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FRUTOS DA GRANDE FLORESTA - O potencial desconhecido do ‘ouro da Amazônia’ para o Brasil
Data de Publicação: 6 de setembro de 2024 17:19:00 O camu-camu, um fruto nativo da Amazônia com altíssimo teor de vitamina C, enfrenta desafios em sua cadeia produtiva no Brasil, mas carrega promessas de expansão econômica e benefícios à saúde.
O camu-camu, um fruto nativo da Amazônia com altíssimo teor de vitamina C, enfrenta desafios em sua cadeia produtiva no Brasil, mas carrega promessas de expansão econômica e benefícios à saúde.
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"No futuro, o camu-camu tem grande potencial para
gerar bionegócios valiosos" (Foto: Divulgação)
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Da redação
Embora comercializado no Peru há décadas, o camu-camu, conhecido como o "ouro da Amazônia" devido à sua riqueza nutricional, ainda é pouco conhecido no Brasil. Com uma quantidade de vitamina C 100 vezes maior que a do limão e 20 vezes superior à da acerola, o fruto possui um enorme potencial de crescimento no mercado alimentício nacional e internacional. Porém, essa riqueza nutricional ainda esbarra em obstáculos que limitam sua popularização no país.
Segundo Fernanda Cidade, mestre em Ciência do Ambiente e Sustentabilidade e analista de projetos do Instituto de Desenvolvimento da Amazônia (Idesam), o camu-camu pode seguir o caminho de sucesso de produtos amazônicos como o açaí e a castanha.
- Temos uma rede embrionária, formada por ribeirinhos extrativistas, que depende de estímulos governamentais para solidificar o escoamento da produção - comenta Fernanda.
- No futuro, o camu-camu tem grande potencial para gerar bionegócios valiosos - acrescenta.
A busca por soluções
Para acelerar o desenvolvimento da cadeia produtiva do camu-camu, o Idesam realizou uma consultoria em Roraima, identificando os principais desafios enfrentados pelos produtores e comerciantes. Entre as soluções propostas, estão o uso de barcos equipados com painéis solares para o transporte e processamento do fruto e a instalação de indústrias locais para produzir pó e produtos liofilizados. Essas alternativas poderiam facilitar o escoamento e a comercialização do fruto para mercados locais, nacionais e até internacionais.
Jane Gaspar, engenheira de desenvolvimento da Fundação CERTI e parceira do estudo, explica que a região onde o camu-camu nasce enfrenta desafios como o desmatamento e a estiagem, o que dificulta a colheita.
- O uso de drones para mapear as cheias e o plantio em terra firme são soluções que também ajudam a preservar a floresta e garantir a produção - ressalta.
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O camu-camu já é exportado pelo Peru para mercados como
Estados Unidos, União Europeia e Japão (Foto: Divulgação)
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O camu-camu e o desenvolvimento local
Na cidade de Bonfim, Roraima, Aldenira Costa Maia, presidente da Associação de Moradores e Agricultores da área devoluta do Complexo Caju (AMAADCC), trabalha com o camu-camu há um ano. Junto com outras 40 mulheres da cooperativa, ela processa o fruto para a venda em forma de polpa, geleias e bolos, destacando o valor que esse fruto traz à economia local.
- Nosso carro-chefe é a polpa, que custa entre 15 e 18 reais. Também temos planos de expandir a produção para biscoitos e outros produtos - afirma Aldenira.
O apoio técnico de entidades como a Embrapa tem sido fundamental para o desenvolvimento de mudas e a superação de dificuldades no cultivo, como a irrigação, já que o camu-camu é um fruto de rio.
- O estudo do Idesam nos incentiva a continuar, porque é um produto nosso, mas que precisa ser conhecido para trazer resultados - conclui Aldenira.
O caminho para a exportação
O camu-camu já é exportado pelo Peru para mercados como Estados Unidos, União Europeia e Japão. Em 2020, as exportações peruanas atingiram 5 milhões de dólares. No entanto, o Brasil ainda não consegue explorar plenamente o potencial de exportação do fruto. Jane Gaspar ressalta a importância de regulamentações da Anvisa e do Ministério da Agricultura para garantir a qualidade do produto e permitir sua expansão comercial.
- O camu-camu precisa de uma cadeia produtiva sólida e confiável, com normas de qualidade que garantam procedência, volume e frequência de produção - diz Jane.
A crescente demanda internacional pelo fruto sugere um vasto campo de oportunidades para o Brasil, que pode se inserir no mercado global com força.
Com informações da assessoria de comunicação da Fundação CERTI.
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