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Ciência e tecnologia espantam a vassoura-de-bruxa das lavouras cacaueiras do Brasil e setor dá a volta por cima

Ciência e tecnologia espantam a vassoura-de-bruxa das lavouras cacaueiras do Brasil e setor dá a volta por cima

Data de Publicação: 9 de agosto de 2022 15:01:00 “Os insumos aplicados nas plantações de cacau passam por uma longa avaliação científica, técnica e de órgãos governamentais, sendo seguros para o produto, para o meio ambiente e para a sociedade” #cacau #lavourascacaueiras #vassouradebruxa

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A redução na produção de cacau impactou diretamente o mercado interno (Foto: Do Google)

 

*Da Redação

Desde quando um suposto terrorismo biológico atingiu lavouras cacaueiras no sul da Bahia, entre 1989 e 1990,  no auge da expansão da cultura no estado, dizimando-a, institutos de pesquisas, governos e empresas de insumos agrícolas trabalham para erradicar das lavouras cacaueiras de todo o Brasil doenças e pragas ameaçadoras, principalmente o fungo Moniliophthora perniciosa. O fungo teria sido importado da região amazônica, onde é natural, e inserido nos cacaueiros baianos numa suposta ação de retaliação política da esquerda contra os chamados coroneis do cacau. Fato ou fake – o bioterrorismo -, o resultado foi uma quebradeira geral com conseqüências sociais e econômicas graves.

- A redução na produção de cacau impactou diretamente o mercado interno. De exportador, o Brasil tornou-se importador para abastecer a demanda. Apesar de ser um importante exportador, o Brasil ainda importa grandes quantidades de chocolates de outros fornecedores. Mas temos potencial para melhorar nossa balança comercial - analisa a farmacêutica-bioquímica Eliane Kay, diretora executiva do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg). 

- De 40 anos para cá, os órgãos oficiais e a indústria de defesa vegetal passaram a investir cada vez mais em pesquisas científicas, visando o desenvolvimento de soluções eficazes e altamente modernas para combater a vassoura-de-bruxa -  comenta Eliane Kay.

Esse investimento deu resultado: segundo o IBGE, em 2010, a produção brasileira já havia voltado a crescer, com 235 mil toneladas de cacau. Em 2020, foram 269 mil t. 

- Além da vassoura-de-bruxa, o cacau sofre com outras doenças causadas por fungos, como a podridão-parda (Phytophthora spp.) e o mal do facão (Ceratocystis cacaofunesta). Quanto aos insetos – entre diversas outras espécies – causam grandes perdas o monalônio (Monalonion spp.), a cigarrinha (Hoplophorion pertusum) e o tripes (Selenothrips rubrocinctus). Para combatê-los, o uso de defensivos agrícolas ainda é a melhor solução - detalha Eliane. 

- Os insumos aplicados nas plantações de cacau passam por uma longa avaliação científica, técnica e de órgãos governamentais, sendo seguros para o produto, para o meio ambiente e para a sociedade - explica a diretora do Sindiveg.

Com o apoio desses recursos, a cultura, que rende mais de R$ 3 bilhões aos produtores rurais (conforme dados de 2020 do IBGE), tende a crescer ainda mais, “potencializando a economia brasileira e beneficiando o consumo interno, para que a vida seja mais doce”, segundo Eliane. 

O chocolate está cada vez mais presente na mesa dos brasileiros (Foto: Divulgação)

 

A cadeia produtiva do cacau

Atualmente, a produção de cacau – em grande parte, a cargo da agricultura familiar – está presente em nove estados. Cerca de 54% da colheita está concentrada no Pará (144,7 mil toneladas) e outros 40% na Bahia (107,6 mil t). O Espírito Santo representa 4% da produção total (11,3 mil toneladas) e Rondônia, 2% (5,1 mil t). Em menor escala, aparecem Mato Grosso (366 toneladas), Minas Gerais (108 t), Roraima (12 t) e Ceará (5 t). 

A magia do chocolate

O chocolate está cada vez mais presente na mesa dos brasileiros: oito em cada 10 famílias têm o hábito de consumir o produto, mostra pesquisa publicada pela Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab, 2021). A oferta desse doce, contudo, ficou ameaçada por muito tempo em razão de reduções constantes na produção brasileira da matéria-prima, o cacau. Felizmente, a cultura está recuperação no país. 

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1980, o Brasil produziu 319 mil toneladas de amêndoas de cacau. Dez anos depois, foram mais de 356 mil toneladas. Esses números colocavam o país como líder e potência mundial na cultura. Mas o cenário mudou em pouco tempo. Em 2000, a colheita não chegou a 200 mil toneladas, provocando falta no mercado interno. 

*Com informações do Sindiveg

 

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