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ENTREVISTA – “O IFC 2022 é um espaço fundamental para discutir os desafios e potencialidades da piscicultura”, diz Ortigara, secretário da Agricultura do Paraná
Data de Publicação: 21 de julho de 2022 19:54:00 O IFC 2022 é um espaço fundamental para discutir os desafios e potencialidades da piscicultura. Por isso somos parceiros desde a primeira edição, em 2019, e nos demais eventos, seja no formato presencial ou online #entrevista com ortigara, #ifc 2022, #aquicultura, #piscicultura, #piscicultura no Paraná, #ortigara
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Por Antônio Oliveira
De forma virtual eu conversei com secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Norberto Anacleto Ortigara, sobre a realização de mais uma edição do IFC 2022 no estado dele. Muito ele falou sobre este evento, principalmente da sua importância para o seu estado. Mas também falou sobre a piscicultura paranaense – seus avanços e seus gargalos -, sobre a possibilidade de cultivo de peixes no Lago de Itaipu, entre outros assuntos de interesse da aquicultura paranaense e brasileira.
Segue a entrevista:
Centro-Oeste Farm News – Secretário, qual é a sua expectativa para o IFC 2022, que tem sede em Foz do Iguaçu?
Norberto Anacleto Ortigara – Este ano está sendo um ano pródigo em termos de retomada de eventos do agronegócio, em que pese as dificuldades que o setor enfrentou, seja com intempéries climáticas, aumento de custos de produção, instabilidade econômica. Eu já fui em muitos, viajei pelo Paraná, e todos eles superaram as expectativas, foram maiores do que o planejado. Isso significa dizer que a população está com vontade de participar, aprender, compreender as transformações do agro.
O IFC 2022 é um espaço fundamental para discutir os desafios e potencialidades da piscicultura. Por isso somos parceiros desde a primeira edição, em 2019, e nos demais eventos, seja no formato presencial ou online. A expectativa é fortalecer a união entre os vários elos da cadeia, em prol de ações que garantam mais renda ao produtor, desenvolvimento tecnológico, investimento em pesquisas e aproveitamento racional dos nossos recursos naturais.
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Norberto Anacleto Ortigar, secretário de Agricultura e
Abastecimento do Paraná (Foto: AEN-PR)
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COFN – O que este evento representa para a economia do Estado, sobretudo para a piscicultura?
Ortigara – Representa o futuro do agronegócio, da capacidade de produzir alimentos para o mundo. O IFC 2022 conta com a presença e a força das indústrias de genética, rações, máquinas, equipamentos, implementos, reunindo todos que fazem parte desse processo e discutindo um setor em amplo crescimento no Paraná. Isso reflete no mercado, ajuda a gerar processos mais digitais, novos produtos, mais produtividade. Pelo menos 35% da riqueza paranaense, todo ano, tem a ver com agronegócio. E pelo menos 80% do esforço exportador do estado vêm do agro. Investir no desenvolvimento da piscicultura é uma das tantas formas de contribuir com esse resultado expressivo.
COFN – De que a forma o estado do Paraná estará presente no evento?
Ortigara – O Sistema Estadual de Agricultura, que inclui a Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná Iapar-Emater (IDR-Paraná) e a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) é parceiro na promoção da sanidade agropecuária, orientação técnica, apoio e inventivo ao desenvolvimento científico, em tudo que possa impulsionar os produtos do agro paranaense. Isso envolve buscar soluções, superar traumas da geopolítica mundial, que, com a pandemia, desarticulou as cadeias de suprimento, encareceu para quem produz, para quem industrializa. Então é importante ter a visão dos vários integrantes da cadeia, compartilhando conhecimento, para sermos capazes de alimentar o mundo com qualidade.
COFN – Além de grande difusor de novas tecnologias, o IFC 2022 é uma grande vitrine física para o Brasil e o mundo. O que a aquicultura paranaense, sobretudo a piscicultura tem para mostrar para o mundo?
Ortigara – O Paraná é o maior produtor nacional de proteínas animais, o que incluiu produção de pescados, principalmente a tilápia. Isso é fruto de muito esforço e trabalho ao longo de décadas. Nós temos por aqui bons arranjos por parte do setor privado, cooperativas que fazem um excelente trabalho. Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), a piscicultura movimenta aproximadamente de R$ 1 bilhão por ano no Estado.
O futuro do agro é tecnológico. Cerca de 3/4 do nosso resultado obtido no campo não vem força bruta, mas da ciência aplicada. Nos falta conectividade e outras coisas que aos poucos vamos construindo, mas estamos crescendo. Não conheço setor da nossa economia com pegada tão competitiva, em grande escala, como o agro. Isso faz bem à geração de empregos no campo, na indústria, no processamento industrial. Temos uma capacidade de cooperar que está caindo no gosto de muita gente, e por isso novas indústrias estão se instalando no Paraná.
COFN – A piscicultura no estado chegou ao seu limite em termos de espaço físico ou ainda tem muita água e chão para produzir?
Ortigara – Tem muito espaço de crescimento ainda, muito espaço para evoluir em ganho de eficiência, ganho de produtividade, na própria genética, no manejo dos peixes, mas acreditamos que nesse caminho vamos longe, tornando a piscicultura mais uma cadeia vencedora. Esperamos um crescimento de 12% a 15% ao ano do setor de pesca em nosso território. O pescado pode fazer parte das principais proteínas exportadas, assim como o frango e o suíno.
COFN – Com quais propostas e programas o governo paranaense incentiva e fomenta este setor no estado?
Ortigara – A visão do Governo do Estado é de abertura, de política de atração, de retenção, de estímulo e de facilitação, no bom sentido, para que os empresários e empreendedores possam florescer e gerar resultados. Nós trabalhamos em um conjunto de iniciativas e políticas públicas para o desenvolvimento da cadeia produtiva de pescados. A política “Paraná Competitivo” visa estimular os investimentos e o setor ajudará o setor a exponencialmente nos próximos anos. Também atuamos pela agilidade, para que o produtor trabalhe de forma legal e veja no governo um parceiro, buscando um modelo sustentável para a piscicultura. Descomplicamos o processo de licenciamento ambiental, por exemplo, por meio do Descomplica Rural.
Estudamos medidas para estimular empreendimentos que possam aumentar a conectividade no campo e proporcionar condições de inovação. Também temos ações envolvendo um insumo muito caro para o produtor, que é a energia. Somos agressivos na política de geração de energia nas propriedades rurais, com o Programa RenovaPR. O Estado se propõe a equalizar na totalidade as taxas de juros do financiamento para implantar sistema de energia renovável na propriedade. Além disso, nosso comitê de biossegurança e de sanidade está sempre atento às condições ambientais, da água, da genética, que é levada aos produtores rurais.
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Ortigara em visita a projeto de piscicultura em tanques suspensos no Paraná (Foto: AEN-PR)
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COFN – Fora dos tanques escavados, que predominam no estado, o Paraná tem um imenso potencial para o cultivo por meio de tanques-redes no Lago de Itaipu. O Estado tem feito gestões para tornar este cultivo realidade?
Ortigara – Os lagos formados por represas para a geração de energia apresentam grande potencial para a produção de peixes em tanques-rede. Alguns reservatórios já vêm sendo explorados, como por exemplo no Rio Iguaçú e Paranapanema. O Lago de Itaipu pode significar um grande impulso para a produção. Gestões têm sido feitas pelos governos do Brasil e do Paraná com o governo paraguaio para que aquela grande reserva de água também possa ser explorada.
COFN - Com esse Lago produzindo peixes, qual seria o panorama – social e econômico -, da piscicultura no estado?
Ortigara – Caso haja a concordância do Paraguai para o uso racional do reservatório, a produção paranaense pode dobrar de tamanho.
COFN – Neste contexto produtivo e com o avanço da agroindustrialização do pescado produzido nas regiões oeste e norte do estado, ainda há gargalos no setor? Quais?
Ortigara – Sim. Ainda precisamos de avanço na genética e no manejo. Energia mais barata e de qualidade e melhoria da infraestrutura, principalmente de transportes podem aumentar a eficiência da produção e ganhos de rentabilidade.
COFN – De que forma o Estado tem ajudado a sanar esses gargalos?
Ortigara – O projeto da nova Ferroeste está finalizado e poderá ir a leilão na B3 ainda neste ano. A nova concessão das rodovias pode baratear os custos de transportes, assim como a originação de cargas pelo aeroporto de Maringá, ao invés de Campinas, mais distante. Investimentos em genética têm sido feitos por empresas e universidades públicas.
COFN – O senhor diria que, mesmo com o profissionalismo e a organização das cooperativas e do cooperativismo, a cadeia ainda está desorganizada?
Ortigara – Avançamos muito. Mas há, ainda, espaço para uma maior verticalização e ganhos de eficiência, inclusive atraindo investimentos em suprimento de soluções para a cadeia aqui no Paraná.
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| A tilápia é o carro-chefe da pisciculura no Paraná (Foto: AEN - PR) |
COFN – Onde e que falhas o setor ainda é desconexo?
Ortigara – Penso que investimentos em produção de máquinas e equipamentos, além da maior capacitação dos produtores podem ajudar a impulsionar o setor.
COFN – As ATER e as pesquisas do governo do estado têm suprido a demanda do setor?
Ortigara – A presença da extensão rural e da pesquisa agropecuária é marcante desde os primeiros passos da piscicultura no estado, por meio de programas de governo e participação dos técnicos no fomento e assistência técnica aos produtores. O IDR-Paraná está reestruturando o Projeto de Piscicultura no Paraná e pretende ampliar os trabalhos nas diferentes regiões onde a piscicultura tem potencial para ser uma alternativa
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interessante para diversificação e geração de renda para a pequena e a média propriedade. Uma proposta de trabalho foi elaborada, com base no diagnóstico e conhecimento dos técnicos que atuam dentro do projeto, visando contribuir para o desenvolvimento sustentável da cadeia.
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