reconhecem a força do agro como "locomotiva da economia brasileira", vital para a entrada de divisas e a geração de empregos. Por essa razão, os governos petistas, apesar da retórica, não deixaram de oferecer estímulos significativos ao setor.
O mito do "campeão do agro"
A análise de Schelp também desmistifica a imagem de Jair Bolsonaro como o grande defensor do agronegócio. Embora Bolsonaro tenha habilmente capitalizado o antipetismo, suas ações em favor do setor foram menos impactantes do que a retórica sugeria. O número de invasões de terra, por exemplo, já havia diminuído consideravelmente no governo Michel Temer e manteve-se estável durante o mandato de Bolsonaro.
Além disso, o volume de crédito rural concedido em 2023, sob a gestão petista, superou em mais de 13% qualquer ano do governo Bolsonaro. A "fanfarra" em torno das multas ambientais e a promessa de "passar a boiada" também não se traduziram em soluções efetivas para as reais dificuldades dos ruralistas. Na prática, quem se beneficiou foram poucos indivíduos que atuavam fora da lei, como madeireiros ilegais, enquanto a vasta maioria dos produtores rurais segue as leis ambientais — prova disso é que todo o desmatamento ilegal em 2024 ocorreu em apenas 1% das propriedades.
A campanha da família Bolsonaro para que exportadores brasileiros sofram sanções americanas reforça a tese de que os interesses do campo nem sempre estiveram no centro das preocupações do ex-presidente. Assim, a percepção de Bolsonaro como "campeão do agro" é apresentada, por Schelp como uma ilusão, obscurecendo a complexa relação entre o agronegócio e as forças políticas no Brasil.
Agronegócio | PT | Bolsonaro | Movimentos Sem-Terra | Invasões de Terra | Multas Ambientais | Crédito Rural | Desmatamento Ilegal | Sanções Americanas | Economia Brasileira | Polarização Política | Ruralistas | Produtores Rurais
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