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PERFIL EMPRESARIAL ][ Zezão: a trajetória ética por trás da potência Gees S/A

PERFIL EMPRESARIAL ][ Zezão: a trajetória ética por trás da potência Gees S/A

Data de Publicação: 10 de fevereiro de 2026 15:28:00 Da rede de um hotel simples em Balsas ao comando de um império no MATOPIBA, José Antônio Gorgen prova que o lucro legítimo nasce da ética e do trabalho.

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Resumo

O texto narra a ascensão de José Antônio Gorgen, o Zezão, pioneiro que transformou a Gees S/A em um gigante do agronegócio. Com foco em verticalização, logística própria e valorização humana, sua história une a coragem de desbravar o Cerrado à gestão moderna e humanista da "porteira para fora".

Por Antônio Oliveira*

Narrar a trajetória empresarial de José Antônio Gorgen, o Zezão, é um desafio que transcende o simples registro de números e cifras. Com bases sólidas em Balsas (MA) e no sul do Piauí, o produtor e empresário do setor de máquinas e insumos é reconhecido por uma discrição quase absoluta, evitando deliberadamente os holofotes e a exposição de seus negócios. Contudo, a verdadeira dificuldade em descrevê-lo reside em sua essência: em tempos de valores escassos, Zezão surge como uma rara exceção, moldada pela ética, pelo respeito e pela honestidade. Minha admiração pessoal consolidou-se durante anos

Zezão em foto ainda dos tempos da RISA S/A (Foto: RISA)
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de assessoria para a Fapcen e para a Agrobalsas, onde testemunhei seu espírito empreendedor, humilde e profundamente humanista. Muito antes de o conceito ESG (boas práticas de responsabilidade social, ambiental e governança) tornar-se tendência global, ele já o praticava na essência, provando que o lucro legítimo não aceita o "qualquer custo". Embora eu aguarde por uma entrevista exclusiva e especial, fui surpreendido nesta segunda-feira (09) por uma reportagem detalhada sobre sua vida no canal Terra Agro, no YouTube. Em linguagem jornalística: “fui furado”; na linguagem do sertão, “dancei” (rs) Com o devido crédito, tomo a liberdade de dar nova versão em  texto deste valioso conteúdo a seguir.

A chegada: o horizonte de luzes e o quarto de hotel

A história da Gees S/A, antiga RISA S/A, começa nos anos 80, sob o céu aberto do Cerrado maranhense. Natural de Não-Me-Toque (RS), Zezão recorda que o primeiro sinal de "civilização" ao se aproximar de Balsas foi o brilho da torre de comunicação (no centro de Balsas). O início foi desprovido de qualquer luxo: instalado no modesto Hotel Estrela Dalva, ele dividia um quarto com o pai e um primo. Como o espaço oferecia apenas uma cama e uma rede, o descanso era fruto de um revezamento noturno — um exemplo de resiliência que moldaria sua aversão à ostentação e seu foco na construção de bases sólidas.

O olhar de pioneiro sobre a terra roxa

Ainda naquela primeira incursão, o instinto de produtor falou mais alto ao avaliar o solo da fazenda que, quatro décadas depois, permanece como um dos pilares do grupo. A cor e a textura da terra foram o "contrato" visual que Zezão precisava. As negociações, feitas por telefone com o antigo proprietário, resultaram na aquisição das primeiras áreas. Diferente de investidores sazonais, a Gees S/A fincou raízes profundas: as propriedades compradas há quarenta anos continuam sob o comando da família, simbolizando um compromisso inabalável com o chão onde tudo começou.

Fazendas altamente tecnificadas no sul do
Maranhão e do Piauí (Foto: divulgação/RISA S/A)
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A estratégia "da porteira para fora"

O salto de produtor rural para comandante de uma potência regional foi impulsionado por um estalo teórico. Durante uma palestra na Expointer, no Rio Grande do Sul, Zezão absorveu o conceito de que o sucesso no campo exigia dominar não apenas o plantio, mas todo o ecossistema ao redor. Foi essa visão que transformou a Gees S/A em uma força integrada. O grupo deixou de ser apenas "fazenda" para se tornar um hub logístico e industrial, abrangendo desde cinco propriedades rurais até misturadoras de fertilizantes — sendo a única do estado no Piauí —, além de revendas de máquinas, sementes e insumos químicos.

Verticalização e logística de elite

A eficiência do grupo hoje é sustentada por uma infraestrutura robusta que minimiza a dependência de terceiros. Com a instalação de silos Kepler Weber e sistemas de irrigação por pivô, a empresa mitigou riscos climáticos e gargalos de armazenamento. No asfalto, a força é visível: uma frota de mais de 400 veículos pesados, composta por modelos Mercedes e Volvo, incluindo rodotrens e tritrens, conecta a colheita maranhense e piauiense aos principais mercados, garantindo competitividade em cada etapa da cadeia produtiva.

Valorização humana e o "acelerador" de resultados

Um dos grandes diferenciais da gestão de Zezão é o tratamento dispensado à equipe. Na Gees S/A, a Participação nos Lucros (PL) é uma realidade estruturada profissionalmente, que vai do gerente ao estivador. O modelo premia a assiduidade e a produtividade, contando ainda com um fator de fidelidade: colaboradores com mais de dez anos de casa possuem um "acelerador" em suas bonificações. Essa política cria um sentimento de pertencimento, transformando o funcionário em um parceiro direto do sucesso do conglomerado.

Entre bitrens e tritrens, o gurpo tem uma
fronta de 400 veículos (Foto: divulgação)
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A filosofia do trabalho silencioso

Apesar da magnitude do império que construiu, Zezão mantém uma filosofia de vida quase estóica sobre o sucesso financeiro. Para ele, o dinheiro é uma consequência natural do trabalho bem executado e tende a "fugir" de quem o persegue de forma obsessiva. O foco deve estar no aprimoramento contínuo da tarefa presente. É essa mentalidade de humildade, aliada à coragem de desbravar o Cerrado quando ele era apenas mato e estrada de terra, que transformou aquele jovem do hotel Estrela Dalva no líder de um símbolo vivo da pujança agrícola do MATOPIBA.

*Fonte: Canal Terra Agro/You Tube.

 

José Antônio Gorgen, Gees S/A, MATOPIBA, Balsas, Agronegócio, Sucesso, Ética.

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