Ao navegar neste site, você aceita os cookies que usamos para melhorar sua experiência.
ESPECIAL CONGRESSO ABRAMILHO (F) ][ Política e campo: os rumos do agro no 4º Congresso Abramilho
Data de Publicação: 15 de maio de 2026 10:28:00 O 4º Congresso da Abramilho debateu o avanço do etanol para 32%, o crédito do Plano Safra e os principais gargalos e desafios políticos do setor.
Resumo
O evento reuniu em Brasília lideranças do milho e sorgo. O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu o aumento do etanol na gasolina para 32%, e o ministro André de Paula anunciou prazos estendidos no Prodes. Já o deputado Pedro Lupion criticou os custos de produção e a atuação do governo federal.
_________________________________________________________________________
![]() |
|
O 4º Congresso Abramilho reuniu centenas de atores
do agro e da política (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agro)
___________________________________________________________________________________________________________
|
Por Antônio Oliveira
O 4º Congresso da Abramilho, realizado no último dia 13 em Brasília, repetiu o sucesso do ano passado. A Associação Brasileira do Milho reuniu na capital federal a cadeia produtiva do milho e do sorgo, a cadeia de suprimentos, lideranças desses dois setores da agricultura brasileira, políticos e representantes do Governo Federal. O objetivo foi expor as vitórias e os caminhos vitoriosos trilhados pela cadeia produtiva desses dois grãos, mas também apresentar as dificuldades e as propostas para que, unidos, setores produtivos e governos busquem soluções. E foi assim, mais uma vez. Esta edição do Congresso se consolidou como uma grande tribuna de discussões por melhorias não só do milho e do sorgo, mas de todo o conjunto dos agronegócios brasileiros.
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, e o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, estiveram no Congresso — Alckmin pela segunda vez — representando o Governo Brasileiro e suas políticas agrícolas. Os parlamentos federais foram representados pelo presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado Pedro Lupion e pela ex-ministra da Agricultura, Senadora Tereza Cristina.
![]() |
|
Alkimin e De Paulo chegam ao evento(Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agro)
___________________________________________________________________________________________________________
|
Durante a participação no painel “Agricultura em transformação: desafios atuais e propostas para fortalecer o setor”, que abriu o Congresso, Alckmin defendeu o aumento na mistura de etanol na gasolina, afirmando que os testes já permitem avançar dos atuais 30% para 32%.
— O etanol anidro era 27% na gasolina, passamos para 30%. Os testes autorizam passar para 32% — disse o vice-presidente.
— Hoje, o etanol anidro está bem mais barato do que a gasolina, então tem o ganho econômico, pois barateia o preço da gasolina, tem o ganho ambiental e tem o ganho socioeconômico, porque gera emprego no Brasil. Então, está tudo encaminhado para a gente passar de 30% para 32% o etanol na gasolina — completou.
![]() |
|
Alkimin é recepcionado pelo presidente da
Abramilho, Paulo Bertolini (Foto: Ascom do evento)
___________________________________________________________________________________________________________
|
O aumento da mistura estava na pauta da reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) marcada para 7 de maio e depois cancelada. Anunciada pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD/MG), no final de abril, a proposta é de aumento temporário para o E32. O CNPE foi desmarcado após o presidente Lula (PT) prometer que, além do E32, também estaria em discussão a elevação da mistura de biodiesel no diesel para 16% (B16) — este último, no entanto, nunca entrou oficialmente na pauta.
Já neste mesmo painel, o ministro da Agricultura, André de Paula, destacou a decisão do governo federal de prorrogar os prazos relacionados à exigência do Programa de Regularização Ambiental (Prodes) para concessão de crédito rural com recursos equalizados ou controlados no âmbito do Plano Safra. Segundo André de Paula, o governo trabalha para garantir um Plano Safra compatível com as necessidades do setor produtivo, contemplando medidas voltadas à ampliação do crédito, ao enfrentamento do endividamento rural e ao fortalecimento dos mecanismos de garantia para os produtores.
— Ainda ontem nós celebramos, aliviados, a dilação dos prazos do Prodes. Quero dizer que estamos trabalhando muito, a equipe do Mapa e, de forma transversal, com todo o governo do presidente Lula, para que possamos não apenas apresentar um Plano Safra que, a exemplo dos últimos anos, trará números crescentes e importantes, mas também acomodar as principais preocupações dos produtores. Juros que caibam no bolso do produtor rural, o enfrentamento do endividamento e o fortalecimento do fundo garantidor são questões que estão no centro das nossas discussões — afirmou.
"Trabalhando de sol a sol para colocar a economia em pé: a força que move o campo ultrapassa qualquer barreira política."
Alegando outros compromissos, Alckmin e De Paula deixaram o evento assim que terminou o primeiro painel. Nenhum falou com a imprensa, justamente por causa de outros compromissos, segundo a assessoria dos dois executivos.
Outro político que estava presente e representando a bancada ruralista, via Frente Parlamentar da Agropecuária, foi o presidente desta frente, deputado Pedro Lupion. Bem acessível, atendeu a todos os jornalistas que lhe solicitaram entrevista. Fui um destes e fizemos uma minientrevista.
![]() |
|
Executivo e Legislativo federais foram representandos por Alkimin, De Paula,
Lupion e Teresa Cristina (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agro)
___________________________________________________________________________________________________________
|
Na entrevista, o presidente da FPA, Pedro Lupion, defendeu o repasse de R$ 25 bilhões para o Plano Safra 2026/2027 e criticou a política econômica do governo. Lupion também destacou o alto custo de produção que penaliza o produtor e projetou o posicionamento político do agro.
Segue:
Antônio Oliveira - Deputado, como a Frente Parlamentar da Agropecuária vê a proposta da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA) para o Plano Safra 2026/2027, apresentado neste mês ao Ministério da Agricultura? Acredita que o Governo Federal vai acatá-la inteiramente?
Pedro Lupion - Todos os anos, as nossas entidades apresentam o que imaginam ser, depois de estudos, o que é necessário para o fomento da safra brasileira. A CNA apresentou algo em torno de R$ 25 bilhões de equalização, isso é um volume que nós entendemos como um volume correto, que é o que a gente precisaria de ter de equalização de juros. Quando a gente fala de R$ 25 bilhões, é porque para equalizar 15% da taxa Selic realmente é muito caro, então precisa desses recursos. Nos últimos dois planos safras, esses valores ficaram muito aquém do que tanto a CNA quanto as demais entidades apresentaram como demanda e necessidade para o Ministério da Agricultura. O governo diz não ter de onde tirar esse dinheiro. Um governo que gasta mal, um governo que gasta errado, com uma taxa de juros estratosférica, é o resultado de uma política econômica falha, que gera inflação e traz custo para o produtor. Isso faz com que o juro se torne muito mais caro lá na ponta. Infelizmente, o Plano Safra tem se tornado, cada dia mais, uma opção secundária para o produtor, já que significou, na última safra, menos de 20% do fomento da produção — o resto veio do mercado privado. Então, a participação do governo efetivamente diminui a cada dia, e a gente espera que o poder público consiga demonstrar pelo menos um mínimo de valor necessário para que tenhamos uma equalização justa e se consiga disponibilizar esse recurso para o produtor
Antônio Oliveira - Deputado, diante do atual contexto geopolítico internacional e do contexto político do Brasil, qual a perspectiva que a Frente tem da próxima safra?
Pedro Lupion - A safra brasileira tende a ser boa. O produtor tem uma resiliência enorme, consegue sempre bater recordes e avança muito na produção, mesmo quando os preços estão muito ruins. Quando a gente fala em vender soja a R$ 103, R$ 105 ou R$ 107, estamos apenas empatando com o custo de produção, que é de praticamente R$ 110 em boa parte do país. Então, o produtor está passando por um momento muito difícil, em que o custeio está altíssimo. O custo de produção é elevado porque os insumos estão caros. O cenário geopolítico internacional, as guerras e os problemas econômicos do país fazem com que os nossos insumos se tornem muito mais caros, tornando a atividade praticamente inviável. Antes, a gente conseguia adquirir fertilizantes, defensivos e sementes de qualidade para colocar nas propriedades com mais facilidade. O produtor sabe que isso é cíclico; há cinco anos, vínhamos vendendo a soja a R$ 210, R$ 220, e hoje estamos nessa faixa de cento e poucos reais. Sabemos que, se Deus quiser, isso vai melhorar com o tempo. De qualquer forma, temos uma expectativa boa hoje aqui no Congresso da Abramilho. Os números apresentados pelo setor para a segunda safra são muito positivos. Estamos mudando completamente o modelo de produção de milho: o Brasil se tornou um protagonista enorme na produção de etanol de milho, o que eleva ainda mais a demanda. Além disso, a produção de proteína animal precisa desses subprodutos, que são utilizados por toda a cadeia produtiva. Por isso, vamos continuar trabalhando e fazendo a nossa parte, como o produtor sempre faz, de sol a sol, para colocar esta economia em pé. E isso, obviamente, se o governo e a política não atrapalharem, dá muito certo.
Antônio Oliveira - Deputado, vamos falar de agropolítica. Como a FPA vê o cenário para o ano que vem, com o país dividido entre esquerda, direita e extrema-direita? Qual é a sua perspectiva diante desse cenário, especialmente com a direita e a extrema-direita se digladiando entre si?
Pedro Lupion - Nós temos uma posição política muito clara. Infelizmente, os posicionamentos do atual governo em relação à produção agropecuária e aos produtores do Brasil não têm sido nada positivos. A gente tem feito enfrentamentos diários e constantes em relação a empecilhos que colocam nos nossos caminhos todos os dias, seja na questão trabalhista, na questão ambiental, na questão comercial e, inclusive, na conceituação da produção agropecuária do Brasil. Eu imagino que boa parte dos produtores, a maioria dos produtores rurais do Brasil, tende a ver uma oposição mais opositora ao atual governo e buscar caminhos nas próximas eleições.
Antônio Oliveira - Você acha que a direita e extrema direita terão sucesso digladiando entre si, como se vê?
Pedro Lupion - Primeiro, que eu não falo em direita e extrema-direita. Eu falo em um governo e em uma candidatura de que o país necessita; que consiga ter o equilíbrio necessário para conduzir o Brasil. Nós vamos trabalhar para chegar a esse equilíbrio. Enquanto isso, vamos preparando as pré-candidaturas para que, após as convenções e com os nomes definidos, o setor possa se posicionar
4º Congresso Abramilho, Agronegócio Brasileiro, Plano Safra 2026/2027, Mistura de Etanol, Frente Parlamentar da Agropecuária, Crédito Rural, Pedro Lupion.
INOVAÇÃO AGROCIÊNCIA ][ Prêmio Duda Ermírio de Moraes abre inscrições com R$ 200 mil
Em parceria com a Esalq/USP, premiação vai contemplar soluções tecnológicas e startups para o agronegócio em duas categorias. Saiba Mais +
ESPECIAL ][ Pequeno grande produtor: aos 8 anos, empreendedor mirim cria 80 galinhas e planeja carreira internacional no agro
Morador da zona rural de Piracicaba, Gustavo Mandro une as lições do programa JEPP do Sebrae-SP com a rotina do sítio para gerenciar 23 raças de aves Saiba Mais +
ESPECIAL ][ Cerrado baiano tem o maior centro de análise de fibras da América Latina e consolida-se como um dos polos de excelência em cotonicultura do mundo
Estrutura de R$ 120 milhões foi apresentada na 20ª Bahia Farm Show, evento marcado por debates sobre sustentabilidade e projeção de safra recorde Saiba Mais +
FRUTICULTURA EXÓTICA ][ Limão caviar: a iguaria que custa até R$ 1.200 o quilo ganha primeira variedade nacional pelo IAC
Originário da Austrália e cobiçado pela alta gastronomia por suas “pérolas” de suco, o fruto ganha mercado no Brasil com a cultivar Faustrime, que tam Saiba Mais +Seja o primeiro a comentar!
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Envie seu comentário preenchendo os campos abaixo
|
Nome
|
E-mail
|
|
Localização
|
|
|
Comentário
|
|








.png)
