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É BOA PARA O CERRADO ][ Primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens chega ao mercado
Data de Publicação: 15 de abril de 2026 09:56:00 A BRS Carinás surge como a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens, superando a tradicional Basilisk em produtividade e sustentabilidade.
Resumo
A Embrapa e a Unipasto lançam a BRS Carinás, uma nova opção para o bioma Cerrado que produz até 16 toneladas de matéria seca por hectare. Ideal para solos pobres, ela oferece maior ganho de peso animal e é estratégica para sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP) e plantio direto.
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Uma das vantagens da BRS Carinás é a sua velocidade
de rebrotação. Uma cultivar acumulou quatro toneladas de
massa seca de forragem em apenas 60 dias no início
do período chuvoso (Foto: Alan Kardec Nunes)
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Da Agência Embrapa de Notícias
A Embrapa e a Associação para o Fomento à Pesquisa de Melhoramento de Forrageiras ( Unipasto ) lançam a BRS Carinás, a primeira cultivar brasileira de Brachiaria decumbens , nesta semana. Ela se sobressaiu pela alta produção de forragem e adaptação a sistemas integrados. Recomendada para o bioma Cerrado, uma nova cultivar alcança até 16 toneladas de matéria seca por hectare, com alta produtividade de folhas.
Entre as suas diferenciais, destacam-se a baixa exigência em fertilidade do solo — ela tolera solos ácidos e pobres em fósforo —, a maior capacidade de suporte (número de bovinos numa determinada área de pastagem) e o maior ganho de peso vivo por área (mais quilos de carne produzidos), quando comparado à cultivar Basilisk.
- É uma excelente alternativa para diversificar áreas hoje ocupadas pela cultivar Basilisk, também conhecida como 'braquiarinha'. A Carinás se adapta bem ao período seco do ano e pode ser usada estrategicamente, como no planejamento de ser vedada no fim do verão e reservada para uso na época da seca - destaca o pesquisador da Embrapa Gado de Corte (MS) Sanzio Barrios , responsável pelo desenvolvimento da nova cultivar.
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Foto: Embrapa
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Outra vantagem é sua utilização em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), já que a alta produção de palhada e forragem pode ser destinada ao pastel na entressafra. Além disso, a cultivar não interfere na produtividade dos cultivos anuais.
“BRS Carinás: a evolução da braquiarinha para uma pecuária mais produtiva e resiliente. “
Até o momento, o Basilisk era a única cultivar da espécie Brachiaria decumbens (renomeada como Urochloa decumbens ) disponível no mercado brasileiro. Registrada na Austrália, ela foi trazida para o Brasil na década de 1960.
- Seu plantio extensivo no Cerrado brasileiro durante a década de 1970 e a baixa resistência a cigarrinhas das pastagens restringiu seu uso às áreas de baixa ocorrência desses insetos - informa Barrios. Entretanto, o Basilisk permanece entre as cinco cultivares de braquiária com as maiores áreas de multiplicação de sementes, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária ( Mapa ).
- Acreditamos que uma nova cultivar desenvolvida pela Embrapa e Unipasto atenderá à demanda crescente por uma produção agropecuária mais sustentável e eficiente, uma vez que ela é capaz de aumentar a produtividade animal e diversificar as pastagens em áreas de solos fracos e ácidos no Brasil - completa o melhorista.
O pesquisador ressalta ainda que a BRS Carinás reúne condições para que, num futuro próximo, sejam recomendadas para outros biomas brasileiros e países da América Latina onde existem sistemas pastoris baseados na Brachiaria decumbens .
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BRS Carinás nas estações do ano
Em comparação com o Basilisk, a BRS Carinás produz 18% a mais de forragem na estação chuvosa, com destaque para maior produção de lâminas foliares, componente de maior valor nutritivo da planta.
- Quando vedada para uso no período seco, a BRS Carinás oferece 40% a mais de massa de forragem em relação à cultivar Basilisk, da qual a maior parte [53%] é material vivo [folhas e pressas] - detalha o pesquisador da Embrapa Cerrados (DF) Allan Kardec Ramos .
Os testes de desempenho de bovinos de corte realizados na Embrapa Cerrados mostraram que uma nova cultivar permite aumentar o número de animais na pastagem, elevando o ganho de peso por hectare – cerca de 12% superior aos ganhos com a Braquiarinha sob o mesmo manejo, de acordo com o pesquisador da Embrapa Cerrados Gustavo Braga .
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Observações adicionais indicaram que a BRS Carinás não apresentou acamamento de plantas, tanto em áreas vedadas ao final da estação chuvosa quanto em áreas sob crescimento livre. Esse fato é relevante, especialmente por se tratar de um material de porte mais alto, com maior produção de forragem e com hábito de crescimento mais ereto.
Já em relação à tolerância ao encantamento, em testes prolongados em vasos ela se comportou de modo semelhante aos capins Marandu e Xaraés ( Brachiaria brizantha ). Ensaios experimentais em solos mal drenados serão programados futuramente na Embrapa Acre (AC).
Potencial para uso em sistemas integrados
Em sistemas de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), a BRS Carinás declarou não competir com a cultura anual em testes realizados em consórcio com o milho.
- Uma cultivar não interfere na produtividade da cultura anual e se concentra em taxa de semeadura de quatro quilos de sementes puras viáveis ??por hectare - explica o pesquisador Roberto Guimarães Júnior .
Na entrada, a BRS Carinás apresentou elevada produtividade de forragem, chegando a ser 70% superior à Brachiaria ruziziensis , comumente utilizada em sistemas integrados. Segundo Guimarães Júnior, isso resulta em mais forragem para o pastejo, maior produtividade animal na área e melhor cobertura do solo, o que favorece um manejo conservador.
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Outra vantagem é a sua velocidade de rebrotação. A cultivar acumulou quatro toneladas de massa seca de forragem em apenas 60 dias no início do período chuvoso.
- Essa gramamínea tem um grande potencial de produzir forragem para uso como palhada no plantio direto - ressalta.
Pela facilidade de controle com herbicidas, a forragem pode ser dessecada sem interferir na produtividade dos cultivos subsequentes.
Já no consórcio com soja, cerca de 80% da palhada é decomposta em 120 dias. Com a ciclagem de nutrientes desse material, o solo ganha o equivalente a 100 kg de uréia, 40 kg de superfosfato simples e 80 kg de cloreto de potássio, o que representa importante economia para o pecuarista.
- Todas essas características – não competem com a cultura anual, estabelecem-se aprimoradas em consórcio, produzem alta quantidade de forragem no período seco, ciclar nutrientes e são facilmente controladas com herbicida – fazem da BRS Carinás uma excelente alternativa não só para a diversificação, mas também para a intensificação de sistemas de Integração Lavoura-Pecuária - garante Guimarães Júnior.
Aquisição de sementes
As sementes da BRS Carinás podem ser adquiridas junto aos associados da Unipasto e estarão disponíveis no início do segundo semestre. A cultivar chega no primeiro ano de lançamento já com oferta de sementes para os produtores.
*Texto produzido pela jornalista Dalízia Aguiar, da Embrapa Gado de Corte, com edição da redação deste site para estra publicação.
Embrapa — Pecuária — BRS Carinás — Pastagens — Cerrado — Agronegócio — Integração Lavoura-Pecuária
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