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MILHOCULTURA ][ A cigarrinha-verde-do-milho causou prejuízo de US$ 25,8 bilhões em quatro anos no Brasil.
Data de Publicação: 7 de abril de 2026 15:11:00 Considerada o maior desafio da cultura, a cigarrinha-verde gerou perdas de US$ 25,8 bilhões na produção de milho no Brasil entre 2020 e 2024.
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Entre 2020 e 2024, o Brasil perdeu, em média, 22,7% da sua produção
milho devido a doenças que causam o nanismo (Foto: Charles Oliveira)
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Resumo
Estudo da Embrapa, Epagri e CNA quantificou que o nanismo do milho, transmitido pela cigarrinha-verde, causou a perda média de 22,7% da produção nacional em quatro anos. O impacto bilionário reflete o aumento de 19% nos custos com inseticidas e exige manejo integrado para proteger a safra.
Da Agência Embrapa de Notícias
A cigarrinha-verde-do-milho ( Dalbulus maidis ), considerada a principal praga da cultura, tem causado prejuízos bilionários à produção brasileira. Um novo estudo quantificou o impacto econômico das doenças que causam o nanismo do milho no Brasil. Entre 2020 e 2024, o Brasil perdeu, em média, 22,7% da sua produção de milho devido a essas doenças, cujos patógenos são transmitidos pelo inseto vetor, resultando em perdas anuais de aproximadamente US$ 6,5 bilhões.
Ao longo dos quatro anos agrícolas abrangidos pelo estudo, as perdas financeiras acumuladas atingiram US$ 25,8 bilhões, uma vez que aproximadamente 2 bilhões de sacas de 60 quilos deixaram de ser produzidas.
Os resultados foram obtidos a partir da análise de dados da Companhia Nacional de Abastecimento ( Conab ) que abrangem séries históricas sobre produtividade, produção de grãos e área plantada com milho desde 1976, e foram estimadas as perdas econômicas associadas aos danos às lavouras nas principais regiões produtoras de milho do Brasil.
Os resultados foram publicados na revista internacional Crop Protection e detalham como as doenças que causam o nanismo no milho e a cigarrinha-verde evoluíram de um problema menor para o maior desafio enfrentado pela produção de milho no Brasil nas últimas décadas. O estudo foi conduzido pela Embrapa Cerrados (DF), pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina ( Epagri) e pela Confederação Brasileira da Agricultura e Pecuária ( CNA ).
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Uma visão geral das perdas
Além de dados estatísticos, os pesquisadores utilizaram informações coletadas pelo projeto Campo Futuro , uma iniciativa da CNA e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural ( SENAR ). Os levantamentos foram realizados em 34 municípios que representam as principais regiões produtoras do Brasil, com a participação de agricultores e especialistas. Com base em consenso técnico, eles identificaram e estimaram as perdas associadas à cigarrinha-verde e ao complexo de sintomas de nanismo em cada município e safra.
Na primeira safra analisada (2020/2021), o impacto foi maior – perda de produção de 28,9%. Na safra de 2023/2024, o índice caiu 16,7%. Enquanto isso, os gastos com inseticidas para o controle de cigarrinhas aumentaram 19% nessas quatro safras, ultrapassando nove dólares por hectare, o que elevou significativamente os custos de produção para os agricultores.
“A pequena cigarrinha que causa um prejuízo gigante: ciência e manejo são as armas contra o nanismo no milho”
“Os resultados indicam que as doenças que causam o nanismo no milho levaram a uma perda média de 31,8 milhões de toneladas por ano”, destaca Charles Oliveira , pesquisador da Embrapa Cerrados e autor do estudo. Em cerca de 80% das localidades pesquisadas, cigarrinhas ou danos nas folhas foram identificados como o principal fator responsável pela queda na produtividade.
Larissa Mouro, coordenadora do Campo Futuro, destaca a importância do estudo para o setor produtivo: “Os dados permitiram gerar uma estimativa econômica consistente que abrange todo o país”.
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Atualmente, os dois tipos de enfezamentos – o pálido
(Spiroplasma kunkelii) e o vermelho (“Candidatus”
Phytoplasma asteris) – são a maior ameaça
fitossanitária à produção brasileira do grão
( Foto: Carlos Oliveira )
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A ameaça das doenças do nanismo
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de grãos e um dos principais exportadores. Segundo dados da Conab, a safra 2025/2026 deverá render 138,4 milhões de toneladas, com um valor de produção aproximado de US$ 30 bilhões.
Atualmente, dois tipos de nanismo no milho — o mosqueado pálido ( Spiroplasma kunkelii ) e o mosqueado vermelho ( Phytoplasma asteris “Candidatus” ) — representam a maior ameaça fitossanitária à produção brasileira de grãos. Ambas as doenças são causadas pela cigarrinha-verde, que também transmite o vírus do mosaico estriado do milho e o vírus da estria do milho.
De acordo com o pesquisador da Embrapa, o problema é agravado pela falta de tratamentos preventivos para essas doenças, o que pode resultar em perda total da safra, principalmente em campos plantados com híbridos suscetíveis a elas.
Embora os patógenos sejam conhecidos desde a década de 1970, os surtos se tornaram frequentes desde 2015. “As mudanças no sistema de produção nas últimas décadas, como a expansão do cultivo duplo e o cultivo de milho durante a maior parte do ano, criaram condições favoráveis ??à sobrevivência de cigarrinhas e microrganismos”, explica Oliveira .
Segundo Tiago Pereira, assessor técnico da CNA, a cigarrinha-verde deixou de ser um problema localizado: “Estamos falando de perdas que impactam diretamente a renda dos agricultores, a estabilidade da produção e a competitividade do país. O diferencial deste estudo é que ele traduz essa percepção recorrente em dados cientificamente embasados.”
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A produção total e a produtividade média anual das atividades
aumentaram essa tendência: a produtividade esteve
frequentemente abaixo de três toneladas por hectare
(Foto: Flickr CNA)
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Pendências na produção brasileira
Dados históricos sobre a produção de milho no Brasil mostram que a área plantada variou pouco entre 1976/1977 e 2011/2012, oscilando entre 10 e 14 milhões de hectares. Começou a crescer a partir da safra 2015/2016, atingindo um pico de 22,3 milhões de hectares em 2022/2023.
A produção total anual e a produtividade média seguiram essa tendência: os rendimentos frequentemente ficavam abaixo de três toneladas por hectare, e a produção total se situava em torno de 42 milhões de toneladas por safra até o início dos anos 2000. Aumentos significativos foram observados entre 1999/2000 e 2014/2015, quando a produtividade ultrapassou cinco toneladas por hectare e a produção atingiu 84 milhões de toneladas.
“Esse crescimento foi impulsionado principalmente pela adoção do cultivo de milho de segunda safra e pela introdução de novas tecnologias de produção, como o uso de culturas geneticamente modificadas”, observa o pesquisador. Embora a tecnologia tenha impulsionado a produção, o surgimento de surtos de doenças a partir de 2014/2015 causou quedas acentuadas na produtividade nacional.
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A cigarrinha-do-milho possui alta capacidade de
reprodução e dispersão ( Foto: Charles Oliveira )
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Gestão integrada e boas práticas agrícolas
A cigarrinha-verde-do-milho possui alta capacidade reprodutiva e de dispersão. Por ser encontrada em todo o território brasileiro, é uma espécie de difícil manejo. O controle biológico com fungos entomopatogênicos, inimigos naturais da praga, tem se mostrado uma alternativa de manejo que pode ser combinada com o controle químico e uma opção importante para o sistema, visto que algumas populações da cigarrinha-verde-do-milho já desenvolveram resistência a certas classes de inseticidas.
Como o controle baseado exclusivamente em inseticidas químicos é insuficiente, a pesquisa recomenda a adoção de um conjunto de práticas:
- Eliminação do milho voluntário (plantas que brotam fora da época de colheita devido à perda de grãos durante a colheita e o transporte): isso interrompe o ciclo de vida do vetor e do patógeno.
- Plantio coordenado: evita longos períodos de plantio que facilitam a disseminação de cigarrinhas entre os campos.
- A utilização de cultivares resistentes ou tolerantes mantém altos níveis de produtividade mesmo sob pressão de doenças.
- O manejo inicial, que envolve a aplicação de controles químicos e biológicos durante os estágios iniciais de crescimento da planta (até o estágio V8), impede que a infecção cause danos mais severos.
- Monitoramento: Isso envolve vigilância constante e coordenada entre os agricultores vizinhos.
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O milho é base para a produção de proteína animal (aves,
suínos e leite) e biocombustíveis ( Foto: Flickr CNA )
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Segurança alimentar e políticas públicas
O impacto das doenças que causam o nanismo no milho vai além dos limites das fazendas. Como o milho é um ingrediente fundamental na produção de proteína animal (aves, suínos e laticínios) e biocombustíveis, as quebras de safra elevam os preços para o consumidor e afetam a balança comercial do Brasil.
Segundo a pesquisadora da Epagri, Maria Cristina Canale, estimar as perdas econômicas na agricultura causadas por pragas e doenças é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas mais eficazes. “Com informações sobre as perdas nas lavouras de milho relacionadas a doenças, é possível orientar a alocação de recursos, assessorar o setor de seguros agrícolas, estabelecer janelas de plantio, planejar estratégias para mitigar os danos causados ??pelas doenças e avaliar a eficácia das práticas adotadas pelo setor agrícola”, conclui.
*Texto produzido pela jornalista Juliana Miura, da Embrapa Cerrados.
Cigarrinha-verde - Milho - Nanismo - Embrapa - Impacto Econômico
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