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A OPINIÃO DE ANTÔNIO OLIVEIRA - Há motivos para o Brasil e demais países da América Latina e Caribe serem jogados à margem da alimentação?

A OPINIÃO DE ANTÔNIO OLIVEIRA - Há motivos para o Brasil e demais países da América Latina e Caribe serem jogados à margem da alimentação?

“Conforme a FAO, em pronunciamento nesta quarta-feira, 6, em Santiago do Chile, por ocasião do lançamento do SOFI 2022, esse processo de desaceleração ocorre após um aumento já desanimador de 9 milhões de pessoas jogados no vale da fome entre 2019 e 2020”

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"Outra informação neste contexto é que mais  da metade da população, isto é 57%,
têm algum tipo de insegurança alimentar, seja de grau leve ou avançado" (
Foto: Fellipe Abreu)

No último dia 8 de junho, a Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) divulgou que 33,1 milhões de brasileiros não têm o que comer. Ou seja, vivem em situação de insegurança alimentar.

Foi divulgado, ainda, que 14 milhões de pessoas foram inclusas na lista daqueles que estão vivenciando situação de fome. 

Outra informação neste contexto é que mais  da metade da população, isto é 57%, têm algum tipo de insegurança alimentar, seja de grau leve ou avançado.

Com estes dados, percebe-se que o Brasil retornou para o mesmo patamar de fome de 1990 e que em 2021, os dados apresentados  eram semelhantes a situação que o país vivia em 2004

Com o resultado da pesquisa foi possível perceber que o Brasil retorna ao mesmo patamar de fome do ano de 1990. Em 2021, os dados apresentados eram semelhantes a situação que o país vivia em 2004.

Todos esses dados foram conseguidos após pesquisas em  12.745 domicílios, em áreas urbanas e rurais de 577 municípios, distribuídos nos 26 estados e no Distrito Federal, entre novembro de 2021 e abril de 2022.

 
 

SOFI 2022

Já nesta quarta-feira, 6, a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), divulgou o relatório Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no Mundo (SOFI) 2022. De acordo com este documento, mais 4 milhões de pessoas foram jogadas à margem da segurança alimentar entre 2020 e 2021 na América Latina e Caribe.

 

Conforme a FAO, em pronunciamento nesta quarta-feira, 6, em Santiago do Chile, por ocasião do lançamento do SOFI 2022, esse processo de desaceleração ocorre após um aumento já desanimador de 9 milhões de pessoas entre 2019 e 2020, “com o número de pessoas subalimentadas atingindo um total de 56,5 milhões em 2021, 8,6% da população.” 

De acordo com o Representante Regional da FAO, Julio Berdegué, a situação não é fácil. Ele comenta que em apenas dois anos, treze milhões de pessoas foram empurradas para a fome. “E quatro em cada dez pessoas vivem com insegurança alimentar, enquanto ainda temos que nos preparar para os impactos da atual crise alimentar, incluindo a guerra na Ucrânia.”

Outra informação constante do novo relatório da ONU é que,  “do número total de pessoas desnutridas em 2021 (823 milhões), mais da metade vive na Ásia, mais de um terço na África, enquanto a América Latina e o Caribe respondem por 7,4% da subalimentação global.” 

América do Sul

O SOFI revela também que o Caribe apresenta a maior proporção da população afetada pela fome na região – pouco mais de 16% -, em comparação com cerca de 8% na América Central e na América do Sul.

Entretanto – revela o SOFI -, “após uma tendência geral de aumento da fome no Caribe desde 2015 e um aumento notável de 2019 a 2020, a fome permaneceu inalterada de 2020 a 2021, embora ainda acima dos níveis pré-pandemia.” 

Em contraste – segue o documento -, “a fome quase dobrou na América do Sul desde 2015, enquanto no Caribe aumentou 2,2 pontos percentuais e na América Central 0,9 pontos percentuais.”

Para Berdegué, “estamos diante de uma grande e complexa crise que exige ações inéditas, não só dos governos, mas de todos os atores do sistema agroalimentar regional.”   

Como se não bastasse esse declínio social, FAO informa que “a insegurança alimentar também continuou a piorar na América Latina e no Caribe, impulsionada em grande parte pela América do Sul, embora a deterioração tenha diminuído após um aumento relativamente acentuado da insegurança alimentar em 2020.”

O órgão comenta ainda que “em 2021, 40,6% da população – 268 milhões de pessoas – enfrentava insegurança alimentar moderada ou grave – um aumento de 1,1 ponto percentual desde 2020. “

E mais: “a insegurança alimentar grave afetou 93,5 milhões de pessoas em 2021, depois de subir 1,4 ponto percentual, para 14,2% – um aumento de quase 10 milhões de pessoas a mais em um ano e quase 30 milhões a mais em comparação com 2019.” 

Novamente Berdegué, o Representante Regional da FAO: “O número de pessoas em insegurança alimentar na região sugere que o problema não se limita mais aos grupos sociais que vivem na pobreza há muito tempo; a insegurança alimentar já atingiu as cidades e dezenas de milhares de famílias que não a vivenciavam antes.”

Ainda de acordo com a FAO, “a lacuna global de gênero na insegurança alimentar – que cresceu em 2020 sob a sombra da pandemia de COVID-19 – aumentou ainda mais de 2020 a 2021, impulsionada em grande parte pelas crescentes diferenças na América Latina e no Caribe, bem como na Ásia.” 

Em 2021 – segue a FAO -, “31,9% das mulheres no mundo tinham insegurança alimentar moderada ou grave, em comparação com 27,6% dos homens. A diferença crescente é mais evidente na América Latina e no Caribe, onde a diferença entre homens e mulheres foi de 11,3 pontos percentuais em 2021 em comparação com 9,4 pontos percentuais em 2020. 

Mais desgraça

A guerra entre Rússia e Ucrânia, obvio, vem aumentar este estado de insegurança alimentar. As simulações contidas no SOFI sugerem que, no cenário de choque moderado, o número global de pessoas subalimentadas em 2022 aumentaria em 7,6 milhões de pessoas, enquanto esse aumento seria de 13,1 milhões de pessoas, acima das estimativas de base, sob a configuração de choque mais severa. 

Para a América Latina e o Caribe, até 2022, isso significaria um aumento de 0,62% no número de subalimentados na região – 350 mil pessoas – no cenário de choque moderado, e 1,13% – 640 mil pessoas – na configuração de um choque mais grave. 

Sobre o Relatório

O SOFI é uma publicação conjunta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), o Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Programa Mundial de Saúde. Organização (OMS). 

Reflexão

Todos esses dados preocupantes chamam homens e mulheres de bem, da sociedade civil – nesta, a iniciativa privada, também -, governos e legisladores à uma reflexão: como pode a parte central e sul do Continente Americano chegar a esta situação? Como pode países ricos em terras férteis, água, com todas as condições edafoclimáticas para a produção de alimentos,  como o Brasil, Argentina e Chile chegarem a esta situação? Há algo de errado que levou milhões de pessoas para o novo mapa da fome, enquanto produção e produtividade, graças as riquezas naturais e as tecnologias, crescem na América do Sul, principalmente no Brasil. Estes três países citados aqui, por exemplo, são grandes produtores e exportadores de proteínas de origem animal e vegetal. E são celeiros da humanidade. Produzem, exportam. E desperdiçam muito, também. Qual a razão para deixar milhares de pessoas passando fome ou na incerteza da alimentação?

 

Não estariam faltando melhores políticas públicas de distribuição de empregos e rendas; uso mais democrático dos recursos naturais para a produção de alimentos; democratização da terra e da água, com o devido incentivo de assistência técnica, extensão rural e custeio agrícola; o desprendimento da sociedade mais favorecida de recursos?

A fome mata nossos semelhantes e pode nos matar também pelo câncer do egoísmo, da má gestão de recursos públicos e da corrupção.

A fome não é de esquerda, de centro, nem de direita. Façamos algo para que nossos irmãos menos favorecidos tenham, ao menos, o básico para sua nutrição.

(Antônio Oliveira)

*Com informações da assessoria de imprensa da FAO no Brasil.

 

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