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FRUTAS DO CERRADO ][ Araticum: o sabor da inovação e tradição do IFTM Ituiutaba
Data de Publicação: 1 de julho de 2025 16:23:00 De fruto nativo a símbolo de resiliência e inovação, o araticum do IFTM Campus Ituiutaba será o cartão de visitas dos Jogos dos Institutos Federais 2025, destacando a paixão pela culinária e a pesquisa científica de um bioma riquíssimo.
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| Araticum é uma fruta típica do Cerrado (Foto: Embrapa) |
Da redação
No coração do Cerrado, onde a exuberância da flora nativa pulsa com resiliência, o araticum, um fruto nativo, emerge como um potente símbolo de identidade para o IFTM Campus Ituiutaba. Antes uma presença discreta na paisagem, o araticum floresceu para representar a inovação, a tradição e a rica biodiversidade local, tornando-se o cartão de visitas oficial nos Jogos dos Institutos Federais (JIF) IFTM 2025.
O araticum, parente da graviola e da pinha, é um presente genuíno do Cerrado brasileiro, perfeitamente adaptado ao clima e solo da região.
- Sua floração ocorre entre setembro e janeiro, e a frutificação vai de outubro a abril. A espécie está bem adaptada ao período de estiagem graças ao seu sistema radicular robusto e profundo - explica Jacson Hudson Inácio Ferreira, diretor-geral do Campus Ituiutaba.
Essa resiliência do araticum espelha a própria história dos 346 hectares do campus. O terreno, que até 2010 foi ocupado por posseiros com atividades agrícolas e pecuárias, passou por um intenso processo de recuperação ambiental.
- Com o passar dos anos, observamos o retorno de diversas espécies frutíferas típicas da região, sendo o araticum uma das mais abundantes. Sua capacidade de dispersão é notável, com mudas espontâneas surgindo até mesmo nos gramados e jardins - detalha Jacson.
Essa abundância natural despertou a curiosidade e impulsionou a inovação.
- Diante da riqueza desse recurso natural e de seu potencial, iniciamos uma série de testes e experimentações visando seu uso sustentável - completa.
A transformação do araticum em iguarias tem uma protagonista: Neusa Maria Barbosa, que atua no laboratório de agroindústria do Campus Ituiutaba. Com quase 30 anos de IFTM, Neusa encontrou na culinária sua verdadeira paixão.
- Eu sempre gostei muito da culinária. Eu sou apaixonada pela transformação dos alimentos - revela.
Sua paixão remonta à infância, quando seu pai a ensinou a conhecer os frutos do Cerrado. A redescoberta do araticum no campus foi um convite à criatividade, e Neusa, inspirada por um antigo colega, decidiu fazer um sorvete. A partir daí, ela desenvolveu técnicas para aprimorar o uso da polpa, superando o desafio da textura arenosa do fruto.
- Tive a ideia de processar, passar na peneira e depois em um tecido chamado 'volta ao mundo', usado para fazer queijos. Deu super certo! E foi aí a ideia de transformar em suco, sorvete e geleia - conta, orgulhosa.
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Mosaico de quatro fotos tiradas no IFTM Campus Ituiutaba: 1.
Pé de araticum; 2. A fruta araticum ainda no pé; 3. Dona Neusa produzindo
geleia de araticum no campus; 4. Envase da geleia de araticum
Crédito: Danilo Almeida - Diretoria de Comunicação Social e Eventos do IFTM |
A produção da geleia é um processo quase artesanal, guiado pela experiência de Neusa. Após colher e higienizar os frutos, ela bate a polpa, coa e leva ao fogo com açúcar, ajustando a quantidade conforme a maturação do fruto. O ponto é medido no "olhômetro":
- Coloco um pouco da geleia num pires, viro ou passo o dedo no meio. Se não escorrer e não juntar, está no ponto ideal. Gosto mais da prática - descreve.
Seu trabalho vai além da produção; é um resgate cultural.
- É uma fruta pouco conhecida. Muita gente não tem o hábito de consumo. Mas as pessoas mais velhas gostam, se lembram da infância. Tivemos um evento no IF e servimos o suco de araticum. Foi um sucesso, porque resgata o uso de um fruto do Cerrado que está esquecido. Isso para mim é muito importante - afirma.
A paixão de Neusa inspira a academia. O estudo aprofundado do araticum já resultou em um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre a produção de sorbet (polpa concentrada), orientado pelo professor Eduardo Borges, coordenador do curso de Agroindústria e filho de Neusa.
- O objetivo foi desenvolver e avaliar as características de um sorbet de araticum. Tivemos uma boa aceitação global do produto, com destaque para a textura e a cor - explica o professor Eduardo.
A pesquisa, no entanto, revelou um desafio:
- O aroma teve uma baixa avaliação, o que é curioso, pois outros relatos na literatura apontam a mesma questão. É um desafio sensorial a ser trabalhado.
A pesquisa básica abre um vasto universo de possibilidades.
- A motivação é grande, pois pesquisar frutos nativos envolve uma simbologia e uma significância cultural imensa - destaca Eduardo. Os próximos passos incluem parcerias para avaliar aspectos mais complexos, como o perfil de fitoquímicos, a capacidade antioxidante e a preservação desses componentes em processos industriais.
- Pela ausência de dados na literatura, temos muitas possibilidades a serem exploradas, principalmente no desenvolvimento de novos produtos - conclui o professor.
Todo esse trabalho, que integra meio ambiente, tradição e ciência, culminará em um gesto simbólico de hospitalidade. Durante os Jogos dos Institutos Federais (JIF) de 2025, sediados no Campus Ituiutaba, a geleia de araticum produzida no laboratório será distribuída como um presente especial para professores e autoridades. Mais do que uma lembrança, o doce representará a essência do campus: um local que valoriza suas raízes, recupera seu bioma, incentiva a criatividade de seus servidores e transforma recursos naturais em conhecimento e inovação. Será, literalmente, o sabor das boas-vindas do IFTM Ituiutaba, um gosto autêntico do Cerrado que floresceu para se tornar a alma da instituição.
Fonte: Ascom do IFTM.
Araticum, IFTM Campus Ituiutaba, JIF 2025, Cerrado, fruto nativo, biodiversidade, inovação, tradição, culinária, geleia, sorvete, Neusa Maria Barbosa, pesquisa científica, agroindústria, recuperação ambiental, sustentabilidade.
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