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MERCADO DE INSUMOS ][ Mosaic reestrutura operação e nega saída do Brasil
Data de Publicação: 6 de maio de 2026 21:02:00 Ajustes nacionais não afetam o MATOPIBA: unidade da Mosaic no Tocantins segue firme rumo à meta de 1 milhão de toneladas de fertilizantes.
Resumo
A Mosaic reestruturou suas operações no Brasil com a venda da mina de Taquari-Vassouras (SE) e o fechamento da planta de SSP em Araxá (MG), passando a focar em importações competitivas. O country manager, Eduardo Monteiro, desmentiu boatos de saída do País e garantiu que o planejamento estratégico para a planta de Palmeirante (TO), segue inalterado.
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Planta no Tocantins não sofreu alterações (Foto: Ascom/Mosaic)
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Por Antônio Oliveira
Em entrevista exclusiva ao portal AGFeed, concedida no dia 27 do mês passado, o country manager da Mosaic (gerente de multinacional em um país), Eduardo Monteiro, desmentiu categoricamente os boatos que circulavam no mercado nacional de que a multinacional estaria se retirando do Brasil. Segundo o executivo, o compromisso de longo prazo da companhia com o País permanece inabalável.
A produção de fertilizantes em solo brasileiro sempre enfrentou gargalos de competitividade, o que historicamente torna o País um grande importador do insumo. Contudo, conforme apurado pelo portal, as tensões geopolíticas no Oriente Médio agravaram o cenário, pressionando inclusive gigantes do setor como a Mosaic. Diante disso, a empresa adotou nos últimos meses uma estratégia focada na otimização de resultados, que envolve maior uso de matéria-prima importada, venda de ativos e a paralisação temporária ou definitiva de algumas fábricas e jazidas nacionais.
Esses movimentos pontuais de carteira geraram especulações infundadas sobre a saída da empresa.
- As mudanças que fizemos são pontuais, visando a diversificação do portfólio para elevar nossa taxa de retorno. Porém, nosso compromisso de longo prazo permanece e até aumenta. Nosso desafio atual é ampliar nossa participação de mercado - garantiu Monteiro.
Venda de ativos e readequação industrial
Entre as principais medidas da reestruturação está a venda do complexo de Taquari-Vassouras, em Sergipe — até então a única mina de potássio em atividade no Brasil. Monteiro explicou que a continuidade da extração exigiria aportes volumosos para ampliar a vida útil da mina, gerando um retorno financeiro abaixo do projetado pela companhia. A solução foi vender o ativo para um investidor disposto a realizar tais investimentos.
"Eficiência que atravessa fronteiras: a Mosaic recalibra sua rota nacional e finca raízes ainda mais fortes no coração do MATOPIBA."
Com a transação, a Mosaic abriu mão da produção própria de 500 mil toneladas de cloreto de potássio. Agora, a empresa atende a demanda do Nordeste comprando diretamente do novo proprietário da mina (desde que a logística seja viável) e abastece o restante do território brasileiro com importações vindas de suas minas no Canadá.
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Planta no Tocantins tem capacidade para a produção
de 1 milhão de ton/ano (Foto: Ascom/Mosaic)
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Além disso, em dezembro de 2025, a multinacional interrompeu temporariamente a produção de superfosfato simples (SSP) nas unidades de Araxá (MG) e da Fospar, em Paranaguá (PR). Enquanto a operação na Fospar já foi normalizada, a planta de Araxá — que produzia 1 milhão de toneladas de SSP ao ano — foi definitivamente desativada e colocada à venda no início do mês passado devido a desafios financeiros crônicos. A mina local já estava exaurida, exigindo o transporte oneroso de minério de Patrocínio (MG), somado à forte alta no preço do enxofre (derivado de petróleo essencial para o SSP), iniciada antes mesmo dos conflitos internacionais. Para suprir essa lacuna, a Mosaic passará a importar o SSP de suas unidades no Canadá e no Peru.
Apesar dos cortes, Eduardo Monteiro assegurou que as operações da Mosaic no Brasil seguem robustas. As unidades produtoras de fertilizantes de Cajati (SP), Catalão (GO), Paranaguá (PR), Tapira (MG) e Uberaba (MG) operam normalmente, assim como as misturadoras de Candeias (BA), Palmeirante (TO), Rio Verde (GO), Rondonópolis (MT) e Sorriso (MT). No Tocantins, que integra a promissora fronteira agrícola do MATOPIBA, a planta de mistura inaugurada em julho do ano passado mantém a meta de atingir a marca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes anuais até 2027.
Planta do Tocantins segue a todo vapor
Para entender o impacto local dessa reestruturação nacional, o Cerrado Rural Agro conversou com o country manager da Mosaic, Eduardo Monteiro, sobre o futuro da planta de Palmeirante — estratégica plataforma multimodal da Ferrovia Norte-Sul, no norte do Tocantins. Em tom otimista, o executivo detalhou o desempenho e as perspectivas para a região do MATOPIBA.
Quando questionado sobre como fica o planejamento estratégico da planta da Mosaic no Tocantins após essa reestruturação nacional, Eduardo Monteiro garantiu que os planos para a região seguem inalterados, pautados pela consistência e sustentabilidade. De acordo com o executivo, a unidade de Palmeirante possui capacidade para processar cerca de 1 milhão de toneladas de fertilizantes, o que consolida a relevância e a presença da Mosaic no eixo do MATOPIBA, além de simbolizar a solidez dos investimentos de longo prazo da empresa no Brasil.
Ao ser convidado para fazer um balanço deste primeiro ano de operação própria no estado, Monteiro avaliou o período como desafiador e, ao mesmo tempo, extremamente construtivo. Ele pontuou que, por se tratar de uma instalação nova e equipada com tecnologia de ponta amplamente automatizada, ajustes operacionais iniciais foram necessários e naturais. Apesar disso, o executivo destacou que a planta apresentou uma evolução muito positiva, registrando crescimento consistente nos volumes movimentados e ganhos graduais de eficiência operacional.
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Eduardo Monteiro, country manage
da Mosaic Brasil (Foto: Ascom/Mosaic)
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Sobre de que forma a região do MATOPIBA tem respondido aos investimentos da companhia e se valeu a pena apostar no Tocantins, o diretor foi enfático ao afirmar que o retorno tem sido muito positivo. Ele ressaltou que o Norte e o Nordeste figuram entre as áreas agrícolas com as maiores taxas de crescimento do País, expandindo-se acima da média nacional. Para Monteiro, a decisão de se estabelecer localmente foi acertada, pois permite atender os produtores da região com um elevado padrão de serviços, uma estrutura industrial moderna e o diferencial de uma logística altamente competitiva viabilizada pelo modal ferroviário.
Por fim, ao ser indagado se a empresa participará das principais feiras agrotecnológicas da região (como AgroBalsas, Agrotins e Bahia Farm Show) e o que espera desses eventos diante do atual cenário de dificuldades no agronegócio, Monteiro revelou que a Mosaic está adotando uma postura mais cautelosa. Segundo ele, o momento de mercado exige uma análise criteriosa e uma alocação de recursos mais seletiva e racional. Embora a participação direta nesses eventos esteja sob constante avaliação orçamentária, o executivo garantiu que a empresa continuará muito próxima de seus clientes e parceiros regionais por meio de ações de relacionamento estratégico direcionadas.
Agronegócio • Fertilizantes • Mosaic • MATOPIBA • MercadoAgrícola •
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