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CONFLITO ][ Ocupação na Cargill expõe crise sobre privatização de rios
Data de Publicação: 22 de fevereiro de 2026 18:49:00 Enquanto indígenas denunciam ameaças à soberania alimentar e exigem consulta prévia, o agronegócio repudia a invasão e alerta para riscos de desabastecimento
Resumo
Indígenas ocuparam o escritório da Cargill em Santarém e ambientalistas protestaram em São Paulo contra o Decreto nº 12.600/2025, que privatiza hidrovias. Enquanto o Cita alega defesa ambiental e de direitos, a empresa e entidades do agronegócio repudiam a ação, citando vandalismo e riscos operacionais.
Da redação
Na madrugada de sábado (21), um grupo de indígenas ocupou o escritório do terminal da multinacional Cargill no Porto de Santarém, Pará. Segundo o Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita), o ato integra uma série de protestos iniciada há mais de um mês contra o Decreto nº 12.600, de agosto de 2025, que inclui as hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND). Enquanto o acesso ao terminal era bloqueado no Pará, ambientalistas e entidades sociais protestavam em São Paulo, fechando duas faixas da Avenida Chucri Zaidan, na Vila São Francisco.
A Cargill classificou as ações como “violentas” e afirmou que manifestantes bloqueiam caminhões há 30 dias, desrespeitando ordem judicial de desocupação. Durante a invasão, funcionários buscaram abrigo em local fechado até serem retirados em segurança. A empresa checa se houve depredação de máquinas, mas não há registro de feridos. Paralelamente, a Abiove, Abani, ABTP, Amport e o IBP emitiram nota conjunta
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A Cargill classificou as ações como “violentas”
( Foto: Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) )
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repudiando o ato, citando vandalismo, danos estruturais e risco de desabastecimento de gás e combustíveis para hospitais e aeroportos. O terminal movimentou 5,5 milhões de toneladas de grãos em 2025, representando 70% dos embarques locais. A Faepa e o deputado Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), também condenaram a ocupação, classificando-a como ilegal e incompatível com o Estado Democrático de Direito.
Por outro lado, o Cita justifica a indignação pela não revogação integral do Decreto 12.600, alegando que o projeto ameaça a qualidade da água, a pesca e a soberania alimentar. O conselho afirma que a luta é por "justiça socioambiental" e cobra explicações federais sobre a privatização dos rios e a ausência de estudos de impacto. O movimento exige consulta prévia, livre e informada, conforme a Convenção 169 da OIT.
O Governo Federal, via Secretaria-Geral da Presidência, afirmou acompanhar o caso e defende o direito à manifestação pacífica. No dia 6, o governo suspendeu a dragagem do Rio Tapajós como "gesto de negociação", embora alegue que a obra era de rotina. Promessas anteriores feitas pelo ministro Guilherme Boulos e pela Casa Civil em novembro, durante a COP30, reiteram o compromisso de realizar consultas e estudos ambientais antes de qualquer intervenção, visando garantir, segundo o governo, uma navegabilidade mais segura e protegida por meio da iniciativa privada.
A Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) também emitiu nota de repúdio contra as invasões e atos de violência ocorridos entre 20 e 21 de fevereiro de 2026 no Terminal Portuário de Santarém (PA) e no escritório da Cargill, em São Paulo. A entidade classificou as ações como práticas incompatíveis com o direito de manifestação, destacando que as reivindicações são de competência exclusiva do Governo Federal e não justificam ataques ao patrimônio privado. A ABTP manifestou solidariedade à Cargill e exigiu que as autoridades restabeleçam a segurança, protejam os trabalhadores e garantam o cumprimento das decisões judiciais de reintegração de posse.
*Com informações da Agência Brasil e Estadão.
Cargill, Porto de Santarém, Povos Indígenas, Privatização de Hidrovias, Decreto 12.600, Conflito Agrário, Sustentabilidade
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