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ARTIGO DE OPINIÃO ][ Tocantins 37 anos - de Theotônio a Siqueira, a luta pela criação do Tocantins

ARTIGO DE OPINIÃO ][ Tocantins 37 anos - de Theotônio a Siqueira, a luta pela criação do Tocantins

Data de Publicação: 3 de outubro de 2025 14:34:00 A trajetória do Tocantins, desde o sonho de Theotônio Segurado no século XIX, até a criação pela Constituição Cidadã de 1988, é uma saga de persistência.

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Imagem: Divulgação

Por Vieira de Melo

Chegamos até aqui, 37 anos da criação do estado do Tocantins na proclamação histórica da Constituição Cidadã, em 5 de outubro de 1988, no Congresso Nacional, pelo grande líder da luta democrática brasileira, deputado federal Ulisses Guimarães. Foram anos de luta iniciada ainda no início do século 19 por um grupo de moradores incluindo fazendeiros, tropeiros, professores, padres e servidores entre outros liderados por Joaquim Theotônio Segurado, desembargador português e o tenente  Felipe Antônio Cardoso.

Segurado depois de conhecer com mais profundidade o norte da província de Goyaz e vendo suas potencialidades, convence a Coroa portuguesa  a instalar uma nova  comarca na região. Então, em 19 de março de 1809, o imperador português Don João VI cria por decreto  a Comarca de São João das Duas Barras, ou Comarca do Norte como passou a ser conhecida na época e nomeia como seu titular o desembargador Theotônio Segurado. O propósito era marcar a presença da administração imperial na região e explorar suas riquezas como a lavra do ouro e a criação de gado.

A partir daí cresce o sentimento pela independência da região em relação a província de Goyaz. Ao contrário do sul goiano, a região norte era beneficiada pelas facilidades de transporte fluvial oferecidas pelas bacias dos rios Tocantins e Araguaia e rica em recursos naturais. Em 1821  o sentimento separatista configurou-se na instalação  governo independente do Norte através de uma junta provisória presidida por Theotonio Segurado  com a capital  em Cavalcante.

Theotônio Segurado (Imagem: divulgação)

Com a volta do  imperador a Lisboa estabeleceu-se a formação de uma constituinte portuguesa formada por representantes eleitos por moradores de Portugal  e de suas colônias. Theotonio  é eleito deputado constituinte como  representante da região da Comarca do Norte. Sua saída enfraquece o movimento separatista que foi brutalmente combatido pelas forças da província de Goyaz. Com a proclamação da independência do Brasil Theotônio, perde sua autoridade já que ele era desembargador do império português. Mais tarde volta  a região onde é morto  em,Paranã, fato envolvido uma mistura de disputas de terra e conflito familiar.

"Quase duzentos anos depois, a persistência de visionários e o clamor popular transformaram o sonho de emancipação na realidade de um estado forte e estratégico: o Tocantins."

Felipe Antonio Cardoso se destacou também na luta  pela independência do Brasil atuando fortemente na região da Comarca da Palma e também na sede da província de Goyaz chegando a ser preso pelas suas idéias separatistas. No império  brasileiro foi reconhecido como brilhante estrategista militar, braço direito de Caxias, encerrando sua carreira como brigadeiro do exército imperial brasileiro.

No século 20 a luta separatista renasceu na atuação de intelectuais, jornalistas e estudantes com a criação da Comissão de Estudos dos Problemas da Região Norte, a  Conorte. O sentimento separatista também foi estimulado pela  instalação da  nova capital do Brasil no centro do país e  pela a obra da rodovia Bélem – Brasília que permitiu o melhor acesso a região e a chegada de uma leva de pioneiros atrás de novas oportunidades de vida. Entre os novos moradores chegou, acompanhado pela sua  jovem família, José Wilson Siqueira Campos  na região da futura cidade de Colinas onde participou de sua criação, foi eleito vereador e primeiro presidente da Câmara da cidade recém criada. Já em 1963 retoma a luta pela criação do estado  do Tocantins cujo reconhecimento popular  o leva depois a ocupar uma cadeira na Câmara Federal onde se destaca a frente do projeto separatista.

Tendo Siqueira à frente do movimento separatista, foram incansáveis reuniões, visitas aos municípios da região e construção de alianças que viabilizaram a aprovação pela unanimidade dos parlamentares constituintes do projeto de criação do novo estado do Tocantins. Siqueira chegou a fazer greve de fome quando sua primeira proposta foi vetada pelo então presidente José Sarney. O deputado Totó Cavalcanti também  fez greve na Assembléia Legislativa   de Goiás em protesto pelo veto de Sarney. A luta tomou corpo com a comissão liderada por pelo Juiz federal Darcy Coelho que percorreu a região do norte goiano e recolheu mais de 70 mil assinaturas em favor da criação do novo estado. No parlamento goiano o deputado estadual Brito Miranda, líder do governo na casa, conseguiu o impossível, a aprovação por unanimidade pelos deputados goianos do apoio ao projeto de criação do Tocantins.

Não podia dar errado desta vez, quase 200 anos depois a região norte de Goiás se transformou no novo estado do Tocantins. Em dezembro de 1988  a região elege Siqueira Campos como primeiro govenador  do Tocantins e seu vice e Darcy Coelho, além de senadores, deputados federais e estaduais. Em 1º. de janeiro de 1990 o governo é instalado em Miracema, a primeira capital provisória do estado. Começa aí a saga da instalação e  consolidação do Tocantins.

Siqueira Campos (Imagem; Divulgação)

Agora nosso Tocantins deixa de ser potencial e se consolida como polo de desenvolvimento brasileiro.  Suas terras férteis, seu clima estável e sua localização privilegiada facilita a produção de grãos e carnes e seu escoamento por rodovias e ferrovia estratégicas. Nossas cidades apresentam estruturas urbanas modernas com serviços públicos e privados de qualidade. No entanto há disparidades há serem corrigidas. Mesmo com seu crescimento econômico acelerado, principalmente puxado pelo agronegócio, cerca de 500 mil pessoas vivem no estado abaixo da linha de pobreza. Ainda não há uma política de qualificação profissional de nossos jovens e um forte apoio aos pequenos produtores rurais e pequenos empresários. Falta uma política arrojada e estratégica para garantir nosso desenvolvimento econômico e social.

Um ponto negativo de nossa história recente são os escândalos de corrupção envolvendo dirigentes no estado investigados por suspeitas  de malversação do dinheiro público. Esse cenário, além de prejuízos ao erário, gera desconfiança e afasta parcerias públicas e privadas de investirem em projetos no Tocantins. Apesar de tudo, o sonho de Theotônio, Siqueira Campos  e outros grandes líderes da nossa história se transformou em realidade. Somos um estado forte, uma população com auto estima elevada, uma juventude sonhadora que estão garantindo as nossas conquistas e um futuro mais justo para todos.

TOCANTINS

CO YVY ORE RETAMA

*Vieira de Melo foi secretário de Comunicação do Tocantins.

Artigo publicado originalmente no site vidaeharmonia.com.br 

 

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