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CRÔNICA - Pirarucu, o ilustre tocantinense
Data de Publicação: 30 de junho de 2022 16:30:00 Mas continuo acreditando que as Embrapa esparramadas por todo o território da Amazônia Legal vão trazer respostas concretas acerca do andamento das investigações sobre o Pirarucu, o ilustre e importante Arapaima gigas
*Por Roberto Jorge Sahium
Hoje irei fazer mais um tributo que acredito ser justo, correto e democrático. Narrar a verdadeira história de um tocantinense ilustre, sabendo que acolá tem gente que vai dar birra e bater os pés pra dizer o contraditório. Irei fabular uma história, mesmo sendo considerada num arcaísmo de narrativa de pescador, que aprecio; tem mais veracidade nos verbos, do que prosa de determinados políticos esparramados por esse Brasil a dentro. Isso intriga de tal maneira que pode haver até petição de uma CPI.
Trata-se de uma narração não inventada para comoção, e nem com intenção de rabiscar historietas ditas lá ao longe ou moer carne com muxiba pra encher linguiça.
Espere ai! Falando em carne, o Brasil, em 2021, exportou cerca de 1.560.220 toneladas de carne bovina, o que deu uma renda de US$ 7.966,48 bilhões, segundo consta na página do https://www.fazcomex.com.br › Blog › Comércio Exterior.
Se considerarmos que cada tonelada de carne magra tem em torno de 60 a 75% de água, então foram juntos e misturados nessa carne-comex em torno de 936.132.000 quilos ou litros de água. Fazendo a aritmética de beiradeiro, faturamos US$ 4.779,888 bilhões com a água, ou seja, vendemos 1 litro de água “Made in Brasil” a 5 dólares e 10 cents.
Atrapalhei, afastei do assunto desta escritura daqui. Venho versar “traveis” sobre os peixes, digo, sobre os Peixes da Amazônia Legal! Em distinto, sobre os peixes das bacias hidrográficas da Amazônia Legal, que concentra a maior diversidade de peixes de água doce do mundo: são 2.257 espécies descritas ou 15% do total conhecido pela ciência para o hábitat de água doce em todo o mundo, segundo https://portalamazonia.com › Amazônia, e mesmo assim insistem em introduzir peixes estrangeiros nesta bacia, e isso não tem petição de CPI.
Rompendo as corredeiras ou nadando nas águas mansas da Bacia do Araguaia-Tocantins, que faz parte da Amazônia Legal, são mais de 200 espécies inventariadas com importância social, econômica e ambiental, pelas Centrais Elétricas do Norte do Brasil (ELETRONORTE), com apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Entre estas duas centenas de espécies inventariadas, temos um Peixe Rei pelas suas qualidades, especialidades e por nunca ter participado de nenhum ninho de nepotismo, da pré-história até mesmo hoje. Trata-se do magnífico Arapaima gigas, popularmente conhecido por Pirarucu e carinhosamente apelidado de Pirosca pelos torrãozeiros dos campos alagados do Rio Araguaia, o qual vamos tecer uma história.
É assim:
Era uma vez!!!!!
Num mundo dentro de um grande buraco de expansão colossal era morada dos valentes e brigões guerreiros que deram origem ao povo Iny. Prova disso é a Geologia, que não me deixa compor esta parábola sozinho, este paraíso era versado de Depressão do Araguaia, cheio de vegetação, animais, quantidade maravilhosa de aves e em especial as araras, que deram nome ao local de Araguaia, cujo significado é “araras mansas”.
Na época, a guerra, inclusive com baixas, entre aldeias, era uma grande satisfação desta Nação. Pirarucu era um jovem guerreiro, justo e não partilhava das crueldades da sua gente. Sempre pronto para ajudar os vulneráveis da sua nação. Maneira essa criou uma imensa política de má querência, ciúmes e muita inveja entre os guerreiros contra o Pirarucu.
Tupã, Rei dos Reis, furioso pelas atrocidades praticadas pelo seu povo, resolveu castigá-los. Encomendou à Deusa das chuvas e tempestades a Juruá-Açu, um imenso temporal, com trovões de rasgar os céus, ventos e redemoinhos de arrancar Camaçari, Canjerana e Landi inteiros, que deixava Nhanderuvuçu de queixo caído, e assim aconteceu.
Os inimigos do Índio Pirarucu, então, agitaram os movimentos dos contras, montaram uma CPI (Comissão de Punir o Índio), fizeram proselitismo na aldeia, persuadiram o Cacique, dizendo que, para ocorrer o estancamento das chuvas, teriam que sacrificar as pessoas improdutivas da aldeia e junto o Pirarucu que estava sempre ajudando-as.
Permissão conseguida, os movimentos democráticos da época, levaram o Índio Pirarucu para a mata, surrando-o até seu corpo perder os sentidos, neste ajuizamento usaram Varas-de-Piranheira e Cipó-de-Jurema, e para achatar sua cabeça usaram pedras-de-fogo. Iara, Deusa das águas e das chuvas, ainda muito jovem, irmã caçula de Juruá-Açu, vê aquilo e com muita compaixão do pobre moribundo arrastou-o para o fundo de uma aguada e lá nas profundezas, o tocou com varinha-do-milagre, aplicou-lhe curativos feitos com óleo de “Podoi” que guarda em seus princípios ativos propriedades anti-inflamatórias, cicatrizantes e analgésicas. Na cabeça, pelo fato de Pirarucu ser muito inteligente e nos flancos próximos ao sistema genital foram as partes mais penitenciadas, partes onde Iara usou unguento ferroso de pasta da Pedra-Ganga.
E as tempestades transformaram em dilúvio, Serra do Estrondo desliza, depressão engolindo tudo que era de terra, paus e água. Pirarucu de caráter nobre, não guardou mágoa, por sua conta, agora, um peixe de corpo avermelhado pelo unguento de pedras oxidadas do primitivo Cerrado, com robustas e potentes nadadeiras e dois aparelhos respiratórios e assim todas as vezes que subia para respirar na superfície fora da água, trazia consigo das profundezas do buraco das águas os animais, as plantas e o povo Iny. Fez isto por muito, mas, muitos anos.
Lá pelas bandas do Oriente, Noé em sua barca, salvou um casal de cada vivente da região, do dilúvio, citado em Gênesis 6-12[1][2] e assim como no Alcorão.
Após o dilúvio, o barro sedimentou, a grande depressão se transformou numa savana de topografia muito plana, conhecida por planície inundáveis do Rio Araguaia e Ilha do Bananal, lugar sagrado pelos Índios Javaés que a denominam por Iny òlòna, o lugar de onde surgiram ou saíram de baixo os humanos, ou Ijata òlòna, o lugar de onde surgiram as bananas, e atualmente abriga as maiores áreas agricultáveis e irrigáveis do mundo.
O Pirarucu por muitos anos fez oca em uma fonte d´água que margeava a ex-depressão, o qual recebeu o nome de Ribeirão do Pirarucu, em homenagem ao grande feitio do peixe-guerreiro. Este local é situado na divisa dos municípios de Figueirópolis com Formoso do Araguaia, aqui no estado do Tocantins. Quem quiser conhecer a primeira morada de Pirarucu, vá ao Ribeirão Pirarucu, que fica a 25 Km de Figueirópolis do Tocantins.
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Por volta de 1.822 de Arapaima gigas, foi batizado por Georges Cuvier – naturalista e zoólogo francês (Foto: Governo do Amazonas)
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Pirarucu inquieto não serenou, grande empreendedor que é, resolve conhecer uma parte do mundo. De sua morada rumou para o Rio Formoso, adentrou no Lago do Caracol e parou uns dias nos lagos do Mamão e Sororocam dentro da Ilha do Bananal, onde povoou, também deixou raça nos lagos Escondido do Domingos Pereira, no Lago do Butelo na Capiaba, na Lagoa Bonita em Dueré e Lago da Pedra, em Pium, onde procriou. Chega ao Rio Javaé, passando pelo Cantão que por uns tempos fincou morada. Pirarucu não satisfeito, queria conhecer mais, daí, desceu o Rio Araguaia até cair na calha do Rio Tocantins, que ligeiro mergulhou no Rio Amazonas, aproveitando as folgas das pororocas, e adentrou povoando as águas do Pará, Mato Grosso, Acre, Rondônia, Roraima, Amapá e Peru.
Por volta de 1.822 de Arapaima gigas, foi batizado por Georges Cuvier – naturalista e zoólogo francês. A despeito de aparecer museólogo e ao mesmo tempo domar a inteligência natural, por se tratar de uma criatura que cruzou vários espinheis pendurados pela linha do tempo, ajuíza neste peixe uma obstinação de perpetuação, e com isto se prepara para atravessar o túnel do tempo que serão construídos com as mudanças climáticas e o aquecimento global.
Em diferentes palavras, pode-se afirmar que com relação as mudanças climáticas, que envolvem fenômenos naturais como possível diminuição da água, aguadas de qualidades precárias e comprometidas pela baixa taxa de oxigênios, pH, altas temperaturas e altas concorrências de habitats, Pirarucu vem trabalhando nisso milhões de anos, desenvolvendo uma fuselagem que parece uma armadura, respira dentro d´água e fora d´água, come o que gosta e o que não gosta, pela sua dimensão possui um estomago pequeno, tem uma digestibilidade fantástica, apresenta movimentos rápidos quando precisa, queixo duro que parece uma bigorna, para combater os inimigos, caso seja provocado. Tem hábitos de formar casais, sobrevém quando nas primeiras trovoadas, as enxurradas entrando nos minguados e barrentos lagos, acende no Pirarucu um estímulo de procriação para o perpetuamento da casta e assim a fecundação ocorre em ninhos no fundo arenoso das águas rasas.
Quanto ao aquecimento global refere-se mais especificamente ao aumento médio da temperatura na superfície da terra, nisso o Pirarucu vai topar uma chaleira infernal, mas em relação a outros peixes tropicais se sairá melhor, por tolerar temperaturas de até 37º C e no mais Pirarucu foi professor do senhor da guerra. Diante dos desafios das mudanças climáticas e o aquecimento global a piscicultura é a importante ferramenta, para perpetuação e ao mesmo tempo tirá-lo de uma lista de risco de extinção.
Todavia para dar uma d´mão a esse Rei na produção de descendentes para atender a piscicultura, precisamos também de uma d´mão do São Francisco, o Santo padroeiro dos animais, inclusive os das águas, para clarear as cabeças de nossos pesquisadores. Primeiro para terem empatias com peixes e, segundo, humildade de reconhecer que a reprodução artificial de Pirarucu não caminhou o suficiente, e ter simplicidade para obter sabedoria dos torrãozeiros para diminuir custos, pois, dizendo os pesquisadores os investimentos tecnológicos estão insuficientes e de forma condizente engasga os afazeres e andamento das pesquisas.
Todos sabemos que o dinheiro arrecadado pelo Grande Cofre Nacional, primeiro é para inundar as contas afogadas dos Poseidons, os Deuses que tomaram de assalto a Praça dos Três Poderes (executivo federal, legislativo e judiciário) de Brasília, transformada em uma espécie de Vaticano do Brasil, congregando aí um dos maiores PIB mundial. O que sobra disso tudo vão para as contas não essenciais, que só o povo do Vaticano sabe quem são.
Mas continuo acreditando que as Embrapas esparramadas por todo o território da Amazônia Legal vão trazer respostas concretas acerca do andamento das investigações sobre o Pirarucu, o ilustre e importante Arapaima gigas. Mas tem que ser rápido esta resposta, porque em nome de salvar a piscicultura já introduziram a tilápia, o panga, as carpas, bagre-africano e logo virão outros como o peixe-tigre. Enquanto isso, excelentes peixes brasileiros para produção de carne estão sendo levados principalmente para os países de onde estão vindo estes peixes introduzidos na Amazônia Legal. Aí temos a África, Ásia, Oriente Médio e outros.
Ah! Só para curar a curiosidade de muitos, Tupã, querendo redimir da besteira cometida, fez da costela do Pirarucu Macho e Pirarucu Fêmea, não do rabo para ser pisada, nem da cabeça para ser superior, mas sim do lado para ser igual, debaixo da nadadeira lateral, para ser protegida e do lado do coração para ser amada e juntos, Pirarucu macho sua parceira a Pirarucu fêmea, estarão nadando pelo resto da vida.
Inté pra nóis.
Personagens coadjuvantes desta fábula
Iny: nome dos antepassados dos Carajás e Javaés.
Tupã: é o grande criador dos céus, da terra e dos mares, assim como do mundo animal e vegetal. Além de ensinar aos homens a agricultura, o artesanato e a caça, concedeu aos pajés o conhecimento das plantas medicinais e dos rituais mágicos de cura.
Juruá-Açu: é uma deusa do panteão Tupi-Guarani que esta´ associada a` chuva e ao orvalho e irmã mais vela de Iara.
Nhanderuvuçu: é o que ordenava o caos na terra.
Iara: Uiara ou Mãe-d'água é uma linda sereia que vive nos rios amazônicos. Sua pele é parda, possui longos cabelos verdes e olhos castanhos.
A Bacia do Araguaia-Tocantins: maior complexo hídrico superficial totalmente brasileiro.
*Roberto Jorge Sahium é engenheiro agrônomo raiz, membro da Academia de Letras da Assistência Técnica e Extensão Brasileira
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Adorei a matéria





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