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ELEIÇÕES 2026/ENTREVISTA ][ Senadora Professora Dorinha projeta o futuro do agro no Tocantins

ELEIÇÕES 2026/ENTREVISTA ][ Senadora Professora Dorinha projeta o futuro do agro no Tocantins

Data de Publicação: 17 de abril de 2026 10:08:00 Em entrevista exclusiva, a Senadora detalha como a agroindustrialização, a logística multimodal e o fortalecimento do MATOPIBA impulsionarão o estado.

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Resumo

A Senadora Professora Dorinha destaca o papel estratégico do Tocantins no agronegócio brasileiro, defendendo a agroindustrialização, a expansão da fruticultura irrigada e soluções para gargalos logísticos. Ela propõe o uso de fundos constitucionais para armazenagem rural e parcerias para fortalecer a infraestrutura e a agricultura familiar. Nesta entrevista, a segunda de uma série com pré-candidatos ao governo do Tocantins, Dorinha se mostrou muito conhecimento do agro empresarial e familiar no Estado. Até corrigiu o repórter.

 

Senadora Professora Dorinha: Propostas de desenvolvimentos
dos agros no Tocantins (Foto: Ascom da Senadora)
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Por Antônio Oliveira 

Com um olhar estratégico sobre a economia estadual, a Senadora Professora Dorinha detalha nesta entrevista suas propostas para consolidar o Tocantins como a principal força agroindustrial das regiões Norte e Nordeste. Como pré-candidata ao governo, ela enfatiza que o estado já superou a fase de ser apenas um grande produtor de grãos e agora deve focar na verticalização da produção, transformando matéria-prima em produtos de valor agregado dentro do próprio território. Entre as prioridades, a senadora destaca a solução para o déficit de armazenagem através de linhas de crédito facilitadas, o fortalecimento do Polo de Fruticultura Irrigada e a conclusão de obras logísticas vitais, como a Hidrovia Araguaia-Tocantins, visando reduzir custos e ampliar a competitividade do produtor tocantinense.

Antônio Oliveira – Olá, Senadora. Obrigado por aceitar nosso convite para esta entrevista. Vamos falar sobre o agronegócio empresarial e familiar no estado do Tocantins. Eu começo perguntando como a senhora vê o desenvolvimento do agronegócio empresarial no estado, desde o reconhecimento das boas condições edafoclimáticas para a produção de grãos — sobretudo soja e milho — até a diversificação atual de culturas.

Senadora Professora Dorinha – Tocantins já se consolidou como um dos maiores produtores de grãos do Brasil, ocupando a 9ª posição e o maior da região Norte. Localização estratégica, clima favorável, disponibilidade de terras e de solos férteis, logística privilegiada com estradas, a ferrovia Norte Sul e com a hidrovia Araguaia-Tocantins em curso, não tendo dúvidas que a tendência e ampliar ainda mais sua participação no cenário nacional, e vamos trabalhar para isso, porque Tocantins é vocacionado para o agro, e merece desenvolver a agroindustrialização. Dados da FAET de 2024, indicavam pouco mais de 63 mil estabelecimentos rurais em nosso estado, com mais de 21 mil produtores que compõem essa categoria do agronegócio empresarial, têm desempenhado um papel fundamental na produção das principais culturas fazendo com que a produção em 2026 no nosso estado alcance mais de 9,6 milhões de toneladas, e é importante que haja esse movimento na diversificação da atividade, e nesse cenário, temos alguns fatores que contribuirão para isso, como já observamos a criação do polo da fruticultura irrigada que é fruto do trabalho que desenvolvemos em parceria com o setor produtivo, já reconhecido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, abrangendo 7 municípios e que deve fortalecer a produção de abacaxi, melancia e outras espécies de frutas, o cultivo do cacau, de gergelim assim como o fortalecimento das atividades da pecuária, inclusive na produção de suínos e aves.

Antônio Oliveira – Além das boas condições de clima e solo para a produção agrícola diversificada, o Tocantins possui uma localização geográfica privilegiada e um robusto projeto de logística multimodal, que integra rodovias e ferrovias. No entanto, o projeto da Hidrovia Araguaia-Tocantins parece estar 'no meio do caminho', entre entraves burocráticos, demandas ambientais e falta de recursos. Como a senhora acompanha essa questão, o que já fez por esse projeto e o que pretende fazer caso chegue ao Governo do Estado?

Senadora Professora Dorinha – No final de 2025 (16 de dezembro), a Justiça Federal decidiu pela retomada do projeto do Pedral do Lourenço e o Governo Federal avançou com a autorização para o início das obras no trecho 2, após a validação do licenciamento ambiental pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), lembrando que como coordenadora da Bancada do Tocantins, consideramos esse projeto essencial para o escoamento da produção no estado, tendendo a reduzir os custos para os nossos produtores, tanto que o mesmo integra a carteira de investimentos do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do Governo Federal e vamos continuar trabalhando para que a obra seja concluída para eliminar essa, que é a principal limitação à navegação contínua da hidrovia Tocantins-Araguaia, que tem cerca de 1.700 quilômetros de extensão, unindo regiões produtoras do Norte e do Centro-Oeste ao Porto de Vila do Conde (PA), desempenhando papel fundamental na integração regional.

Antônio Oliveira – O Tocantins atravessa um processo de agroindustrialização, tanto na agricultura quanto na pecuária. É um movimento ainda lento, devido a fatores como a necessidade de políticas públicas mais eficazes de atração de investimentos e a ampliação da oferta de matéria-prima. Na realidade, o estado possui plenas condições para se consolidar como o maior polo agroindustrial das regiões Norte e Nordeste. Como a senhora analisa esse cenário e qual seria sua plataforma de trabalho para acelerar essa industrialização, caso seja eleita governadora?

"Tocantins é vocacionado para o agro e merece desenvolver a agroindustrialização."

Senador observa a carência de armazenagem
no Tocantins (Foto: Ascom da Senadora)
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Senadora Professora Dorinha – De fato, dos principais segmentos industriais no estado, a Industria de alimentos representa apenas 17,2% e a de  derivados de petróleo e biocombustíveis (2,5%) e, apesar da indústria de alimentos constar dos dados estatísticos como o setor que mais se desenvolveu nos últimos anos, não acompanhou o mesmo desempenho do crescimento da produção no campo, e nesse contexto, temos que ter um olhar para o beneficiamento do arroz, de forma a modernizar os equipamentos e utilizar tecnologias mais modernas. A forte atuação do agro enseja um esforço de todos os atores, inclusive do governo do estado no sentido de priorizar condições adequadas para atração de investimentos para atender a cadeia de óleos vegetais (soja e milho), no setor de carnes (bovinos, suínos e aves), ter um olhar no abate de animais (frigoríficos), mas lembrar que a indústria de ração ajuda a escoar a produção de grãos permitindo que a produção do estado seja aqui mesmo beneficiada e industrializada, melhorando ganhos para quem produz o grão e  reduzindo os custos para quem produz carne, inclusive o pescado que temos condições de dar um salto na produção. Nesse cenário, devemos nos aproximar da SUDAM para buscarmos com mais eficiência os incentivos para investimentos importantes do setor produtivo no nosso estado e complementar com ações e iniciativas do governo do estado com o setor produtivo, mas é preciso entendermos como se comportará a nova reforma tributária, sem perder de vista que, o Tocantins compõe a região Norte  e assim, temos que buscar todos os meios possíveis para incrementar o desenvolvimento por meio da verticalização, utilizando os recursos do FNO (Fundo Constitucional do Norte), do FDNO (Fundo de Desenvolvimento do Norte), o FINAM (Fundo de Investimento da Amazônia Legal) e os Incentivos Fiscais que podem ser estudados e aprovados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia – SUDAM.

Antônio Oliveira - Senadora, safra após safra, os produtores de grãos no estado enfrentam um problema histórico de logística: as péssimas condições das rodovias estaduais e vicinais. Não estaria na hora de o Governo do Estado e os produtores rurais, por meio de suas associações, unirem forças em parcerias para que o próprio setor resolva essa demanda? Temos o exemplo do oeste da Bahia, onde associações mantêm patrulhas mecanizadas próprias para construção e manutenção de estradas, atuando em conjunto com municípios e o Estado, e contando com fundos específicos da agricultura.

Senadora Professora Dorinha – Infraestrutura e logística é um problema que afeta praticamente todos os estados do Norte, do Centro-Oeste e do Nordeste, em especial os estados que compõe a região do MATOPIBA e, neste cenário, para o produtor rural, estrada é o menor dos problemas, pois a falta de capacidade estática para armazenar sua produção se torna uma questão ainda mais séria, porque a falta de armazéns faz com que o escoamento da produção esteja concentrado no curto período da colheita da safra e em período onde é comum as chuvas, onde essa elevada concentração de caminhões pesados circulando, contribui para reduzir a qualidade das estradas e aumentar o risco das viagens. Com mais um recorde de produção aqui no estado do Tocantins, a capacidade estática de armazenagem deve ficar entre 20 e 25%, ou seja, pelo menos 75% da nossa safra terá de ser comercializada no momento da colheita, e aí, acumula prejuízos por perda de qualidade do produto, que significa preço menor para o produtor, em contrapartida vem o aumento do custo do frete além das perdas no transporte. É por isso que propomos e o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional acatou nossa proposta de utilizar os recursos dos Fundos Constitucionais para criar o Programa de Armazenagem Rural com limites maiores de financiamento, prazos que chegam a 15 anos com 5 de carência e juros reduzidos nos mesmos níveis dos programas prioritários dos Fundos Constitucionais. Você trouxe exemplos importantes da participação dos produtores no processo de melhoria de infraestrutura, mas existem outros exemplos de êxito na melhoria da infraestrutura, como FUNDERSUL (Fundo de Desenvolvimento do Sistema Rodoviário de Mato Grosso do Sul) que existe desde 1999, financiado principalmente por produtores rurais, arrecadando recursos, via ICMS sobre produtos agropecuários, para a construção, manutenção e melhoramento de rodovias e infraestrutura viária no MS, o FETHAB (FETHAB – Fundo Estadual de Transporte e Habitação), financiado principalmente por contribuições do setor agropecuário (soja, pecuária, madeira, algodão) , que desde 2000 arrecada recursos para investimento em infraestrutura de transporte (rodovias, pontes) e, secundariamente, para a habitação e o mais recente deles, o FUNDEINFRA, no estado de Goiás.

Ladeada pelo Senador Eduardo Gomes; da presidente da Aprosoja
Tocantins, Caroline Barcellos; do presidente do Sistema Senador/FAET,
Paulo Carneiro e demais lideranças do agro do Tocantins,
assina protocolo de compromisso com o agro do Tocantins
(Foto: Divulgação)
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Antônio Oliveira - Senadora, novas culturas ainda se desenvolvem a passos lentos no estado. Um exemplo é a piscicultura, especialmente em águas da União, nos lagos das hidrelétricas. O potencial é tão vasto que alguns especialistas afirmam que o Tocantins poderia, sozinho, igualar a produção nacional atual. Como a senhora analisa esse entrave e qual sua proposta de ação governamental para o setor, considerando a carência de frigoríficos, tanto comerciais quanto coletivos, para o pequeno produtor?

Senadora Professora Dorinha – Não temos dúvidas que o nosso estado apresenta um grande potencial hídrico e climático, e tem buscado se fortalecer em relação ao resto do país, tanto que em 2025, com a produção de 20,4 mil toneladas, uma expansão de mais de 12% em relação a 2024, Tocantins se destacou como o estado que mais contribuiu para o crescimento do setor no País, e a iniciativa do Governo Estadual com a criação da criação da Secretaria da Pesca e Aquicultura (SEPEA) que certamente tem contribuído para os resultados alcançados. Como coordenadora da bancada do Tocantins, temos acompanhado e apoiado as ações do governo do estado do Tocantins na criação dos instrumentos necessários para apoiar e fortalecer a aquicultura, com a atualização da legislação estadual para buscar simplificar o licenciamento ambiental e o ato administrativo, que libera o cultivo da tilápia em tanques-rede em águas da União, pode não ser suficiente, mas já disponibilizando corpo técnico para assistência técnica e extensão rural em todas as regiões do estado. Apesar disso, os gargalos sempre apontados pelo setor está relacionada ao custo de produção, uma vez que a ração representa, em média, 80% dos gastos totais, questões consideradas como burocracias ambientais apesar dos processos de simplificação já implementados, falta de infraestrutura de logística e transporte, aspectos relacionados à clandestinidade e a informalidade e assistência técnica ainda deficitária, gargalos que podem ser superados por meio de parcerias com o Sistema SENAR, SEBRAE e SESCOOP para fortalecer ainda mais a capacitação e assistência técnica e superar os desafios de inserir o nosso produto no mercado local e nacional, além das parcerias institucionais com Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Ministério da Pesca e Aquicultura, Embrapa, Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf).

"Estrada é o menor dos problemas quando a falta de armazenagem consome o lucro do produtor."

Antônio Oliveira – Senadora, o Tocantins possui uma grande vitrine para o agronegócio e a agricultura familiar: a Agrotins. Criada pelo Governo do Estado e tratada como prioridade por sucessivas gestões, a feira hoje está consolidada. Em minha opinião, ela já deveria ter sido privatizada. O papel do Estado foi cumprido ao criá-la e fortalecê-la; agora, caberia passá-la à iniciativa privada, com o devido fomento, para evitar problemas organizacionais como os vistos nas preliminares da edição deste ano. Convenhamos que não cabe ao Governo empreender na realização de eventos. O que a senhora pensa sobre isso?

Senadora Professora Dorinha – Não vejo que transferir a gestão e organização da AGROTINS para a iniciativa privada seja um problema, pois já tem sido a prática em diversas feiras espalhadas pelo pais e o estado pode ser um parceiro para apoiar sua realização, mas é um assunto que tem de ser tratado com o setor produtivo e seus representantes, como a FAET, APROSOJA-TO, OCB, FRÍSIA Cooperativa Agroindustrial, Novilho Precoce, ADSTO – Associação para o Desenvolvimento Sustentável do Tocantins, o SEBRAE e outros parceiros que participam e colaboram com a AGROTINS.

Antônio Oliveira – Passemos agora para a agricultura familiar que, de norte a sul do Tocantins, é muito forte e abastece não só o nosso estado, mas diversas outras regiões. Contudo, apesar da competência e da boa vontade dos técnicos da extensão rural, o Ruraltins ainda deixa a desejar por falta de recursos humanos e financeiros à altura de suas necessidades. Além disso, há o problema das interferências político-partidárias, com a nomeação de políticos em vez de técnicos para a presidência do órgão. O que a senhora pensa sobre essa questão e qual seria sua política para a extensão rural do Estado?

Senadora Professora Dorinha – Os dados indicam que no nosso estado, são aproximadamente 42 mil agricultores familiares, distribuídos em 540 assentamentos, tanto da Reforma Agrária quando do Crédito Fundiário, produzindo diversos tipos de culturas, como mandioca para a produção de farinha e seus derivados, arroz, leite, frutas, carnes de frango, de suíno e de bovino, que tem como uma de suas características, sua diversificação na exploração da propriedade. A assistência técnica e extensão rural, capacitação e qualificação deve ser um dos pilares para dar sustentabilidade para a agricultura familiar e os pequenos agricultores, e a RURALTINS deve ser esse importante instrumento de disseminação de tecnologia e de melhoria dos indicadores, seja de produtividade, de qualidade, como de diversificação da atividades no campo, e não tenho dúvidas que deve ser ocupada por quadros qualificados e pode sim ser ocupada por um quadro político, mas com capacidade técnica e capaz de dialogar com o os seus servidores, com o setor agropecuário do estado e com as diversas entidades que podem ser parceiras e auxiliar para fazer com que mais produtores tenham acesso às modernas tecnologias aplicados ao agro, por meio da assistência técnica e extensão rural, e nessa parceria devemos considerar a ANATER - Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural, o SENAR, o SEBRAE, o sistema OCB e outros parceiros que podem nos auxiliar para.

Antônio Oliveira – Ainda no campo da agricultura familiar, o Tocantins possui plenas condições logísticas, estruturais e edafoclimáticas para produzir hortifrutigranjeiros, abastecer as regiões Norte e Nordeste e até exportar frutas tropicais. Isso se deve aos seus projetos de irrigação, tanto familiares quanto empresariais. Entretanto, esses projetos — incluindo o Rio Formoso — carecem de políticas públicas adequadas. Muitos deles, especialmente no centro e norte do estado, estão praticamente sucateados. A exceção é o Projeto Rio Formoso, que passa por reestruturação, mas ainda sem foco em ampliação. A política administrativa do estado não deveria mirar no exemplo bem-sucedido de Juazeiro e Petrolina? O que a senhora pensa sobre isso e o que propõe para o setor?

Senadora Professora Dorinha – Creio que nós já estamos caminhando para intensificar a produção de frutas no estado, basta lembrar que em 2024 o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional reconheceu o Polo de Agricultura Irrigada no Sudoeste do Tocantins, e ainda o primeiro da região Norte, que passa a ter o apoio do Governo Federal que envolve ações relacionadas a planejamento de ações articuladas com outros órgãos e até mesmo o repasse de recursos para o desenvolvimento da produção, lembrando que a região Norte ainda conta com o Fundo Constitucional, o FNO que pode disponibilizar créditos para estimular o desenvolvimento da agricultura irrigada. O fato de Petrolina e Juazeiro ser um exemplo de sucesso na produção de frutas, não significa que sempre foi uma calmaria. Tem uma combinação de fatores naturais, investimentos públicos por meio da CODEVASF, que podemos utilizar sua expertise para fomentar os projetos de irrigação e tecnologias avançadas, até se consolidar na produção de uva e manga, com foco na exportação e diversas ações para viabilizar e acelerar o processo de exportação para atender a demanda internacional, com a implantação inclusive do REDEX, para agilizar os processos aduaneiros, e no nosso estado, com toda a condição edafoclimática, não tenho dúvidas que a produção de frutas impulsionará a atividade econômica no estado e assim como trabalhamos para a criação do Polo de irrigação, é preciso buscar os caminhos para que a fruticultura irrigada se desenvolva cada vez mais no nosso estado, dialogando com a CODEVASF, o MAPA e o MIDR para nos ajudar nos investimentos necessários para que isso aconteça.

Antônio Oliveira – Falando em exportação, Palmas possui um terminal de carga aérea pronto e entregue há anos, mas subutilizado. Esse terminal poderia servir como ponto estratégico para a exportação de frutas de Juazeiro e Petrolina e, com políticas públicas e investimentos privados, escoar a produção dos nossos próprios projetos de irrigação, especialmente o Manuel Alves. Como a senhora pretende viabilizar o pleno funcionamento desse terminal e o que propõe para integrar a produção de frutas do sudeste do estado a essa rota de exportação aérea?

Senadora Professora Dorinha – Petrolina e Juazeiro contam com uma interação de modais, ou seja, o marítimo é o principal meio utilizado para a exportação de grandes quantidades para a Europa e Estados Unidos, com o modal rodoviário sendo utilizado para o transporte até o porto de Suape (PE) ou os portos do Sudeste, sempre em contêiners refrigerados, lembrado que Petrolina já conta com  um aeroporto internacional, um importante hub logístico para a exportação de frutas para o envio rápido quando demandado. Como se percebe, a exportação de frutas depende de investimentos em câmaras frias, contêiners refrigerados e isso pode ser muito bem aproveitado com investimentos para aproveitar o hub ferroviário e rodoviário, e até mesmo o aeroporto, mas é importante que sejam feitos estudos de viabilidade técnica e econômica para investimentos assertivos, principalmente da iniciativa privada, que somente investirá se o estado criar as condições favoráveis para a atração desses investimentos, e o estado do Tocantins em parceria com o Governo Federal e utilizando dos incentivos disponibilizados pela Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), tem condições de criar meios para atrair investidores e fomentar a fruticultura irrigada, como forma de diversificar a atividade agrícola e criar melhores condições de sustentabilidade para a agricultura familiar.

Antônio Oliveira – Acabo de receber (por meio do senador Irajá e do vereador Carlos Amastha, respectivamente em ato público e em redes sociais) a informação de que o presidente Lula recriou a Agência MATOPIBA. Na sua opinião, qual é a relevância estratégica dessa agência para o desenvolvimento socioeconômico do Tocantins? Além disso, a senhora pretende estabelecer parcerias com ela?

Senadora Professora Dorinha – A região do MATOPIBA é uma região estratégica na produção de grãos e vem se consolidando como a principal “nova fronteira agrícola” brasileira. Topografia que permite mecanização agrícola e com o uso de tecnologias inovadoras já incorporadas pelo produtor, o que se tem observado, alto rendimento e produtividade, produção elevada que impulsiona a economia local, gerando emprego e renda e atração de investimentos. No dia 18 de março, assumimos a responsabilidade de presidir a Frente Parlamentar Mista do MATOPIBA, e o nosso foco será integrar políticas públicas que fortaleçam não apenas a produção agrícola, mas também áreas como infraestrutura, tecnologia da informação, o fortalecimento das cadeias produtivas e a geração de renda e desenvolvimento social, e incorporar o MATOPIBA as estratégia de desenvolvimento regional do Ministério do Desenvolvimento Regional, certamente ajudará na alocação de recursos para investimentos em programas voltados à região, complementando as ações e o apoio que vem sendo empenhado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária. Parcerias estratégicas com o poder público federal e com a iniciativa privada, sempre será utilizada como mecanismos para apoiar as ações do estado na consecução de seus objetivos e, juntamente com Agência do MATOPIBA, quando for criada, porque até o momento o Congresso Nacional não recebeu nenhuma proposta legislativa com essa finalidade, ajuda-la no seu papel estratégico em relação às diretrizes norteiam o desenvolvimento da região, como o aumento da eficiência da infraestrutura logística, incentivar a inovação e no desenvolvimento tecnológico, ampliar e fortalecer a classe média rural e trabalhar para implementar instrumentos de mobilidade social que promovam a melhoria da renda, do emprego e da qualificação profissional de produtores rurais e de toda a população da região.

Antônio Oliveira – Senadora, deixo este espaço final disponível caso a senhora necessite acrescentar algo mais. Agradeço pela entrevista e desejo a senhora pleno êxito em seus ideais e projetos.

Senadora Professora Dorinha - Agradeço a oportunidade de tratar de um tema que é central para o presente e, principalmente, para o futuro do Tocantins. Quando falamos do agronegócio tocantinense, estamos falando de geração de emprego, renda, desenvolvimento regional e oportunidades reais para milhares de famílias, tanto no campo quanto nas cidades. Nosso desafio é avançar com responsabilidade, garantindo crescimento com sustentabilidade, inovação e inclusão produtiva. O Tocantins tem potencial para dar um salto ainda maior.

 

Agronegócio – Tocantins – Agroindustrialização – Logística – Fruticultura – Hidrovia – Armazenagem Rural – MATOPIBA

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