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ENTREVISTA ][ Castrolanda expande fronteiras e leva tecnologia ao Tocantins

ENTREVISTA ][ Castrolanda expande fronteiras e leva tecnologia ao Tocantins

Data de Publicação: 22 de junho de 2026 16:24:00 Em entrevista exclusiva, o presidente de uma das maiores cooperativas do Brasil, o agropecuarista Willem Bouwman detalha como a Castrolanda leva a força do cooperativismo do PR para o agro do Tocantins.

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Resumo

Castrolanda avança em Colinas (TO) com nova unidade para 44 mil t de grãos e foco em logística estratégica (BR-153 e Ferrovia Norte-Sul). Com suporte da Fundação ABC e foco no cooperativismo, o entreposto amplia a atuação no Cerrado e atende produtores paranaenses e locais.

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Por Antônio Oliveira

Presidente Willem Bouwman projeta a nova era de
expansão estratégica no Cerrado (Foto: Castrolanda)
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Com mais de uma década de dedicação aos conselhos e à governança da cooperativa, Willem Berend Bouwman assumiu a presidência da Castrolanda em 2020, sucedendo uma gestão histórica de 24 anos. Sob a sua liderança, a gigante do agronegócio paranaense expandiu fronteiras e consolidou seu crescimento sustentável através da intercooperação, da tecnologia de ponta e do fortalecimento das cadeias de valor.

Natural de Castro, no Paraná, Berend é Engenheiro Agrônomo pela Universidade Estadual do Norte do Paraná. Na atividade econômica desenvolve projetos de agricultura e ovinocultura.

Nesta entrevista exclusiva, Bouwman detalha o plano de expansão estratégica para o Cerrado e as projeções que transformam a nova unidade em Colinas do Tocantins no próximo grande marco da cooperativa.

Antônio Oliveira – A Castrolanda tem suas raízes profundamente ligadas ao Paraná. O que levou a diretoria executiva a romper a barreira geográfica do Sul-Sudeste e cravar no Tocantins a sua nova fronteira de expansão?

Willem Bouwman – De fato, nós selecionamos o Tocantins após uma análise detalhada do nosso setor de estratégia, que mapeou vários estados brasileiros com potencial para a ampliação da área agrícola. O Tocantins atendeu à maioria dos requisitos estipulados. Mais especificamente, o município de Colinas do Tocantins (no norte do Estado e na área de influência da Ferrovia Norte-Sul) ofereceu uma amplitude ainda maior, consolidando-se como o local ideal para a expansão das nossas operações.

Antônio Oliveira – A sucessão familiar também contribuiu para este novo horizonte?

Willem Bouwman - Com certeza. Nós identificamos um forte anseio dos nossos associados, principalmente agricultores, em expandir sua área de atuação e aumentar a produção. Como as terras aqui no Paraná estão muito valorizadas, dificultando a expansão, nós focamos nessas famílias e nas novas gerações que estão chegando. Esse cenário, sem dúvida, foi um dos motivos decisivos para avançarmos com a nossa ida para o Tocantins.

Antônio Oliveira – Quais diferenciais competitivos do Tocantins e do MATOPIBA — como a janela de safra, custo de terra e a logística — foram decisivos nos estudos de viabilidade iniciados pela cooperativa?

Acelerando no Cerrado: Com obras em ritmo avançado, nova
unidade da cooperativa se consolida em Colinas (Foto: Castrolanda)
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Willem Bouwman - O Tocantins apresenta características muito específicas. Embora as condições de solo sejam mais desafiadoras do que as do Paraná, o estado já conta com uma estrutura logística bastante interessante. Além disso, o perfil das propriedades é de médio porte, muito semelhante ao dos nossos associados paranaenses. O preço da terra também é um grande diferencial, sendo muito mais atrativo do que na nossa região de atuação atual. Quanto à janela de safra, ela se assemelha à do Paraná com o foco nas culturas de verão, embora o inverno lá, devido à escassez de chuvas, impossibilite o cultivo nesse período.

Antônio Oliveira – A unidade de Colinas do Tocantins é o primeiro grande marco físico fora da região de origem. Considerando o cronograma que visa atender as próximas safras, como está o andamento atual das obras de engenharia do entreposto?

Willem Bouwman - Atualmente, as obras estão na faixa entre 55% e 60% de conclusão. Nosso planejamento prevê que a estrutura esteja totalmente pronta em janeiro, apta a receber a produção dos associados já instalados na região de Colinas. Temos tanto produtores que migraram do Paraná quanto novos cooperados locais que se associaram à Castrolanda. Percebemos que há uma demanda muito grande por infraestrutura de armazenagem e secagem na região, e estamos atendendo diretamente a esse anseio do agricultor. Embora o projeto no Cerrado tocantinense tenha nascido com foco na agricultura — que era a demanda imediata dos nossos associados e uma atividade já consolidada por lá —, como cooperativa estamos sempre preocupados em apoiar o produtor na diversificação de seus negócios. Em um primeiro momento, focamos na agricultura, que é o que ele mais conhece, mas, em um segundo estágio, poderemos apoiar outras atividades, como a pecuária de corte, a fruticultura ou outras culturas intensivas.

 

"Nosso modelo não avança de forma isolada; crescemos em conjunto através da governança e da intercooperação."

 

Antônio Oliveira – Sendo o Paraná o grande polo leiteiro da Castrolanda, por que a estratégia para o Cerrado tocantinense focou essencialmente na originação e armazenamento de grãos neste primeiro momento?

Willem Bouwman - A princípio, nosso foco na região está concentrado na infraestrutura para armazenagem, secagem e também na distribuição de insumos. Futuras ampliações para outras atividades agroindustriais são possíveis, mas dependem de estudos prévios, de viabilidade econômica e, fundamentalmente, da adesão dos nossos associados. Como cooperativa, nós só realizamos novos investimentos quando temos a certeza de que os produtores irão seguir por esse mesmo caminho estratégico. Portanto, precisamos primeiro consolidar esse apoio local para, então, iniciar qualquer outra atividade além da agricultura na região.

Antônio Oliveira – Olhando para o histórico de industrialização da cooperativa no Paraná, a estrutura que está nascendo no Tocantins foi desenhada pensando em futuras ampliações para outras cadeias agroindustriais de valor agregado? Vale lembrar que o consumo de leite e derivados no Tocantins supera significativamente a produção local, gerando um déficit que precisa ser suprido por outros estados.

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Unidade Tocantins ganha forma, ampliando a infraestrutura
de grãos da cooperativa no Norte (Foto: Castrolanda)
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Willem Bouwman - De fato, aqui em Castro, no Paraná, a pecuária leiteira é uma atividade de extrema importância, na qual detemos muito conhecimento, tecnologia e produtores altamente qualificados. O Tocantins apresenta uma realidade totalmente diferente em termos de clima, ambiente e produção de forragem, o que impõe um desafio operacional distinto. Contudo, nada impede que passemos a estudar essa atividade para que nossos associados possam, eventualmente, investir no setor. Sabemos que há uma demanda muito grande por leite na região e que a produção local possui amplas oportunidades de melhoria e ganho de eficiência.

Antônio Oliveira – O Paraná é uma referência global em cooperativismo de grande escala, enquanto o Norte do país ainda desenvolve essa cultura jurídica e comercial. De que forma a Castrolanda planeja difundir a cultura da intercooperação entre os produtores locais do Tocantins?

Willem Bouwman - O Paraná, de fato, é uma referência no cooperativismo, enquanto a região Norte do país ainda dá os primeiros passos nessa cultura. A Castrolanda, assim como outras cooperativas que já se fazem presentes no Tocantins, assume esse papel como um dever. A valorização das pessoas e a intercooperação são pilares fundamentais da nossa essência. Por isso, temos o compromisso de disseminar e divulgar o modelo cooperativista em solo tocantinense. Temos a certeza de que essa cultura será muito bem assimilada na região, abrindo grandes oportunidades para o desenvolvimento do produtor local.

Antônio Oliveira – A escassez e o preço elevado das terras nos Campos Gerais (PR) foram apontados como motivadores para essa expansão. Como a Castrolanda estruturou o suporte financeiro e a governança para os cooperados paranaenses que decidiram migrar ou investir em condomínios de terras no Tocantins?

Willem Bouwman - De fato, embora alguns associados tenham ido para lá por conta própria, nós também desenvolvemos um modelo de condomínio de produtores estruturado diretamente pela cooperativa. Em vez de migrarem de forma isolada, esses produtores avançam em conjunto, contando com o suporte estratégico e formal da Castrolanda na organização e na governança para garantir o sucesso do negócio. Além disso, a cooperativa prestou suporte financeiro a esse grupo e, de forma momentânea, também participa como sócia desse condomínio.

Antônio Oliveira - A escolha do terreno em Colinas do Tocantins, às margens da BR-153, visa uma saída logística estratégica. O escoamento da produção via Ferrovia Norte-Sul rumo aos portos do Norte foi o fator de maior peso para a escolha exata daquela região?

Willem Bouwman - Nós tivemos que avaliar vários fatores combinados. O primeiro deles é a proximidade com a área de produção; o segundo, e de grande relevância, é a eficiência logística para o escoamento, afinal lidamos com commodities e precisamos buscar sempre o modal mais eficiente e de menor custo. Em Colinas, estamos estrategicamente próximos de Palmeirante, que conta com o terminal da Ferrovia Norte-Sul, e dispomos também do modal rodoviário através da BR-153. Essa dupla alternativa atende perfeitamente tanto o escoamento da produção rumo aos portos do Norte quanto a recepção de insumos, principalmente fertilizantes, garantindo muito mais eficiência para as nossas operações.

Raízes no Sul: Sede em Castro (PR), o coração
operacional de onde brotam as diretrizes e os
valores que hoje chegam ao Tocantins (Foto: Castrolanda)
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Antônio Oliveira - A unidade do Tocantins nasce com capacidade inicial de 44 mil toneladas, mas com estrutura planejada para expansão até 100 mil toneladas. Qual gatilho de mercado ou volume de safra determinará o início da segunda fase dessa ampliação?

Willem Bouwman - A estrutura inicial foi projetada para 44 mil toneladas com total capacidade de expansão. O principal gatilho para darmos início à segunda fase será, fundamentalmente, a ocupação total dessa capacidade atual e o consequente aumento da demanda por parte dos nossos associados da região. No entanto, o nosso primeiro passo é aclimatar a cooperativa ao Tocantins. Precisamos aprender a conduzir as lavouras dentro dessa nova realidade climática e de solo, contando com o apoio muito forte da Fundação ABC para nos trazer tecnologia e conhecimento. À medida que consolidarmos essa curva de aprendizado e houver a necessidade real de volume por parte dos produtores, a cooperativa estruturará a ampliação.

Antônio Oliveira - A Fundação ABC (instituição de pesquisa das cooperativas do PR) está validando dezenas de cultivares de soja no Tocantins. Como o conhecimento técnico gerado no Paraná está sendo adaptado para lidar com o manejo de solo e o regime de chuvas do Cerrado?

 

"O Cerrado tocantinense não é apenas um novo mercado, é o futuro da expansão estratégica dos nossos associados."

 

Willem Bouwman – A Fundação ABC já conta com um campo experimental em solo tocantinense e vem realizando testes e trabalhos diretamente no nível de fazenda na região de Colinas. Embora algumas informações básicas de manejo possam ser transportadas do Paraná, a grande maioria reflete uma realidade totalmente diferente. Estamos lidando com variedades de cultivares distintas, além de dinâmicas próprias para o controle de plantas daninhas, pragas e doenças, sem contar as particularidades de adubação e melhoria do perfil do solo. Eu diria que de 80% a 90% dos dados técnicos que utilizamos precisam ser gerados no próprio Tocantins, sendo específicos para as demandas e o clima do Cerrado.

Regiao de Colinas, no norte do Tocantins, ganha mais um
grande empreendimento (Foto: Castrolanda)
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Antônio Oliveira – O projeto arquitetônico e industrial do novo entreposto promete alta automação e uso de biomassa. Essa tecnologia é um espelho do que já se faz de mais moderno nas plantas paranaenses ou o Tocantins está recebendo um modelo operacional totalmente novo?

Willem Bouwman - A planta do Tocantins é, na verdade, uma evolução do que temos de melhor no Paraná. Nós trouxemos toda a bagagem, a tecnologia e o aprendizado das nossas unidades do Sul, mas aplicando o que há de mais moderno hoje no mercado em termos de automação e eficiência energética. O uso de biomassa para a secagem de grãos e os sistemas automatizados de fluxo e monitoramento refletem o nosso padrão de excelência, mas calibrados especificamente para a realidade operacional e o clima do Cerrado. Portanto, não se trata de um modelo experimental, mas sim do estado da arte da engenharia da Castrolanda replicado de forma estratégica no Norte.

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Antônio Oliveira - Para além de dar suporte aos produtores que vêm do Sul, qual será a política da Castrolanda para atrair, cooperar e absorver a produção dos agricultores que já são nativos ou estão estabelecidos há mais tempo no Tocantins?

Willem Bouwman - Para se tornar nosso associado, o produtor local precisa, em primeiro lugar, ter um viés cooperativista. Como a nossa relação com os membros é essencialmente econômica, ele deve atuar na atividade agropecuária e, acima de tudo, se identificar e se comprometer com as nossas normas, diretrizes e valores institucionais, que são muito fortes. A política de atração se baseia na entrega de valor mútuo: o produtor utiliza a nossa assistência técnica, adquire seus insumos e comercializa sua produção através da cooperativa. Cumprindo esses princípios de fidelidade comercial e associativa, a Castrolanda estará totalmente de portas abertas para que o agricultor tocantinense utilize toda a nossa infraestrutura e cresça junto conosco.

Antônio Oliveira – Muito obrigado por esta entrevista e desejo muito sucesso da Castrolanda no Tocantins.

 

 

Castrolanda — Cooperativismo — MATOPIBA — Agronegócio Tocantins — Expansão Agrícola — Logística de Grãos — Willem Bouwman

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