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ENTREVISTA – Laurez Moreira, vice-governador: “O Tocantins como 'sonho grande'”

ENTREVISTA – Laurez Moreira, vice-governador: “O Tocantins como 'sonho grande'”

Data de Publicação: 30 de janeiro de 2025 22:29:00 Em entrevista exclusiva ao site Cerrado Rural Agronegócios, o vice-governador do Tocantins, Laurez Moreira, destaca a importância dos agronegócios, tanto empresarial quanto familiar, além da agroindustrialização, logística, irrigação e meio ambiente. Evitando polêmicas sobre os recentes acontecimentos políticos no estado, o líder político demonstrou ter uma visão clara do potencial econômico do Tocantins.

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Por Antônio Oliveira

A web revista Cerrado Rural Agronegócios, com 22 anos de existência e uma trajetória que começou na versão impressa, consolidou-se como uma das mais importantes publicações rurais do interior do Brasil. Embora nunca tenha tido um foco principal na área político-partidária, sempre esteve atenta às políticas públicas – tanto as concretas quanto as propostas – voltadas para o desenvolvimento dos agronegócios empresarial e familiar. A revista busca interagir com governantes e legisladores dos três níveis de governo, cobrando, propondo ideias e ouvindo as lideranças políticas sobre o que têm a oferecer a esses dois importantes setores socioeconômicos da região. Com essa filosofia de trabalho, tem obtido resultados positivos, como a atração de investimentos, a promoção de políticas públicas e a proposição de parcerias. É o que chamamos de “jornalismo de resultados”.

Laurez Moreira em entrevista ao jornalista Antônio Oliveira (Foto: Marcos Veloso)

Nos dias atuais, em meio a um cenário político conturbado no Tocantins – com medidas políticas inusitadas por parte do Executivo e do Legislativo – e no Brasil, ao navegar por sites políticos e pelo Instagram, notei as atividades do vice-governador do Tocantins, Laurez Moreira, advogado de formação e político por vocação. Ele tem visitado cenários voltados para o desenvolvimento econômico do estado, demonstrando uma visão empreendedora e uma vontade genuína de contribuir para o progresso econômico e social, o que ele chama de seu "sonho grande". Esse foco é perfeitamente alinhado à linha editorial desta web revista.

Entrei em contato com o chefe de gabinete, Ailton Araújo, que já foi protagonista desta publicação, e solicitei uma entrevista com o vice-governador. Fui prontamente atendido, e a entrevista foi agendada para quarta-feira, dia 29, no gabinete da Vice-Governadoria do Estado, no Palácio.

Cheguei ao local para a entrevista marcada às nove horas da manhã. Meu entrevistado estava voltando de uma viagem e, portanto, encontrou muitas demandas acumuladas. A recepção e a sacada do gabinete do belo Palácio Araguaia Governador Siqueira Campos, estavam repletas de lideranças políticas e cidadãos humildes de diversas regiões do Tocantins para falar com ele, Laurez.

Após uma espera de duas horas, fui chamado ao gabinete, onde recebi pedidos de desculpas pelo atraso. Não só aceitei as desculpas, mas percebi que “o homem” estava com seu “modo político ligado”. Eu o  queria era com seu “modo técnico” em on. Assim, decidimos negociar a entrevista para outro dia, quem sabe na próxima semana.

No entanto, nesta manhã, sua secretária me ligou para informar que o vice-governador me receberia nesta quinta-feira, às dez horas, em um ambiente mais tranquilo: seu escritório particular, em um elegante edifício no centro de Palmas.

Pontualmente, iniciamos a entrevista, que se transformou em um bate-papo e um Raio X sobre os agronegócios, logística, investimentos e meio ambiente no Tocantins. Ele foi claro, didático e deixou evidente sua vontade de se tornar governador do Tocantins.

Após este lead em forma de crônica, segue a íntegra da entrevista.

Cerrado Rural Agronegócios (Cerrado Rural) - Vice-governador, esta é uma pauta técnica, mas nada impede que o senhor,  político e partidário que é,  discorra sobre assuntos políticos e administrativos do Estado, nem a mim, se for  preciso ao longo da entrevista. E eu começo perguntando ao senhor o seguinte: eu vi no seu Instagram o mote “fé inabalável, um sonho grande.” No que consistiria esse “sonho grande?”

Laurez Moreira - Olha, eu sou um homem que tive o prazer de nascer no estado Tocantins, numa cidadezinha muito pequena (Dueré, no sul do estado), naquela época sem desenvolvimento nenhum. Uma cidade que não tinha televisão, não tinha nenhum meio de comunicação, uma cidade isolada. Naquela época só tinha o curso primário na cidade e eu sempre sonhei sair de lá para fazer, naquela época, o antigo ginásio. Fiz esta etapa lá mesmo, depois que uma escola ginasial foi criada. Eu fui da primeira turma. E depois eu saí sonhando em ser um advogado; depois participar da política do meu Estado e depois comecei a sonhar com a criação do estado Tocantins. Então, eu entrei na luta junto com Siqueira Campos (principal liderança do processo de criação do Tocantins e fundador de Palmas, sua capital), juntamente com outras lideranças que sonhavam com esse Estado. E daquele sonho da criação do Estado me veio a vontade de me preparar para um dia governar este Estado.

Conheço todo o seu potencial, sei desde a sua primeira ocupação pelos primeiros habitantes do Estado,  no século XVIII, a partir da  região sudeste, principalmente ali, onde vieram muitos brasileiros em busca do ouro, principalmente os nossos irmãos escravos que vieram para a região (de Almas e Natividade). (Ainda) tem muita gente da cor morena naquela região, que veio  principalmente para os garimpos de ouro. E o Tocantins continuou num vazio demográfico e durante muito tempo, na década de 1940, muitas pessoas vieram, principalmente do Maranhão e do Piauí. Entre essas pessoas, meu pai foi um dos que ocuparam aquela região do Vale do Araguaia em busca do cristal de rocha, ocupando ali o município de Cristalândia, Pium, Dueré, Formoso do Araguaia, Xambioá, Pequizeiro.

Depois, nós tivemos a terceira ocupação, que foi com a construção de Brasília e, consequentemente, a construção da Belém-Brasília, promovendo a ocupação de áreas às suas margens e criando cidades. Foi nesta época que surgiram Gurupi, Alvorada, Paraíso, Guaraí, Colinas, Araguaína, entre outras, às margens da Belém-Brasília. Depois, tivemos a criação do estado Tocantins.

Então, eu vivi todas as etapas do Tocantins. Só não vivi a primeira, que foi a ocupação da “Época do Ouro”, mas conheço muito bem essa história. Isso fez com que eu montasse um projeto de vida e que esse projeto de vida fosse concluído. Uma parte desse projeto é governar o estado Tocantins. Então, vim de longe, mas de muito longe mesmo, me preparando para isso.

 

Fui vereador, prefeito da cidade de Gurupi. Depois, fui deputado estadual por três mandatos, deputado federal por dois mandatos e agora sou vice-governador. Entendo que esse meu “sonho grande”, para um menino do interior, que foi alfabetizado apenas por professores com formação primária, é, sem dúvida, um sonho grande e um projeto significativo para o bem do nosso Estado Tocantins.

 

Cerrado Rural: O senhor citou uma grande liderança do estado do Tocantins, Siqueira Campos, cujo espírito empreendedor e visão de Estado dispensam comentários. O senhor diria que, nesse “sonho grande” seu, os sonhos dos sucessores de Siqueira Campos foram pequenos, diante da grandeza do potencial do Tocantins?

Laurez Moreira: Na minha vida pública, sempre me inspirei em três homens no Brasil que, para mim, são exemplos de gestores públicos. Um deles foi Juscelino Kubitschek, que teve a grande visão de trazer o Brasil para o centro do país, desenvolvendo essa região, o oeste brasileiro, a região central, norte e oeste do Brasil.

O Brasil era um país praticamente litorâneo, e tivemos a felicidade de ter um homem com a visão de Juscelino Kubitschek para construir a bela capital no centro do país. Outro homem que sempre me inspirou foi Pedro Ludovico (ex-governador de Goiás e fundador de Goiânia), que, inclusive, serviu de inspiração para Juscelino Kubitschek. Pedro Ludovico tirou a capital de Goiás de uma região isolada e a levou para o centro do Estado, possibilitando a ligação de Goiás com as principais regiões do Estado.

É evidente que, naquela época, nós do Tocantins continuávamos isolados, pois os governantes de Goiás olhavam mais para o sul do Estado. Outro homem que me inspira é Siqueira Campos, com a visão de construir um Estado, uma capital e infraestrutura. Minha inspiração vem desses três grandes políticos brasileiros, homens que me motivam a estar na política...

Cerrado Rural: ... Mas o “sonho” dos outros que sucederam Siqueira Campos foi pequeno?

Laurez Moreira: Eu não quero comentar sobre os outros; deixo que o povo avalie cada um deles. Tenho respeito por todos, pois cada um deu sua contribuição, dentro do que pensavam. Mas quem me inspira na política são esses três homens.

Cerrado Rural: Vice-governador, qual a sua percepção da evolução do agronegócio tocantinense, a começar pelo sul do Estado até a região norte e o Bico do Papagaio (extremo norte do Tocantins)?

Laurez Moreira: No Tocantins, durante muitos anos, tivemos uma agricultura de subsistência. Produzíamos praticamente o que consumíamos e tínhamos dificuldades para vender nossos produtos para fora. No final da década de 1970 e início da década de 1980, tivemos um governador que teve a visão de implantar um grande projeto no então norte de Goiás, que foi o projeto de irrigação Rio Formoso, implantado pelo governador Ary Valadão. A implantação desse projeto possibilitou transformar o antigo norte goiano, hoje estado Tocantins, no terceiro maior produtor de arroz do país. Hoje, só perdemos para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

A implantação do Projeto Rio Formoso despertou o interesse de muitos gaúchos e sulistas para o potencial tocantinense. Essas pessoas vieram para cá e implantaram cópias daquele projeto em vários municípios, como Lagoa da Confusão, Dueré e outros.

Além disso, o projeto despertou o potencial do Estado para outras culturas, como soja e milho. A economia baseada no agronegócio cresceu muito em nosso Estado. Isso devemos também a um grande brasileiro, o ministro Alysson Paolinelli, que criou (um dos criadores) a Embrapa, possibilitando o desenvolvimento da agricultura no Cerrado.

A junção da pesquisa, através da Embrapa, criada por Alysson Paolinelli, com o potencial do Estado e a visão do governador Ary Valadão de provar que era possível fazer isso aqui no Tocantins, mudou nossa realidade. Hoje, somos grandes produtores de grãos. Contudo, entendo que precisamos avançar para outra etapa.

O Tocantins não pode continuar sendo um grande exportador de proteína vegetal. Precisamos mudar isso e transformar nossa produção de proteína vegetal em proteína animal. Para isso, precisamos fazer o que o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná fizeram muito bem. O que eles fizeram? Incentivaram a criação de cooperativas, que fortaleceram os setores. Hoje, são grandes exportadores de aves e suínos. É isso que sonho: fazer com que o Tocantins, através da criação de pequenos animais, crie condições para a agroindústria do nosso Estado, aumentando a produção de soja e milho e transformando isso em farelo e, depois, em proteína animal.

Cerrado Rural: O senhor acredita que, nesse processo de agroindustrialização do Estado, a transformação da matéria-prima em produtos industrializados, incluindo a proteína animal, está recebendo o devido apoio de políticas públicas dos últimos governos?

Laurez Moreira: Olha, eu entendo que não. É algo que precisamos fortalecer. Nosso órgão de extensão rural, que é o Ruraltins (Instituto de Extensão Rural do Tocantins), deve ser muito importante para o desenvolvimento do Estado. Ele precisa ter a capacidade de atender melhor ao produtor, fazer projetos, trazer tecnologia e entregá-la ao homem do campo. Precisamos também trazer a academia para a sociedade. Temos excelentes faculdades de Agronomia e outros cursos afins, mas, infelizmente, usamos muito pouco esse potencial das nossas universidades.

Podemos transformar isso em emprego e oportunidades para as pessoas, desde que tenhamos uma política governamental bem orientada nesse sentido.

Cerrado Rural Agronegócios: Convenhamos que, da parte da iniciativa privada no Tocantins, esse processo está bem adiantado, como as agroindústrias de processamento da soja...

Laurez Moreira: Eu não diria que está bem adiantado. Estamos dando os primeiros passos, e isso precisa ser incentivado e fortalecido cada vez mais.

Cerrado Rural: Eu gostaria que o senhor falasse também sobre a agricultura familiar no estado do Tocantins. Como ela se desenvolve? Falta apoio público? Como o senhor vê esse processo?

Laurez Moreira: Eu vejo que precisa de muito apoio público nesse setor. Se você olhar, a agricultura familiar no Estado tem vocação principalmente para a produção de hortifrutigranjeiros. Hoje, somos grandes produtores do que depende da agricultura em larga escala, como soja, milho e pecuária, mas o pequeno produtor precisa de apoio. Quando falei de extensão rural, pensei no apoio que o pequeno precisa. Se não dermos esse apoio, deixaremos de fazer o que o Paraná fez. São propriedades menores, com um grande número de pessoas, geralmente dirigidas por cooperativas, com a capacidade de produzir. Quando você cria uma cooperativa, cria escala na compra de insumos, na hora da venda e cria marca para o produto.

 

Se não fortalecer esse segmento tão importante, em breve seremos uma grande fazenda nas mãos de poucas pessoas, o que, evidentemente, cria muito menos emprego e oferece muito menos oportunidades. Precisamos pegar o modelo do Paraná e Santa Catarina e implantá-lo urgentemente no Tocantins.

Cerrado Rural: Vice-governador, o senhor antecipou uma questão minha sobre irrigação no Estado. Temos projetos, um que vai muito bem, que é o projeto Manuel Alves, no sudeste do Tocantins. Temos um vizinho, entre Palmas e Porto Nacional, praticamente abandonado, que é o São João. Outros estão parados na região do extremo norte do Tocantins. Como o senhor vê esse processo?

Laurez Moreira: Com muita tristeza. A irrigação é a grande vocação do Estado Tocantins...

Cerrado Rural: Lembrando que temos também o projeto Rio Formoso, que é problemático.

Laurez Moreira: É com muita tristeza que vejo isso. O estado Tocantins tem um potencial muito grande. Se usarmos todo o potencial que temos para irrigar, podemos deixar de ser o terceiro produtor de arroz e passar a ser o primeiro.

Temos tudo para isso. Também temos condições de deixar de ser importadores de produtos hortifrutigranjeiros. Fico triste quando viajo pela Belém-Brasília (BR-153, que atravessa o Tocantins de sul a norte) e vejo muitos caminhões chegando ao Estado com produtos hortifrutigranjeiros, que geram muitos empregos, principalmente para os pequenos, e oportunidades para muitas pessoas.

Não justifica, com as universidades que temos e o potencial de irrigação, sermos importadores desses produtos. O Projeto São João é lamentável pelo que tem acontecido com ele. A ampliação na região de Pium, Formoso, Dueré, Lagoa da Confusão, o projeto Prodoeste, é um absurdo não ter dado sequência a esse projeto.

Quando você considera todo o potencial que temos para irrigar as lavouras do Tocantins, isso mudará rapidamente a realidade da nossa gente...

Cerrado Rural: Aliás, convenhamos que temos em Palmas toda a condição de logística, com um aeroporto de carga ainda não alfandegado, que poderia estar exportando frutas desses projetos de irrigação.

Laurez Moreira: Exato. Precisamos viabilizar as duas coisas: o transporte, que é fundamental, e também a produção desses produtos em diversos municípios tocantinenses, que têm vocação principalmente para irrigação. São poucos lugares no mundo que têm o privilégio de ter tanta água quanto nós.

Cerrado Rural: Vice-governador, vamos até a região de Campos Lindos (nordeste do Tocantins, na divisa com o estado do Maranhão), que é, talvez, o único polo de desenvolvimento do agronegócio, especialmente na produção de grãos, no Tocantins, onde a sociedade urbana não se beneficia completamente desse processo de produção, como ocorre em outros municípios agrícolas, como Gurupi, Lagoa da Confusão, Porto Nacional, Pedro Afonso, Formosa do Araguaia, Araguaína, entre outros. Por que isso ocorre em Campos Lindos?

Laurez Moreira: É falta daquilo que mencionei: a criação de agroindústrias, para transformar a proteína vegetal que é produzida ali em proteína animal.

A partir do momento em que você criar  pequenos animais naquela região e levar as agroindústrias para lá, você vai gerar empregos e oportunidades para as pessoas que moram ali, que precisam de emprego e de oportunidades para crescer economicamente.

Cerrado Rural: Vamos falar de logística. Tocantins é um Estado privilegiado em termos de vias multimodais, como a Ferrovia Norte-Sul e as rodovias. Entretanto, ainda tem carências de infraestrutura e qualidade de estrada. E, agora, a queda daquela ponte, a travessia Tocantins para o Maranhão (ponte JK). Como o senhor vê essa questão geral da logística de Tocantins e a deficiência, inclusive, do erro muito grande que foi não construir uma eclusa aqui no Lago do Lajeado para viabilizar uma hidrovia no rio Tocantins?

Laurez Moreira: A hidrovia deve ser uma meta urgente. Resolver o Pedral do Lourenço (barreiras de pedras no leito do Tocantins, no sul do Pará) é fundamental para viabilizar a navegação do rio Tocantins. E precisamos, tanto no Estado quanto na União, desenvolver infraestrutura que atenda às demandas.

Tocantins tem a base, mas precisa de um suporte maior para resolver esses gargalos. Não poderíamos nunca ter deixado acontecer o que ocorreu com aquela ponte tão importante para o desenvolvimento do Tocantins. É dever do poder público ser vigilante.

Construir a obra, mas dar os reparos necessários e acompanhar de perto, constantemente. Aquilo foi um acidente que não deveria ter acontecido.

Foto: Marcos Veloso

Cerrado Rural: O Estado do Tocantins está atendendo a contento as necessidades do povo do lado de cá (de Aguiarnópolis e microrregião, do lado oeste do rio)?

Laurez Moreira: Eu entendo que não. As pessoas precisam de apoio. O governador do Maranhão (Carlos Brandão) deu um belo exemplo. O Maranhão não está sofrendo como nós, porque lá eles têm o privilégio de ter uma rodovia federal que sai do estreito, vai até Imperatriz e segue. Diferente do Tocantins, onde não temos esse suporte e estamos usando (no interior do Tocantins) rodovias estaduais e municipais, e, principalmente, as ruas. Não estamos aguentando essa situação.

A crise econômica é muito maior do lado do Tocantins. O governador do Maranhão deu um belo exemplo ao atender as necessidades das pessoas. Precisamos fazer o mesmo no Tocantins: cuidar de quem está sendo prejudicado.

Cerrado Rural: Ainda sobre logística, como o senhor está acompanhando e qual a sua visão sobre essa polêmica de mudar o trajeto da Ferrovia Oeste-Leste, mudando o encontro da Oeste-Leste de Figueirópolis (no sul do Tocantins) para Mara Rosa (no norte de Goiás)?

Laurez Moreira: Isso é muito ruim para o estado Tocantins. A classe política do Tocantins tem que se unir e tentar resolver o mais rápido possível isso, pois o projeto original previa que essa ligação fosse em Figueirópolis. Isso não pode acontecer, pois perderemos a oportunidade de ter um grande polo econômico naquela região, o que, evidentemente, fortalecerá muito nossa economia. Há exemplos do que está acontecendo em Palmeirante (cidade no norte do Tocantins que abriga um porto seco da Ferrovia Norte-Sul, que faz dois modais de transporte: rodoviário e ferroviário). Palmeirante, hoje, está se transformando em um polo de produção de fertilizantes.

Várias grandes empresas estão implantando empresas de fertilizantes naquela região. E é evidente que o polo de carga traz muito desenvolvimento para a região, especialmente para a região sul do Estado.

 

Cerrado Rural: Na sua opinião, qual a importância da Ferrovia Oeste-Leste, ligando Tocantins ao litoral baiano?

Laurez Moreira: É muito grande, pois traz desenvolvimento e interliga aquela região, fazendo com que a produção do Mato Grosso passe pelo Tocantins. Precisamos criar essas oportunidades, principalmente para a região sul, que terá outra alternativa de exportação, não apenas para a região sul, mas para toda a região Norte do país.

Cerrado Rural: Vice-governador, no agronegócio, ou seja, na agricultura empresarial, o Tocantins já teve uma força significativa na produção de algodão, a cotonicultura, que caiu. Inclusive, em Campos Lindos, havia uma produção muito boa, com algodoeira, mas caiu por falta de variedades de algodão específicas, validadas para nossas condições edafoclimáticas – lá, que são terras altas, assim como em outras regiões de terras baixas em todo o Estado. Mas os produtores estão retomando essa produção em terras baixas. Como o senhor está acompanhando esse desenvolvimento? O que o senhor propõe para alavancar a cotonicultura no Estado e, pelo menos, encostar no Oeste da Bahia, que hoje é o segundo maior produtor?

Laurez Moreira: Temos potencial, pois o Tocantins possui uma diversidade muito grande, resultado do encontro de vários ecossistemas. Temos regiões com características do Nordeste, o que facilita a produção, e outras com características do Cerrado, mais forte no oeste brasileiro. Portanto, temos todas as condições de ser grandes produtores.

É evidente que precisamos de pesquisa. O Estado deve investir em pesquisa, fazer parcerias com a Embrapa e oferecer alternativas ao produtor...

Cerrado Rural: Nesta cultura, o Estado precisa de pesquisa, novas tecnologias, e buscar experiências no estado vizinho, a Bahia.

Laurez Moreira: Claro. Precisamos investir nisso para que o Estado se torne um grande produtor de sementes e de tudo que possa oferecer oportunidades.

Neste quesito, de pesquisa e tecnologias, hoje somos grandes produtores de sementes de soja para todo o país. E é isso que precisamos fazer com o algodão da mesma forma.

Cerrado Rural: Vice-governador, o Brasil produziu em 2023 mais de 800 mil toneladas de pescados de cultivo. O Tocantins tem potencial para produzir 400 mil toneladas, ou seja, 50% do que produz todo o Brasil. Entretanto, esse processo está muito lento. Que percepção o senhor tem deste setor? O que o senhor proporia, como vice-governador e com pretensões de ser governador, para este importante setor de produção de proteína animal?

Laurez Moreira: Precisamos olhar o exemplo que alguns governantes já deram. Eu citei o exemplo do governador Ary Valadão, que desenvolveu um projeto e o implantou...

 

Cerrado Rural: Aliás, fazendo um parêntese aqui, Siqueira Campos, quando o lago começou a encher, já tinha em sua mesa de trabalho uma réplica de um peixe, numa clara comunicação de que acreditava muito no potencial do lago da Usina do Lajeado para a produção de pescados...

Laurez Moreira: Exatamente. Foi uma luta trazer a Embrapa (Pesca e Aquicultura) para cá. Hoje, em se falando de pesca e aquicultura, somos a principal base de pesquisa da Embrapa. Portanto, temos todas as condições para isso.

Temos água à vontade, temos pesquisadores, e precisamos de uma ação forte do governo do Estado nesse sentido. Precisamos unir o empresário à Embrapa e ao potencial do Estado para transformar esse potencial em produção.

Cerrado Rural: Outro assunto que notamos no Estado é a dificuldade do produtor rural em relação ao CAR (Cadastro Ambiental Rural). O processo é muito lento em nível de Estado. A demanda é grande, mas a oferta de serviço público é muito pequena. Como o senhor vê essa situação? O que propõe para melhorar?

Laurez Moreira: A gestão precisa priorizar essa questão. Fui prefeito de Gurupi e uma das coisas que fiz foi o georreferenciamento da cidade. O Estado, hoje, precisa ser moderno. Deve criar condições para que o produtor não perca tempo.

Quando ele precisar de uma licença, se é caro, deve sair o mais rápido possível e ter todas as condições. O Estado pode fazer isso em parceria com as universidades, a um custo muito baixo. Eu ofereci isso ao produtor, que hoje oferece tanto ao Estado.

Entendo que precisamos ter essas preocupações para resolver essas pendências.

Cerrado Rural: Para finalizar, vice-governador, falando ainda sobre meio ambiente, como o senhor vê a proposta do atual governador naquele projeto de resgate de carbono (projeto de parceria do Governo do Tocantins com uma multinacional para o sequestro de carbono todo o Tocantins, rejeitado pela unanimidade dos produtores rurais tocantinenses)?

Laurez Moreira: Prefiro não comentar isso, pois não quero fazer a crítica que precisa. Então, deixo de lado.

Cerrado Rural: Encerramos aqui. Agradeço a oportunidade que o senhor nos dá, sua presença no nosso site com essas informações.

Laurez Moreira: Eu que agradeço ao jornalista Antônio Oliveira e à revista Cerrado Rural por essa oportunidade de falar ao povo tocantinense, compartilhar o que penso e o que quero ver implantado nesse Estado. Temos vários projetos para o desenvolvimento tocantinense e não tenho dúvida de que faremos a maior transformação de uma região em um curto espaço de tempo.

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