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CBA 2024 – Final do evento defende fortalecer a marca do algodão brasileiro, maior consumo e premia trabalhos científicos
Data de Publicação: 7 de setembro de 2024 11:08:00 O evento, o maior de seu gênero no Brasil, foi encerrado nesta quinta-feira, 05, deixando um grande legado para o desenvolvimento da cotonicultura brasileira.
O evento, o maior de seu gênero no Brasil, foi encerrado nesta quinta-feira, 05, deixando um grande legado para o desenvolvimento da cotonicultura brasileira.
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| Construção de uma marca forte (Foto: Ascom/CBA) |
Da redação
O 14º Congresso Brasileiro do Algodão (14º CBA), o maior evento da cotonicultura nacional, fechou o ciclo de plenárias com chave de ouro, nesta quinta-feira (05), em Fortaleza (CE). O painel final destacou o potencial do algodão para se reinventar de uma simples commodity para uma “marca” poderosa capaz de conquistar mentes e corações. Reunindo profissionais de renome, como João Branco, considerado pela Forbes um dos 10 melhores profissionais de marketing do Brasil, George Candon, especialista em política internacional e reputação, e Luis Fernando Samper, da 4.0 Brands, que está por trás da famosa marca dos cafeicultores colombianos, Juan Valdez, o debate mostrou como a pluma nacional pode se alinhar com os valores e expectativas dos consumidores modernos, marcando um novo capítulo para o algodão no cenário global.
Conduzido pela diretora de Relações Institucionais da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Silmara Ferraresi, o painel abordou o conceito de branding e a construção de uma reputação sólida para a fibra nacional.
- Construímos uma trajetória significativa, com programas que realmente funcionam, como prestações de serviços para organizar o setor e reposicionar o algodão brasileiro de maneira diferenciada, tanto no mercado interno quanto externo. Ao alcançarmos 25 anos. É natural que nossa atenção se volte para qualidade e sustentabilidade, além da promoção da nossa fibra - afirma a executiva.
Ela destaca a criação do movimento Sou de Algodão, criado em 2016, como estratégia de promoção da pluma no mercado interno, através do diálogo com os elos mais a jusante da cadeia produtiva, como os agentes de moda, o varejo e o consumidor final, além do Cotton Brazil, iniciativa implementada em 2020, que alia Abrapa, Associação Nacional dos Exportadores de Algodão (Anea) e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), visando a promoção da fibra nacional no mercado externo, com foco em dez países-chave, sobretudo, na Ásia.
- Não podíamos encerrar o evento sem discutir nosso futuro em termos de posicionamento de marca. É crucial analisar como podemos melhorar a posição do algodão brasileiro e quais valores podemos agregar - salientou Silmara.
Reflexão
João Branco desafiou os congressistas a refletir sobre quem realmente compra e usa o algodão que eles produzem.
- Você conhece, de verdade, quem consome o que você fornece?
Ele destacou a importância de entender o comportamento dos clientes, enfatizando que eles estão cada vez mais preocupados com marcas que oferecem algo além de preço, sem empurrar produtos. O publicitário compartilhou sua experiência de mais de 20 anos no marketing, incluindo seus nove anos à frente do marketing do McDonald’s no Brasil, época em que a marca foi popularmente chamada de “Méqui”.
- A empresa perdeu a preferência de marca do público adolescente no Brasil. Percebemos que não tínhamos mudado nossa forma de comunicação - explica apresentando exemplos anteriores de peças de comunicação da marca, que eram descoladas da realidade, e mais afastavam que causavam identificação.
- Para reverter isso, tivemos que admitir um erro, que foi fazer marketing demais. Existe uma nova geração de clientes chegando no mercado, que não aguenta mais isso.
Para construir a reputação da marca “algodão brasileiro”, Branco ofereceu dicas: mantenha consistência e constância em suas ações e estabeleça um relacionamento genuíno com os clientes, mostrando que você se importa com eles.
- Seja uma marca autêntica e verdadeira. Faça da sua marca uma amiga, não apenas mais um vendedor - ressaltou.
O case de sucesso do café colombiano foi a base da apresentação de Luis Samper, que destacou as três fases cruciais na construção da marca.
- O café da Colômbia começou a se destacar nos anos 60, e era produzido majoritariamente por pequenos agricultores. Para posicioná-lo, precisávamos entender o contexto, a qualidade do produto, a interação entre o genótipo e o ambiente, além da colheita e seus impactos - explica.
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| Alavancar o consumo interno (Foto: Ascom/CBA) |
Na segunda fase, concentrou-se na construção do posicionamento de origem, identificando o perfil dos consumidores interessados em um café diferenciado. Foi então que surgiu o icônico personagem Juan Valdez, um senhor com uma mula, que simbolizava as dificuldades da plantação de café.
- Ele se tornou um ingrediente fundamental da marca, ajudando a comunicar a mensagem de que este era um produto raro e difícil de ser colhido, justificando seu valor premium para os consumidores - conta.
Nos anos 2000, o mercado de café passou por uma transformação significativa com a chegada da Starbucks, que redefiniu as regras do jogo. “Para enfrentar esse desafio, foi criada a rede de cafeterias Juan Valdez. Desenvolvemos uma arquitetura de marca sólida, que agora conta com cerca de 600 cafeterias - afirma.
Reputação
Para George Candon, antes de defender a reputação de uma marca, é essencial construí-la do zero, o que exige autenticidade e um entendimento profundo de quem você é, qual é o seu propósito e o legado que deixará para as futuras gerações.
- A reputação não se limita às ações realizadas, mas também à percepção de que elas estão sendo executadas. O que fazemos e por que fazemos deve ser comunicado de forma consistente e repetida, com uma voz única. Reputação é construída sobre confiança, credibilidade e intimidade. Quando há egocentrismo, ela enfraquece. Devemos questionar: acreditamos no interlocutor? Se só nos concentrarmos em nossas próprias preocupações, não avançaremos - alerta.
O painelista disse que, principalmente na Europa, as informações não são claras a respeito do algodão brasileiro.
- Para criar uma direção estratégica é necessário saber quem são os interlocutores, para engajá-los a longo prazo. Além disso, trazer os diferentes stakeholders para conhecer as fazendas de algodão no Brasil, é um grande diferencial nesse processo - finaliza.
Alavancar o consumo da fibra
Como criar sinergia entre cotonicultores, indústria, varejo e cliente final para alavancar o consumo da fibra de algodão? A resposta a esta pergunta ganhou destaque no último dia do 14o Congresso Brasileiro de Algodão. A plenária “Estratégias globais do mercado têxtil: conectando com o consumidor final” mobilizou o debate sobre o tema entre especialistas internacionais e empresários brasileiros, além de ter trazido uma novidade de peso: o anúncio de um compromisso assinado entre as associações brasileiras de Produtores de Algodão (Abrapa) e da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) de elevar o consumo interno de algodão para um milhão de toneladas anuais.
Líder de um grupo de empresas de consultoria internacional que tem entre os seus clientes marcas como Hugo Boss e Versace, Giuseppe Gherzi fez um panorama sobre tendências de ponta do mercado têxtil e de fibras a nível internacional, ressaltando o grande potencial do Brasil.
- Há 25 anos, um amigo me disse que o Brasil se tornaria o número 1, porque o povo brasileiro é resiliente e inovador e está se desenvolvendo rapidamente. Hoje, o país é líder em exportação de algodão, e, como estratégia de curto prazo, para vocês, é ataque total: aproveitar o cenário internacional para abrir espaço no mercado; já na estratégia de longo prazo, é preciso visar a inovação, com manutenção de qualidade e preços constantes - vaticinou Gherzi.
Após a apresentação do consultor, foi promovido um debate mediado pela jornalista Maria Prata, com a participação do próprio Gherzi, da consultora italiana Marzia Lanfranchi, do presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, do diretor-presidente das Lojas Renner S.A, Fábio Adegas, e do presidente da Vicunha Têxtil, Marcos De Marchi.
Co-fundadora da plataforma “Cotton Diaries”, Marzia Lanfranchi ressaltou a importância do diálogo com as marcas e a exploração do diferencial oferecido pela cadeia produtiva do algodão.
- A conexão humana do algodão é incrível, e a oportunidade que nós temos aqui é de estabelecer um canal com as marcas em torno do potencial que essa narrativa oferece, uma história de sustentabilidade, conectada com ciência e dados reais - ressaltou Marzia.
- O algodão brasileiro é um orgulho, temos um produto de ouro nas mãos, realmente sustentável: é isso que o consumidor quer e que o planeta precisa - referendou Fábio Adegas, da Renner.
O presidente da Vicunha Têxtil, Marcos De Marchi, por sua vez, ressaltou as propriedades únicas do algodão, em termos de toque e conforto, e as largas oportunidades que existem para o algodão brasileiro, a despeito do domínio das fibras sintéticas.
- O que nós temos que mostrar ao mundo é que o nosso algodão é sustentável, que a nossa produção não ocupa áreas de comida e também buscar acordos internacionais para tornar o produto têxtil mais competitivo - resumiu De Marchi.
Após a plenária, o presidente emérito da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), Fernando Pimentel, e o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Alexandre Schenkel, assinaram um documento, anunciando o compromisso conjunto de elevar o consumo interno de algodão para um milhão de toneladas anuais.
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| Institucional do site |
Considerada um marco histórico para a cadeia produtiva do algodão brasileira, a meta representa um avanço significativo em relação às atuais 700 mil toneladas, demonstrando a confiança das duas entidades no potencial de crescimento e desenvolvimento do setor.
Para Pimentel, a iniciativa demonstra o fortalecimento de uma visão sistêmica da cadeia produtiva.
- A própria iniciativa desse congresso mostra essa capacidade de conexão, de coesão. Vamos coordenar esforços e acelerar a execução dos nossos planos: temos um país muito competitivo na área agrícola e tem que transportar essa competitividade para a indústria.
Já o presidente da Abrapa finalizou a plenária com uma perspectiva otimista.
- Nos anos 1970, quando Pelé venceu a Copa do Mundo usando camisa de algodão, o Brasil disputava a terceira divisão do mercado, como importador de algodão. Nos anos seguintes, construímos uma nova era do algodão brasileiro, chegando à segunda divisão. Agora nós queremos ser cada vez mais protagonistas. Em 2030, vamos ser não só os maiores como os melhores fornecedores de algodão do mundo, com sustentabilidade e responsabilidade - afirmou Schenkel.
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| Trabalhos são premiados pelo CBA (Foto: Ascom/CBA) |
Evento premia trabalhos científicos
A razão do Congresso Brasileiro do Algodão sempre foi fomentar conhecimento. E mesmo hoje, com um variado leque de outros temas discutidos, como tendências de mercado e macroeconomia, a ciência continua sendo o coração do evento. Dos 288 trabalhos científicos apresentados, 12 foram premiados na manhã desta quinta-feira (05), durante o 14º CBA. Divididos em oito categorias, os trabalhos versaram sobre Produção Vegetal, Agricultura Digital, Controle de Pragas, Colheita, Beneficiamento e Qualidade, além de Fitopatologia, Matologia, Socioeconomia e Biotecnologia.
Os premiados da terceira à quinta colocação receberam um tablet Samsung. A segunda colocação levou para casa um notebook e o primeiro lugar recebeu uma bolsa de pesquisa no valor de R$ 10 mil.
Para o coordenador da Comissão Científica do CBA, Jean Bellot, o aprimoramento da produção do algodão no Brasil é reflexo do elevado nível das diversas pesquisas desenvolvidas no mundo acadêmico em todo o país.
- Melhoramos em volume e qualidade em relação aos trabalhos científicos. Essa premiação vem incentivar ainda mais esse aspecto, estimulando desde o jovem até o pesquisador sênior a seguir com a pesquisa científica em benefício da produção do algodão - disse Bellot, lembrando que a participação de professores de universidades e institutos federais vem sendo cada vez mais estimulada no CBA, seja na graduação ou pós-graduação.
- Afinal, o crescimento de uma cadeia produtiva forte também depende de boas pesquisas fundamentadas.
Na categoria estudante de graduação, a vencedora foi Giovanna Maniezzo de Mattos, com o trabalho “Fracionamento físico e estoque de carbono de um solo arenoso sob diferentes sistemas de preparo e plantas de cobertura”. Além do prêmio, ela ganhou uma inscrição com passagem e hospedagem para o período do CBA. Na categoria estudante de pós-graduação lato sensu e stricto sensu, o vencedor foi Deivid Sacon, com o trabalho “Etiologia das manchas foliares atípicas na cultura do algodoeiro”.
Na categoria professor orientador, o vencedor foi Fábio Rafael Écher que foi premiado com uma bolsa de pesquisa no valor de R$ 15 mil. A segunda colocação foi ocupada por Antonia Mirian Nogueira de Moura Guerra, que ganhou uma bolsa no valor de R$ 10 mil. Ambos os prêmios, para orientar alunos de graduação e pós graduação lato sensu e stricto sensu na área de algodão para a safra 2024/2025.
Veja a lista dos premiados neste 14º Congresso Brasileiro do Algodão:
1ª lugar Área 7 – Larissa Pereira Riberio Teodoro , com o título “Diversidade microbiológica de solo cultivado com algodão no Cerrado brasileiro”.
2ª lugar Área 1 – Alexandre Cunha , com o título “Altas produtividades de algodoeiros cultivados sob SPD, em solo argiloso após 14 anos sem revolvimento”.
3ª lugar Área 3 – João Paulo Saraiva Morais, com o título “Qualidade da fibra de algodão cultivado em diferentes sistemas de produção no Cerrado”.
4ª lugar Área 8 – Lidiane Eicheld, com o título “Dinâmica e intensidade da transmissão de preços de algodão em pluma no Brasil: a maior dependência do mercado externo”.
5ª lugar Área 6 – Sidnei Douglas Cavalieri, com o título “Resistência de Eleusine indica (L.) gaert aos herbicidas inibidores da ACCASE e EPSPS em municípios do Médio-Norte Mato-Grossense”.
6ª lugar – Carlos Alberto Domingues da Silva, com o título “Seletividade fisiológica de inseticidas a Bracon vulgaris (Hymenoptera: braconidae), parasitose do bicudo-do-algodoeiro.
7ª lugar – Guilherme Lafourcade Asmus, com o título “Patogenicidade comparada de Meloidogyne enterolobii e M. incógnita a cultivares de algodoeiro”.
8ª lugar – Paulo Eduardo Teodoro, como o título “Balanço de carbono de solo cultivado com algodão no Cerrado brasileiro”.
A Comissão Científica do 14° CBA, coordenada pelo pesquisador Jean Belot (IMAmt), é composta por Ana Luiza Borin (Embrapa Arroz e Feijão), Cezar Augusto Tumelero Busato (Associação Baiana dos Produtores de Algodão-Abapa), Fernando Lamas (Embrapa Agropecuária Oeste), Lucas Daltrozo (Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão- Ampa), Lucia Vivan (Fundação de Apoio à Pesquisa Agropecuária de Mato Grosso), Odilon Reny Ribeiro Ferreira Silva (Embrapa Algodão), Rafael Galbieri (Instituto Mato-Grossense do Algodão), Thiago Gilio (Universidade Federal do MT) e Wanderley Oishi (Associação Goiana dos Produtores de Algodão – Agopa).
*Com textos da Ascom/CBA e edição deste site.
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