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ESPECIAL – O Agro que constrói e melhora cidades, dando-lhes os mais altos IDH’s. Mas que carece muito muito da parceria de políticas públicas

ESPECIAL – O Agro que constrói e melhora cidades, dando-lhes os mais altos IDH’s. Mas que carece muito muito da parceria de políticas públicas

Data de Publicação: 12 de abril de 2024 15:02:00 Nos últimos 40 anos, o Agronegócio no oeste da Bahia – a região de Cerrado – tem construído cidades como Luís Eduardo Magalhães e alavancado o crescimento social e econômica de outras como Barreiras, São Desidério, Formosa do Rio Preto, Riachão das Neves, Correntina e Jaborandi. Vilas e povoados rurais despontam como futuras cidades

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Barreiras, cidade polo no Vale do Rio Grande: hoje polo de agronegócio,
de comércio, seriços públicos, Educação e Saúde (Foto: Prefeitura de Barreiras)

 

Da mesma forma, Luís Eduardo Magalhães, com seus 24 anos, é polo, em terras altas, do agro, do comércio, das grandes concessionárias de máquias agícolas e de agroindústria (Foto: Prefeitura de LEM/Google))

 

Por Antônio Oliveira

- Extremo oeste da Bahia, década de 1970: Barreiras, principal cidade, secular; desde o início de sua formação natural com vocação para os agronegócios e agroindústrias, estacionada no tempo e em desenvolvimento. Terras altas, cobertas pelo Cerrado virgem, na época, inimaginável que pudessem produzir produtos da agricultura e da pecuária – apenas pasto de emas, calangos e veados campeiros. As demais cidades vivendo apenas da agricultura de subsistência, em meio a grandes fazendas de gado, no valo (do Rio Grande), muito pouco gerando empregos e rendas para a região.

Problemas sociais? Claro que sim. E isto se justiça pelo grande desenvolvimento econômico do agro, com consequência positiva para o comércio, indústria, prestação de serviços, Educação e Saúde, sem o acompanhamento adequado de políticas públicas respaldando este desenvolvimento que atrai imigrantes de todo o Brasil em busca de um presente e futuro melhores, que é maior. Investimentos municipais, estaduais e federais não dão conta de atender, a contento do desenvolvimento veloz, estando aqui a justificativa para a criação de uma agência especial de apoio ao desenvolvimento social e econômico: a Agência MATOPIBA.

O Agro, a princípio com a monocultura da soja, a partir do final da década de 1970 e início dos anos 1980, mudou este panorama, conforme se lê a seguir, em texto da assessoria de imprensa da
Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba)
:

A soja, às a vezes por "caminhos abertos" pelo arroz, foi a grande desbravadora do Cerrado, mas em pouco tempo deixando de reinar sozinha nos campos de gerais baianos (Foto: Aiba)

Referência no segmento agrícola em diferentes cenários, o oeste baiano segue em destaque no segmento da produção de grãos com 89,9% da produção estadual e 3,3% do montante nacional. Os dados do Núcleo de Agronegócios da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), revelam a soma de 9,64 milhões de toneladas de soja e milho produzidos na Safra 2022/23. A projeção para a Safra 2023/24 é que haja variação de – 9,33% no total produzido destes grãos, sendo um total de 8,74 milhões de toneladas cultivadas, em função das adversidades climáticas e fitossanitárias enfrentadas pelos produtores rurais da região.

O PIB do agronegócio baiano, totalizou R$ 88,66 bilhões em 2023 e fechou o ano com crescimento de 4,2% e participação de 21,1% na economia baiana, segundo a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). No último trimestre de 2023, verificou-se crescimento de 3,0%. Ações sustentáveis realizadas por agricultores do oeste baiano são apontadas como importantes contribuições na diferença e crescimento dos números.

Investimentos que fazem a diferença no resultado da produção de estados e municípios com maiores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH), Produto Interno Bruto (PIB), crescimento populacional e geração de empregos e renda. No ranking de produção nacional da soja e milho, a Bahia detém a sétima colocação, apesar da variação de -16% na quantidade de grãos produzidos em relação à safra anterior. Um exemplo disso é o PIB, em que na escala nacional, a Bahia representa 4% do montante, e a nível estadual, o oeste baiano corresponde a 10%. Já na participação total, 44% do PIB agropecuário da Bahia é derivado da atividade praticada em sete principais municípios produtores de soja e milho no oeste baiano: São Desidério, Formosa do Rio Preto, Barreiras, Correntina, Luís Eduardo Magalhães, Riachão das Neves e Jaborandi. São Desidério e Formosa do Rio Preto ganham destaque também no ranking nacional ocupando posições entre os 10 principais municípios que alavancam o PIB no setor agropecuário.

Em pouco tempo de entrar neste cenário, junto com o milho e outras culturas,
o algodão tornou a Bahia no segundo maior produtor da fibra no Brasil (Foto: Aiba)

A produção de grãos está diretamente ligada aos altos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Os municípios que obtiveram as maiores produções de soja e milho no oeste da Bahia, também apresentaram os maiores índices de IDH Municipal, e acima da média estadual. Barreiras e Luís Eduardo Magalhães estão entre os dez IDH’s mais altos do estado.

Outro índice com reflexo do agronegócio é o de geração de emprego e renda. Em 2023, a Bahia gerou 71.924 empregos formais, e Barreiras e Luís Eduardo Magalhães lideram isoladamente o ranking de municípios com maior densidade populacional do extremo oeste baiano. Luís Eduardo Magalhães, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), ocupou o 10º lugar na geração de empregos no estado em 2022 e em 2023, ficou na 8ª posição do ranking estadual, com 3.313 novos postos de trabalho criados, como parte das 131,6 mil novas vagas de emprego em toda a Bahia no mesmo período. Já em Barreiras, foram geradas 2.346 novas vagas com carteira assinada, registrados de janeiro a outubro de 2022.

- São mais empregos e renda gerados em torno do agro com a vinda dos agricultores e de empresas de máquinas, insumos e de outros segmentos. A economia é uma engrenagem, um setor depende do outro e as cidades crescem, precisa de mais profissionais e tudo é em função da agricultura, uma atividade essencial que nesses últimos 40 anos no oeste da Bahia tem sido fundamental para a economia. Eu tenho 70, 80 empregos diretos na fazenda, então são cerca de 70, 80 famílias, o que dá em torno de 300, 400 pessoas. E esse dinheiro vai para o comércio local. Essa é a grande questão, às vezes olhamos o número específico do agro, mas não se sabe o que ele gera de emprego e renda para toda a região. As pessoas dos grandes centros do Brasil, precisam entender o que esse setor produz e gera de renda para a economia e desenvolvimento do país - avalia o produtor rural Douglas Orth.

Terras planas, fator de facilitação de mecanização, tornando a região altamente mecanizada (Foto: Aiba)

Os altos números da produção agrícola comprovam que o segmento está cada vez mais impulsionando os índices positivos e o desenvolvimento da região oeste da Bahia.

Além da Aiba, instituições como a Associação Baiana de Produtores de Algodão (Abapa), Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Sindicato dos Produtores Rurais (SPR) e o Senar, disponibilizam mais de 4 mil treinamentos em diferentes temáticas para qualificação profissional. O resultado desses investimentos se converte em números. São mais de 72 mil capacitados e 150 envolvidos diretamente. Desde 2022, a Abapa está conveniada ao Ministério da Agricultura (Mapa), para ministrar treinamentos de coordenador e executor de aviação agrícola no Oeste da Bahia. Essa aliança não apenas demonstra a complementaridade entre os setores rural e urbano, mas também reflete um compromisso conjunto em promover a qualidade e a sustentabilidade em todos os aspectos da agricultura, seja alimentar, econômica ou social.

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