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PLANO SAFRA 2025/26 ][ Benefício gera insatisfação: entidades do agronegócio criticam juros elevados e crédito insuficiente
Data de Publicação: 1 de julho de 2025 18:26:00 SRB e Aprosoja MT expressam forte preocupação com o Plano Safra 2025/26, apontando que o aumento dos juros e a redução real do crédito rural dificultam investimentos, elevam riscos e não atendem às necessidades do setor, apesar de alguns pontos positivos em sustentabilidade.
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| Sérgio Bortolozzo, presidente da SRB (Foto: Ascom/SRB) |
Da redação
A Sociedade Rural Brasileira (SRB) manifestou insatisfação com as medidas do Plano Safra 2025/2026, anunciado nesta terça-feira, 1º de julho, pelo governo federal em Brasília. Apesar de reconhecer o empenho do Ministério da Agricultura na captação de recursos, a entidade considera os volumes insuficientes e as taxas de juros inadequadas para as necessidades do setor.
- O Plano Safra não atendeu o setor, aumentou muito pouco o volume total e diminuiu o volume de recursos para investimentos. As taxas de juros são elevadas ainda e o tema do seguro agrícola nem foi tocado pelo governo, o que é negativo para nós – diz Sérgio Bortolozzo, presidente da SRB.
Entre as principais preocupações do plano, destaca-se o aumento das taxas de juros em até 2 pontos percentuais em todas as linhas. O custeio empresarial, por exemplo, alcançou 14% ao ano, superando a expectativa de retorno de muitas culturas e encarecendo o crédito. Isso pode restringir investimentos e ampliar os riscos financeiros para os produtores.
Além disso, houve uma redução de R$2 bilhões nos recursos equalizados destinados ao Pronaf e uma estagnação no Moderfrota. Essa movimentação transfere maior risco para produtores e instituições financeiras, diminuindo a atratividade do crédito subsidiado. A SRB também aponta que o corte de 5,4% nos programas para máquinas, irrigação e armazenagem limita o avanço tecnológico e a produtividade futura, comprometendo a competitividade do agronegócio a médio e longo prazo.
Apesar de o volume total de recursos anunciado ter atingido um valor recorde de R$ 594 bilhões (somando agricultura familiar e empresarial), o crescimento nominal do crédito (1,5% para empresarial e 3% para familiar) fica abaixo da inflação acumulada (IPCA de 5,2%). Isso resulta em uma redução do poder real de compra e um impacto efetivo menor do financiamento para o setor.
Contudo, a SRB também reconhece alguns pontos positivos. A prioridade para linhas empresariais de custeio foi destacada como um fator que ajuda a manter a liquidez dos produtores diante da compressão das margens, o que pode reduzir o risco de inadimplência.
A iniciativa de oferecer um desconto de 0,5 ponto percentual na taxa de juros para produtores rurais que adotam práticas sustentáveis foi elogiada, reforçando o compromisso com a sustentabilidade. O Plano Safra 2025/2026 também prevê financiamento para reflorestamento, culturas de cobertura e ações de prevenção de incêndios.
Outra medida que pode beneficiar o setor é a ampliação da exigibilidade das Letras de Crédito do Agronegócio (LCAs). O aumento de 50% para 60% deve liberar cerca de R$64 bilhões adicionais em funding privado para o setor, diversificando as fontes de financiamento e reduzindo a dependência do Tesouro Nacional.
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| Foto: Ascom/Aprosoja-MT |
Juros elevados e redução real do crédito preocupam produtores, aponta Aprosoja - MT
A Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja MT) manifestou profunda preocupação com o Plano Safra 2025/26, anunciado nesta terça-feira, 1º de julho, pelo Governo Federal. A entidade destaca que, com juros próximos da taxa Selic atual, o crédito rural se torna praticamente inviável para a maioria dos produtores, agravando a situação de elevado endividamento no campo.
Apesar do volume total anunciado de R$ 516,2 bilhões, uma parte substancial dos recursos, R$ 185 bilhões, será captada via Cédulas de Produto Rural (CPR) lastreadas em Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), instrumentos privados cujas taxas não são controladas. Ao desconsiderar essa parcela, o volume de recursos efetivamente disponível sofre uma redução nominal de 17,3%.
Na prática, os valores com juros prefixados, que são controlados pelo governo, cresceram apenas 5% em relação ao plano anterior. Ajustado pela inflação acumulada nos últimos 12 meses, isso representa um decréscimo real de 0,32%. Além disso, parte desses recursos já está comprometida com financiamentos da safra anterior, limitando a disponibilidade para novas operações.
Os R$ 69,1 bilhões destinados ao Pronamp mantêm juros diferenciados, porém, a Aprosoja MT salienta que esses valores não corrigem as perdas inflacionárias. No setor agropecuário, os investimentos controlados de R$ 79,93 bilhões também apresentaram um crescimento nominal insuficiente, enquanto os R$ 21,6 bilhões de recursos livres foram reduzidos em 31% e continuam sujeitos a garantias mais onerosas.
Lucas Costa Beber, presidente da Aprosoja MT, alertou que "na prática, temos menos dinheiro disponível para contratar", enfatizando que os aumentos marginais não conseguem compensar a corrosão do poder de compra dos produtores. Diego Bertuol, diretor administrativo da Aprosoja MT, complementou:
- Considerando que no último Plano Safra apenas 70% do valor anunciado chegou efetivamente ao produtor e que a linha de custeio empresarial, na qual a maioria se enquadra, teve a taxa elevada de 12% para 14%, fica evidente a queda gradativa na sua eficiência.
As novas taxas do Plano Safra anunciam 10% ao ano para o Pronamp e entre 8,5% e 14% para as demais operações de custeio e investimento, dependendo do porte e finalidade do financiamento. Para muitos pequenos e médios produtores, essas taxas inviabilizam o acesso ao crédito, especialmente porque grande parte do orçamento precisa ser direcionada para a quitação de dívidas preexistentes.
A entidade também manifestou descontentamento com a nova exigência de que o crédito de custeio agrícola cumpra as recomendações do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), um instrumento frequentemente desatualizado em relação às práticas agrícolas reais.
Em relação à armazenagem, a Aprosoja MT havia sugerido ampliar o orçamento do Programa de Construção de Armazéns (PCA) para R$ 9 bilhões, com condições facilitadas para pequenos e médios produtores, com base em estudos de déficit. No entanto, o governo destinou apenas R$ 3,7 bilhões para estruturas de até 12 mil toneladas (com taxa de 8,5% ao ano) e R$ 4,5 bilhões para estruturas maiores (com juros de 10%).
Sob a ótica da sustentabilidade, a Aprosoja MT havia solicitado um incentivo de 1 ponto percentual nas taxas de juros para produtores participantes de programas de melhoria contínua reconhecidos pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Contudo, o governo concedeu apenas 0,5%, o que, para a entidade, não promove efetivamente as iniciativas sustentáveis que tanto têm sido propagadas.
- Alguns parâmetros anunciados soam inexequíveis diante do cenário econômico. O governo precisa revisar seus gastos crescentes. O ajuste fiscal é essencial para que as ferramentas monetárias funcionem a favor da produção de alimentos, o que há poucos dias parecia preocupar o executivo – Concluiu Lucas Costa Beber.
A Aprosoja MT reitera que, além das peças publicitárias, o Plano Safra 2025/26 não apresentou avanços significativos e que o excesso de regulamentação prejudicará a efetividade da política pública. A associação continuará defendendo uma política agrícola nacional concreta e exequível, nos termos da Constituição Federal, para que os recursos cheguem efetivamente às propriedades rurais e os produtores tenham acesso a crédito com condições justas.
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