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Repetindo a saga de antigos conterrâneos, nortistas e nordestinos migram para a colheita de algodão no Centro-Oeste
Data de Publicação: 13 de julho de 2022 16:04:00 É o caso da Bom Futuro, de Mato Grosso. O grupo já começou a sua colheita em mais de 167 mil hectares, empregando temporariamente aproximadas 1.000 pessoas
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| "Colheita de algodão", reprodução de pintura à óleo assinada pelo artista plástico Sandro José (site Elo7.com.br) |
*Redação
Num passado, não muito distante, a colheita de algodão em grandes estados produtores da fibra, como Paraná (que, há anos, descuidou e perdeu o status de grande produtor), e Goiás absorvia a mão-de-obra de milhares de trabalhadores braçais, geralmente oriundos do Norte e Nordeste do Brasil, que migravam temporariamente para a colheita manual do algodão.
Com a mecanização do plantio e colheita da fibra, essa fonte de geração de empregos temporários foi bastante reduzida. Mas, a mecanização e a informatização da colheita ainda não chegou a eliminar 100% o trabalho manual nas lavouras, no descaroçamento e na seleção da fibra. Ainda se emprega muita gente.
É o caso da Bom Futuro, de Mato Grosso. O grupo já começou a sua colheita em mais de 167 mil hectares, empregando temporariamente aproximadas 1.000 pessoas.
- A colheita e o beneficiamento demandam mais operações no segundo semestre do ano e, por isso, admitimos estes safristas por meio de contrato determinado de trabalho de seis meses - conta Tiago Goecks, gerente de Recursos Humanos da Bom Futuro.
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"Safristas" passam por capacitação na fazenda (Foto: Bom Futuro)
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E, quase sempre, essas pessoas continuam vindo do Norte e Nordeste. Os alagoanos Antônio Nunes dos Santos, 55 anos, e José Valdemir Bernardino dos Santos, 46 anos, já estão há mais de uma década trabalhando como safristas na Bom Futuro. Para eles, o trabalho vale a pena porque os salários são atrativos, há alojamento e alimentação, e no restante do ano voltam para suas casas no estado de origem.
- Não é fácil ficar longe da família, mas precisamos trabalhar. Aqui, além do salário ser bom, somos bem recebidos - diz Antônio, que há 13 anos vem para Campo Verde trabalhar na safra de algodão.
Ele conta que já trabalhou por muitos anos no litoral de São Paulo e, em 2010, antes de voltar para Alagoas, decidiu tentar a sorte em Campo Verde.
- Meu irmão trabalhava na Bom Futuro e conseguiu esta vaga para mim e estou aqui até hoje.
Já para José Valdemir, o destino deu um empurrão para chegar na Bom Futuro, onde trabalha como safrista há dez anos. Ele trabalhava em Campo Novo dos Parecis, mas saiu do emprego e decidiu tentar asorte em Campo Verde
- Estava na cidade há quatro dias, sem encontrar nada, quase sem dinheiro e resolvi voltar para Alagoas. Na rodoviária, o moço que vendia passagem começou a conversar comigo, contei minha história e ele me indicou para a vaga na empresa - lembra.
Ele nunca pensou em fixar residência em Campo Verde porque acha o custo de vida caro.
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| Processo de seleção e armazenamento de algodão (Foto: Bom futuro) |
- Eu trabalho na safra e volto para Alagoas. Lá faço alguns trabalhos pagos por semana, mas nada fixo, só para não ficar parado. Eu gosto de vir para cá todos os anos, somos muito bem recebidos - afirma.
O gerente de RH, Tiago Goecks, explica que são perfis diferentes de profissionais que vêm para a Bom Futuro na safra.
- Para a colheita do milho, do algodão e beneficiamento, são pessoas da região Nordeste, de estados como Alagoas, Maranhão, Piauí. Já para a colheita de soja, que inicia no começo do ano, são mais mil contratações, mas de pessoas do Sul do Brasil e os contratos são de cerca de 60 dias - diz.
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