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ESPECIAL I CERRADO BAIANO – Da monocultura da soja a lavoura cacaueira. Boas produtividades a cada safra
Data de Publicação: 14 de dezembro de 2022 08:34:00 Colonizado com a monocultura da soja, a partir do final da década de 1970, o Cerrado baiano surpreende, sempre, em diversificação de culturas, produção, produtividade e qualidade. Neste especial, um balanço das principais culturas agropecuárias da região e projeção para a próxima safra #cerrado baiano #safra #resultado de safra #projeção de safra #oeste da bahia #produção agrícola #agricultura na bahia #aiba
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Soja semeado no sistema de plantio direto (Foto: Ascom/Aiba)
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Por Antônio Oliveira
Colonizado a partir do final da década de 1970 para, a princípio, produção de grãos, o Cerrado baiano, bioma da região oeste da Bahia, surpreende a cada safra e é, atualmente, uma região agrícola consolidada com produção bem diversificada. Não há mais a monocultura da soja, como no princípio da exploração econômica das regiões de Cerrado.
Ao finalizar a safra 2021/2022, a Associação dos Agricultores da Bahia (Aiba), faz um balanço deste ano agrícola, ao mesmo tempo em que projeta a safra 2022/2023. Veja as perspectivas no final desta matéria.
Na safra 2021/2022 não foi diferente, embora tenha registrado uma leve queda de produtividade em relação a safra 2020/2021. Conforme a Associação dos Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), os 1.782.000 hectares semeados com soja na safra 2021/2022 renderam uma produção de 7.056.000 milhões de toneladas, com uma produtividade de 66 sacas por hectare, uma saca a menos que a produtividade da safra próxima passada, que teve produção de 6.975.000 toneladas, de uma área de 1.727.000 hectares.
- A safra 2021/2022 aqui no oeste da Bahia foi muito boa. Nos grãos tivemos normalidade, com 67 sacas de soja por hectare no ano passado e 66 neste – informa o presidente da Aiba, Odacil Ranzi.
Ainda conforme ele, a média de produtividade de soja na região é a maior do Brasil e ela é conseguida por meio de tecnologias empregadas no cultivo e também devido ao relevo plano da região.
- Hoje, temos cerca de 90% das áreas com plantio direto e o grande segredo é a cobertura, cuja palhada melhora a qualidade do nosso solo. Isso faz a diferença aqui na Bahia. Além disso, nos últimos anos a chuva tem sido muito generosa conosco no período entre outubro e abril. Por isso, conseguimos essas médias extraordinárias.
Vale ressaltar que a média nacional é de 55 sacas por hectare. Conforme a Comunicação da Aiba, todos estes números supracitados “demonstram o nível de excelência alcançado pelos agricultores da região no que diz respeito a aplicação de tecnologias, manejo das lavouras e controle de pragas.”
A associação, que é uma das mais organizadas do Brasil, contando com 1,3 mil associados, destaca também, seus esforços, por meio do programa fitossanitário e da parceria com os agricultores que resultaram no controle da ferrugem asiática, principal doença da soja e que atualmente já não causa mais prejuízos significativos ao sistema de produção.
Contudo, observa a Aiba, com todo esse cuidado as culturas seguem sujeitas ao clima. Na safra 2021/2022, por exemplo, muitos produtores que adiantaram o plantio e colheram entre os meses de dezembro e janeiro sofreram com o excesso de chuva que caiu sobre a região do Cerrado baiano.
- Isso impactou a produtividade e também tivemos a maior incidência de doenças nas áreas mais atingidas. Além disso, a própria falta de luz solar atrapalhou a fotossíntese e prejudicou a fisiologia vegetal das plantas – é o que diz o gerente de Agronegócio da Aiba, Aloísio Junior.
Ainda na opinião do técnico, esses problemas pontuais não afetaram tanto a produtividade na região, que se manteve próxima do recorde regional. Com isso – diz ele -, é possível afirmar que a média superior a 65 sc/ha está consolidada.
- O produtor rural quando faz o seu planejamento, precisa considerar diversas despesas. Para ter lucratividade, tem que projetar de 15 a 25 sc/ha de folga em relação ao custo de produção. Se não almejar este número, pode ter prejuízo – frisa.
A Aiba informa que ao durante todo este ano de 2022, houve, entre os produtores rurais, preocupação com a guerra da Rússia contra a Ucrânia e os possíveis impactos dela no mercado de fertilizantes.
-Alguns, como o cloreto de potássio (KCL), tiveram elevação expressiva de preços, mas até o momento não há dificuldade para a compra e as entregas estão ocorrendo dentro do prazo. Esse crescimento no custo de produção, entretanto, é compensado pelo valor da saca da soja, que permanece acima dos R$ 160,00 e mantém a cultura rentável – diz a Aiba por meio de sua Comunicação Social.
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A Bahia, por meio do oeste baiano, é o segundo maior produtor de algodão
do Brasil (Foto: Ascom/Aiba)
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Cotonicultura
A Bahia, por meio do Cerrado baiano, é o segundo maior produtor de algodão do Brasil. Está sempre colhendo bons resultados em termos de qualidade, sanidade e produtividade. Raramente tem uma quebra de safra. Na de 2021/2022, foram cultivados 309.000 hectares da fibra, 18 mil a mais que na safra 2020/2021, com produtividade de 275 @/ha, 40 mil hectares a menos que a safra passada. A produção atual foi de 530.000 toneladas, 17 mil toneladas a menos que a safra de 2020/2021.
- A quantidade de chuvas em dezembro de 2021 e janeiro de 2022, e depois uma pequena estiagem em março, prejudicou a cultura e levou as médias de produtividade para cerca de 270 arrobas por hectare. Isso gerou uma quebra pequena, mas significativa. De maneira geral foi uma safra muito satisfatória. Os preços das commodities internacionais ainda estão muito convidativos e o agricultor consegue se capitalizar mais a cada ano – opina o presidente da Aiba.
Neste assunto, a Aiba trabalha com dados da Associação Baiana dos Produtores de Algodão (Abapa), que informa que a média no oeste da Bahia ficou em 275 arrobas de capulho colhidas por hectare. Não obstante a redução em relação a previsão inicial, que era de 310 arrobas por hectare, o presidente da Abapa, Luiz Carlos Bergamaschi, destaca a capacidade de recuperação das lavouras.
- Isso se deve ao manejo que a região já faz. Com rotação de culturas e o plantio direto, muitas dessas perdas puderam ser mitigadas com o uso da tecnologia – diz.
São muitos anos de experiências e uso de cultivares mais resistentes ao estresse hídrico. Desta forma, os cotonicultores baianos conseguem cada vez mais contornar a instabilidade do clima para evitar prejuízos.
- Esses veranicos são normais aqui no Cerrado, períodos em que não há boa distribuição das chuvas. O tempo vai nos ensinando a lidar com eles – acrescenta Bergamaschi.
Em breve comentário sobre a atual situação do mercado de algodão, o presidente da Abapa diz acreditar que o momento é de cautela. Conforme o produtor, o preço do algodão é mais sensível aos fatores internacionais se comparada as outras commodities, como a cotação do petróleo e a possível recessão nos países europeus. Ele orienta aos cotonicultores que ainda possuem estoque por comercializar que reduzam os custos dentro do possível e tenham cautela.
- Tem que esperar. Ainda há tempo para vender esse projeto até o final do ano que vem.
Ele reforça aos seus colegas para que estejam atentos ao período correto de plantio e de colheita, bem como ao manejo de solo e de pragas, para garantir bons resultados.
-O Brasil é o segundo maior exportador mundial de algodão e, portanto, as fazendas possuem toda a infraestrutura física e técnica necessária. Tem que manter a área e a produtividade e tentar tirar a melhor margem disso tudo – conclui.
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O milho é o terceiro produto agrícola mais plantado na região oeste da Bahia
(Foto: Ascom/Aiba)
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Milho
Este grão é outra cultura bastante produzida na região. Neste ano, ele teve uma redução na sua alíquota de ICMS, que caiu de 12% para 2%, a mesma alíquota dos demais estados nordestinos. Este benefício provocou um aumento na área de cultivo e a atração de investimentos, principalmente, numa agroindustrial de etanol a base do grão.
-Em agosto foram assinados os protocolos para a construção da primeira usina de produção de etanol derivado do milho aqui na região. Tudo isso está ocorrendo em função da equalização, e nós temos certeza de que a área plantada com o grão terá um aumento significativo nos próximos anos – acredita Odacil Ranzi, presidente da Aiba.
Na atual safra – 2021/2022 -, o oeste da Bahia produziu 2.043 milhões de hectare, em uma área de 200 mil hectares e produtividade de 170 sacas por hectare. Na safra passada, foram 180 mil hectares plantados, produção de 1.946.000 toneladas e produtividade de 180 sacas por hectare. Cultivo de sequeiro.
Na área irrigada foram 47 mil hectares, na safra 2021/2022 - 10 mil a mais que na safra passada; produtividade de 190 sacas por hectare e produção de 536 mil toneladas. Na safra 2020/2021, respectivamente: 37 mil hectares, 190 sacas, 416 mil toneladas.
Conforme a Aiba, na safra 2021/2022, “apesar de alguns problemas com o excesso de chuvas e dificuldade para controlar as pragas, que causaram perda de 6% na produtividade em relação ao período anterior, a projeção de colher 2 milhões de toneladas se confirmou.
De acordo com a Aloísio Júnior, diretor de Agronegócios da Aiba, estes números estão acima das médias nacionais, mas ficaram aquém das expectativas, sobretudo quando se consideram o pacote tecnológico empregado e os investimentos feitos pelos produtores.
Entre os problemas que contribuíram para esse resultado estão os grandes volumes de chuva registrados na região entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022 e também a cigarrinha do milho, principal praga da cultura e de difícil controle.
- A cigarrinha é um vetor para diversas doenças que afetam o balanço biológico das plantas e causam essas perdas que tivemos por aqui nessa safra – diz Aloísio Júnior.
Triticultura
O Cerrado surpreende, sempre. No oeste baiano não é diferente e culturas de outras regiões tradicionais vão muito bem na região em termos de produtividade, sanidade e qualidade. São os casos de frutas, trigo, café e até o cacau.
O Cerrado baiano está produzindo trigo de sequeiro e irrigado desde 2016, com produtividade surpreendente, até maior que a de regiões tradicionais na cultura. Porém a falta de moinho na região desanimava os novos triticultores.
Obstáculo superado a partir deste ano, com a instalação, em Luís Eduardo Magalhães, núcleo central da agricultura do Cerrado baiano, de um moinho de trigo.
Conforme Aloísio Júnior, a existência da usina de trigo na região resolve o antigo problema do transporte da produção por longas distâncias e tem o potencial de elevar em muito o total de áreas plantadas no oeste da Bahia.
O diretor de Agronegócios da Aiba diz acreditar que os atuais 6 mil hectares cultivados podem superar os 20 mil hectares nos próximos anos.
- No último dia de campo realizado pela Fundação Bahia, nós percebemos a presença de muitos produtores. Não só aqueles que já plantam, mas outros que nunca tiveram contato, e agora demonstram interesse – diz Aloísio Júnior.
O crescimento da área plantada com trigo no oeste da Bahia, conforme a Aiba, depende do plantio, também, em áreas de sequeiro.
- No ano passado, alguns produtores tiveram problemas com o grão, não apenas com a baixa produtividade, mas também baixa qualidade. Mas a partir destes resultados e contando com o apoio dos pesquisadores da Fundação Bahia, que estudam e adaptam cultivares mais resistentes para esse sistema, a expectativa é que nas próximas safras tenham desfecho mais satisfatório em todos os aspectos – informa a Aiba.
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Odacil Ranzi, presidente da Aiba (Foto: Ascom/Aiba)
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Diversificação de culturas
A Aiba comemora, também, os bons resultados em outras culturas, como a do feijão irrigado, que na safra 2021/2022 teve 18 mil hectares semeados, com produtividade de 48 sacas por hectares; a criação de gado de corte, grande parte sob o sistema lavoura-pecuária, da Embrapa; a banana, o principal expoente da fruticultura no oeste da Bahia, com mais de 900 hectares cultivados com as variedades prata e nanica, que abastecem a região, o Tocantins, Distrito Federal, Goiás e São Paulo e algumas vendas para a região Sul do Brasil.
Lavoura cacaueira no Cerrado baiano – sob sol
Mas o mais recente lance positivo das condições edafoclimáticas da região oeste é o cultivo de cacau em terras altas do Cerrado.
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A lavoura cacaueira em terras altas no Cerrado baiano surpreende
(Foto: Ascom/Aiba)
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Conforme a Aiba, a produção da fruta na região da necessidade de diversificação de culturas de alguns produtores. O tradicional produtor de grãos e algodão, Moisés Schmidt é o pioneiro do cultivo comercial do cacau em terras altas do Cerrado baiano. Em busca de maior diversificação das fazendas de sua família, ele analisou a pecuária e a fruticultura, optando pelo cacau, depois de ter experimentado a banana.
- Por incrível que pareça, nós conseguimos um ganho muito grande, muito acima do que era esperado. Nos surpreendeu – diz ele.
- Com boas práticas de preparação do solo, plantio e manejo dos cacaueiros, o objetivo agora é incrementar a produtividade, mantendo a sustentabilidade do processo – aponta o produtor.
Conforme Moisés Schmidt, um dos principais gargalos identificados foi a baixa disponibilidade de mudas, problema que está sendo resolvido com a implantação de viveiros com grande capacidade produtiva. Essas primeiras mudas foram plantadas a pleno sol, quebrando o paradigma de que o cacau precisa ser cultivado na sombra. O propósito era entender o desenvolvimento dos vegetais e a adaptação deles a um sistema diferente do tradicional.
- Depois de seis meses, nós confirmamos o que já tínhamos visto nas saídas a campo: as plantas tinham um desenvolvimento muito precoce – explica Moisés.
Ainda conforme o jovem produtor rural, essa percepção foi uma “virada de chave” para apostar ainda mais nesse método.
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Moisés Schmidt (a esquerda) assina com o Ceplac/Mapa acordo de cooperação
para pesquisa de variedades mais adaptadas ao Cerrado baiano (Foto: Ascom/Mapa)
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Comparando esse método com o tradicional, notaram-se maior necessidade de água e solo mais rico em nutrientes. Mas o desfecho compensa o trabalho, conforme relato da Comunicação da Aiba: a produtividade hoje é 15% superior a média nacional, que é de 18 arrobas por hectare.
A BioBrasil é o braço cacaueiro do Grupo Schmidt – familiar -, da qual Moisés é sócio. Ela tem motivado outros produtores a entrarem na cultura, que tem demanda crescente em outros estados, como Minas Gerais, Goiás, Pará, Ceará, entre outros.
- Todas elas muito bem sucedidas, com índices de mortalidade (encerramento de atividade) muito abaixo do que vemos no mercado – afirma Moisés Schmidt.
Projeções para a safra 2022/2023
Os produtores do oeste da Bahia, a exemplo de outras regiões agrícolas do Brasil, já estão semeando, principalmente a soja. Conforme projeções da Aiba, a previsão é que sejam semeados 1.860 milhão/ha, 78 mil hectares a mais em relação a safra anterior, crescimento de 4,5%.
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Para a safra 2022/2023, o algodão terá uma área com 1 mil hectares a mais que na safra passada,
crescimento de 0, 3% (Foto: Ascom/Aiba)
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Algodão, 308 mil hectares, 1 mil hectares a mais que a anterior. Crescimento de 0,3%.
Cultura de milho de sequeiro: área de 220 mil hectares, a 30 mil hectares a mais que a atual safra, crescimento de área plantada, 15,8%.
Milho irrigado terá área plantada de 40 mil hectares, 3 mil a mais que a safra anterior. Crescimento de 8,1% da área plantada.
A cultura do trigo terá área cultivada de 10 mil hectares, 3 mil a mais que a safra anterior. Crescimento de 42,9%.
Por fim, entre estas principais culturas do Cerrado baiano, o sorgo terá, na safra que se inicia, 170 mil hectares, 30 mil a mais que a safra que se finda. Crescimento de 21,4%.
A união faz a força
Vale dizer que tudo isto foi – e está sendo possível – graças a união corporativa dos produtores rurais da região, que sempre investiram em pesquisas e tecnologias. Reunidos em duas associações representativas – a Aiba e a Abapa -, esses produtores não são apenas exemplos de união para a produção, como também de apoio social e estrutural aos governos e a sociedade da Bahia.
*Texto produzido com base em informações da Comunicação da Aiba e do “Anuário da Região Oeste da Bahia 2022/2023”
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