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PLANO SAFRA 2025/2026 ][ "Esse dinheiro não apareceu. Na prática, ele não existe", diz presidente da Comigo
Data de Publicação: 28 de outubro de 2025 08:38:00 Antônio Chavaglia, presidente de uma das maiores cooperativas do Brasil aponta, também, que altas taxas de juros, custos de frete e problemas climáticos somados aos baixos preços inviabilizam a atividade agrícola.
Por Antônio Oliveira
O Brasil colheu uma safra recorde em 2023, com avanços nas exportações de soja e uma boa produção de milho. No entanto, o cenário positivo em volume não se traduz em rentabilidade para o produtor. A crítica é do presidente e um dos fundadores da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (Comigo), Antônio Chavaglia.
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Antônio Chavaglia, presidente da Comigo (Foto: Divulgação)
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Em entrevista aos jornalistas Italo Wolff e Tom Paulo, do portal Jornal Opção, publicada no último dia 25, Chavaglia destacou que os altos custos com maquinário e investimentos, somados a anos anteriores de baixa rentabilidade, têm levado um número expressivo de produtores, especialmente no Centro-Oeste, a recorrerem à recuperação judicial.
Plano Safra não sai do papel e juros inviabilizam
O principal ponto de preocupação levantado pelo líder cooperativista é o acesso ao crédito oficial. Questionado sobre se o Plano Safra ajudaria a suprir a demanda financeira, Chavaglia foi incisivo:
- Esse dinheiro não apareceu. Na prática, ele não existe. E, para consegui-lo, é preciso oferecer garantia real fiduciária, ou seja, se o produtor não paga, a propriedade passa a ser do banco.
Devido a essa exigência, poucos produtores estão conseguindo acessar o crédito. Além disso, segundo ele, nem mesmo as taxas de juros foram definidas com clareza, tornando a situação “bastante delicada”.
Na entrevista, o presidente da Comigo detalha que o cenário é agravado pela política de juros do país.
- A taxa de juros é um absurdo hoje no Brasil. A Selic está em 15%, mas nenhum banco vai te emprestar a 15%; eles cobram 20 e tantos por cento.
Ao somar custos como o seguro agrícola (que o governo não está bancando), a taxa total pode chegar a 25%, o que, para Chavaglia, inviabiliza a atividade.
Desafios do campo: preços, clima e burocracia
Antônio Chavaglia ressaltou que, mesmo com a boa safra, os preços atuais da soja e do milho não são remuneradores, dada a oferta global elevada. A escassez de mão de obra qualificada e as alterações climáticas também pressionam os resultados. Ele citou o atraso de quase 20 dias nas chuvas em 2023, com risco de perdas nas lavouras do Mato Grosso e Goiás, e o impacto que isso pode ter na "safrinha".
Outro fator que onera a atividade no Centro-Oeste é o frete. Enquanto produtores do Sul, próximos a portos e mercados, conseguem melhores margens, no Centro-Oeste o alto custo do transporte rodoviário (e até mesmo o ferroviário, que não gerou impacto econômico, apenas logístico, com menos caminhões nas estradas) reduz significativamente a rentabilidade.
Para agravar a situação, o produtor tem enfrentado a cobrança repentina de passivos ambientais pelos bancos, mesmo em financiamentos de longo prazo. Segundo Chavaglia, se surgir um problema ambiental na propriedade, o produtor pode ser obrigado a quitar imediatamente toda a dívida.
Diante do distanciamento do governo e da redução da oferta de crédito por empresas fornecedoras, Chavaglia afirma que o produtor tem se virado como pode. A Comigo, por sua vez, atua como um balizador de mercado para seus 12 mil associados, oferecendo preço justo na compra de produção e venda de insumos. A cooperativa, que faturou R$ 15,6 bilhões em 2022, tem o objetivo de oferecer prestação de serviço de qualidade, tecnologia e orientação, ajudando a mudar o panorama econômico dos municípios onde se instala.
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