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ESPECIAL ALGODÃO BAIANO (IV) - Evento marca a consolidação da cotonicultura no Cerrado da Bahia

ESPECIAL ALGODÃO BAIANO (IV) - Evento marca a consolidação da cotonicultura no Cerrado da Bahia

Data de Publicação: 2 de agosto de 2024 11:40:00 Mais de 1.400 participantes prestigiaram o evento na Fazenda Orquídea, promovido pela Abapa e parceiros, destacando a importância da sustentabilidade e da competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional

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Foto: Antônio Oliveira

 

 

A caminho das estrações temáticas (Foto: Antônio Oliveira)

 

 Mais de 1.400 participantes prestigiaram o evento na Fazenda Orquídea, promovido pela Abapa e parceiros, destacando a importância da sustentabilidade e da competitividade do algodão brasileiro no mercado internacional

 

 

Vista aérea da Fazenda Oquídea, onde foi realizado o dia de campo (Foto: Abapa)

Por Antônio Oliveira

Após o encerramento do “Rota da Trilha”, uma iniciativa especialmente voltada para jornalistas de agronegócios, fomos levados a participar do “Dia do Algodão” no dia seguinte, 20 de julho. Este mega dia de campo, com estrutura de evento de exposição e congresso, reuniu mais de 1.400 pessoas, conforme contagem da Abapa. Estavam presentes cotonicultores, representantes de empresas de insumos, máquinas e implementos agrícolas, pesquisadores e estudantes de ciências agrárias. Lideranças da cotonicultura de estados como Goiás, São Paulo e o Distrito Federal, incluindo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Alexandre Pedro Schenkel, também marcaram presença.

Para ler a primeira parte da série, clic aqui; para a segunda parte aqui e para a terceira parte aqui.

Sob o mote “O Presente da Transformação”, esta terceira edição do dia de campo do algodão no Cerrado baiano foi promovida pela Abapa e parceiros, com destaque para o Grupo Schmidt, proprietário da Fazenda Orquídea, onde o evento ocorreu. O evento foi dividido em três estações e uma plenária. A primeira estação, com o tema “Fitossanidade, Sustentabilidade e Resultados do Setor”, foi apresentada pelo presidente da Abapa, Luíz Carlos Bergamaschi. A segunda estação contou com a participação do consultor e professor Marcos Fava Neto, que discorreu sobre “Futuro do Agro: Perspectivas para o Algodão”. Já a terceira estação foi conduzida por Marcelo Duarte, diretor de Relações Internacionais da Abrapa, abordando “O Algodão Brasileiro no Cenário Global: Estratégias para Ampliar a Participação no Mercado”.

— Tenho uma sorte imensa em participar da terceira edição do Dia do Algodão na Bahia, um evento que traz inovações e informações essenciais sobre o algodão no mundo. Precisamos evoluir e ajudar a ter um algodão cada vez mais sustentável e eficiente — disse o presidente da Abrapa.

O evento contou com 1.400 pessoas (Foto: Antônio Oliveira)

A plenária contou com uma palestra do consultor e palestrante Maurício Schneider, focando no uso da Inteligência Artificial no agronegócio. Durante a plenária, a Abapa, por meio de seu presidente Bergamaschi, que teve seu aniversário comemorado na ocasião, homenageou o Grupo Schmidt Agrícola com um painel fotográfico aéreo da fazenda pelo sucesso do evento.

— Agradecemos em nome da Schmidt Agrícola pelo sucesso do evento. A cotonicultura baiana continuará crescendo e produzindo algodão de alta qualidade — disse Paulo Schmidt, sócio-diretor da Schmidt Agrícola e segundo vice-presidente da Abapa.

Marcelo Duarte, da Abrapa (Foto: Antônio Oliveira)

A fama do algodão brasileiro

Muito importante foi a palestra de Marcelo Duarte sobre o algodão brasileiro e o mercado externo. Eu conversei com ele.

Ele destacou a receptividade do algodão brasileiro na Ásia, especialmente o algodão do Cerrado, o bioma que mais produz algodão. Duarte mencionou que, apesar da crescente aceitação nos mercados internacionais, o processo de introdução e educação dos consumidores não foi simples, pois o Brasil participa ativamente do comércio internacional de algodão há apenas 15 anos. Ele creditou o crescimento à Abrapa, que iniciou um programa estruturado há 20 anos para promover o algodão brasileiro.

Duarte destacou que ainda existem desafios, como a percepção de que o algodão brasileiro não é o melhor, comparado a outros, como o algodão americano. Ele enfatizou a necessidade de avançar e conquistar espaços no mercado global de fibras, que está em constante crescimento. Duarte também comentou sobre a retomada da cotonicultura brasileira após o fiasco no Paraná devido à praga do bicudo-do-algodoeiro, destacando o crescimento do algodão no cerrado baiano.

Quando questionado sobre a receptividade do algodão baiano no exterior, especialmente na Ásia, Duarte elogiou a qualidade do algodão baiano, descrevendo-o como muito branco e produzido por agricultores profissionais e estruturados. Ele explicou que, embora o algodão baiano seja muito desejado no exterior, ainda não é tão conhecido, razão pela qual programas como o Cotton Brasil são essenciais para mostrar as vantagens do algodão brasileiro, especificamente o da Bahia.

Duarte discutiu as lições que a cotonicultura brasileira precisa aprender para competir melhor no mercado internacional, incluindo os Estados Unidos. Ele destacou a importância de atender às características técnicas exigidas pelo mercado, como resistência, boa cor, bom comprimento e entrega pontual, além de preço competitivo. Duarte também enfatizou a necessidade de melhorar a imagem do algodão brasileiro, trabalhando tanto nos aspectos técnicos quanto na sustentabilidade, pois a percepção do consumidor final é crucial.

Sobre se os cotonicultores baianos estão adotando essas lições, Duarte confirmou que sim. Ele destacou que a Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa) é uma das mais ativas a nível nacional, participando de todas as missões e programas, influenciando e ajudando os produtores a se ajustarem às tendências do mercado. Duarte atribuiu parte do sucesso do Brasil como líder mundial em exportação de algodão à abordagem proativa dos produtores baianos em se adequar e aproveitar as oportunidades do mercado.

Moises Schmidt, um dos sócios do Grupo Schmidt Agrícola (Foto: CNA/Divulgação)

Sucessão familiar no Cerrado baiano

Por fim, conversei com um dos quatro irmãos Schmidt, Moisés. Esta família, também uma das pioneiras no Cerrado baiano, é um exemplo de sucesso na sucessão familiar. Com a morte do pai, Paulo Ambrósio Schmidt, eles, sob o comando da mãe, Helena Almeida Schmidt, assumiram o comando e impulsionaram o grupo, diversificando suas propriedades e ampliando a produção de grãos, algodão e frutas como cacau e banana. A família está no Cerrado baiano desde 1979.

Moisés Schmidt descreveu a consolidação de mais uma safra de algodão no Cerrado baiano como um marco importante. Ele destacou que eventos como este selam a cotonicultura no Cerrado brasileiro, especialmente na Bahia, após anos de alta produtividade e uso de tecnologia avançada pelos produtores. Schmidt elogiou o trabalho da Abapa e expressou satisfação em receber o evento na Fazenda Orquídea, do Grupo Schmidt. Ele enfatizou a seriedade, tecnologia e envolvimento da sociedade na agricultura, ressaltando a sustentabilidade e viabilidade econômica do setor.

Schmidt também falou sobre a trajetória de seu pai – “meu pai foi um visionário no setor agrícola”. Ele mencionou o reconhecimento recente pelo trabalho de plantio direto iniciado nos anos 80 e destacou a importância de deixar um legado positivo. Ver o evento de cotonicultura realizado na fazenda é, para ele, um sinal de dever cumprido e um momento de grande satisfação para o Grupo Schmidt.

 

Ao ser questionado sobre a competitividade do algodão do Cerrado baiano em relação ao algodão dos Estados Unidos, Schmidt reconheceu a existência de alguns desafios. No entanto, ele acredita que eventos como o Dia do Algodão na Fazenda Schmidt demonstram a capacidade de produzir com sustentabilidade, abrangendo aspectos sociais, ambientais e de gestão, como o ESG. Schmidt afirmou que posicionar o algodão brasileiro no mercado internacional é uma questão de tempo, destacando a importância de continuar investindo em tecnologia, cursos, treinamentos e desenvolvimento social. Ele acredita que a fibra brasileira, especialmente a baiana, é de alta qualidade e sustentável, atendendo à crescente demanda por um algodão de qualidade.

***

Concluímos esta longa reportagem seriada sobre o “Rota da Fibra” e o “Dia do Algodão”. Neste sábado, 3 de agosto, encerramos a série com uma mega entrevista com o presidente da Abapa, Luíz Carlos Bergamaschi. Todo este trabalho será transformado em um livro-reportagem ampliado, que deve ser publicado até o final de setembro, deste ano, se não houver atraso no processo industrial. Jornalismo também é história, literatura, e o conteúdo desta série é uma grande epopeia no Cerrado baiano, com reflexos em todo o Brasil e no mundo.

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