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ESPECIAL – A Reforma Agrária demonstra sua força produtiva e sustentável em feira realizada em Palmas
Data de Publicação: 31 de março de 2025 11:54:00 A I Feira da Reforma Agrária do Tocantins, promovida pelo MST, destaca a importância da agricultura familiar e busca desmistificar preconceitos sobre o movimento.
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A feira reuniu cerca de 50 produtores que expuseram
mais de 100 produtos (Foto: Antônio Oliveira)
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Por Antônio Oliveira
O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) não é apenas a invasão de terras, muito condenada pela sociedade e explorada politicamente por grupos políticos antagônicos e, assim, confundindo a sociedade e promovendo preconceito e falta de informação sobre o Movimento. Ele tem seu lado produtivo, garantindo 70% das necessidades alimentares da sociedade brasileira. E foi este o objetivo da realização, em Palmas, capital do Tocantins, da I Feira da Reforma Agrária do Tocantins, realizada entre os dias 28, 29 e 30 próximos passados na Grande Praça do Espaço Cultural José Gomes Sobrinho, em Palmas.
Na celebração de um marco importante para a reforma agrária, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) reuniu diversas lideranças políticas e representantes de instituições governamentais e da sociedade civil durante a feira. O evento teve como ponto alto a assinatura dos contratos do programa Fomento Mulher, iniciativa que visa impulsionar projetos produtivos liderados por mulheres assentadas.
A cerimônia contou com a presença de representantes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra); do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA); da Superintendência do Patrimônio da União (SPU); da Secretaria Extraordinária de Igualdade Racial e Direitos Humanos (Seirdh); da Secretaria de Agricultura e da Secretaria de Governo do Município de Palmas; da Companhia Nacional de
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Assinatura de contratos e cessões (Foto: Antônio Oliveira) |
Abastecimento (Conab); da Finapop (instituição de financiamento de pequenos projetos); da CooperAmazônia; da Universidade Federal do Tocantins (UFT); da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT); do Instituto Federal do Tocantins e do Coletivo Somos (PT).
A dirigente nacional do MST, Joice Souza, liderou a entrega dos contratos, destacando a importância do Fomento Mulher para o fortalecimento da autonomia feminina no campo e para a promoção da igualdade de gênero nos territórios da reforma agrária. O evento celebrou a conquista das mulheres camponesas do assentamento Manuel Alves, que agora contam com o apoio financeiro para desenvolverem seus projetos e contribuírem para o desenvolvimento local. Também houve a assinatura de contrato de cessão de áreas no Assentamento Antônio Moreira, no município de Ananás.
A primeira feira da Reforma Agrária no Tocantins, coordenada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), não apenas celebra a diversidade de alimentos produzidos pelas áreas de assentamento, mas também busca desfazer preconceitos e aproximar a sociedade do movimento agrário. Segundo Antônio Marcos, coordenador do MST no estado, a feira reúne mais de 100 tipos de produtos de agricultores de mais de 20 municípios, demonstrando a robustez e a importância da agricultura familiar na região.
- A feira é uma oportunidade para mostrar a potência da produção agrícola nos assentamentos e sua contribuição para abastecer feiras, escolas e o mercado local. Estamos aqui em Palmas para quebrar a visão preconceituosa que ainda existe sobre a reforma agrária - destaca Antônio Marcos.
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Antônio Marcos, coordenador do
MST-TO (Foto: Antônio Oliveira)
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Historicamente, o MST tem promovido feiras de alimentos em várias partes do Brasil, onde iniciativas como a Feira Nacional da Reforma Agrária em São Paulo já se tornaram parte do calendário cultural. De acordo com Antônio, o objetivo da feira em Palmas é, também, levar visibilidade aos produtos da reforma agrária e mostrar que, além de alimentos, o movimento também traz cultura e arte à comunidade.
A agricultura familiar, segundo o coordenador, possui um potencial significativo para abastecer a região de Palmas e outras localidades do Tocantins. Contudo, ele ressalta que essa realidade ainda está "invisibilizada". Para mudar isso, ainda conforme ele, é crucial que haja políticas públicas em níveis municipal, estadual e federal que reconheçam e fortaleçam esse setor vital.
- Precisamos de investimento, assistência técnica e crédito para garantir que a agricultura familiar continue a crescer e a oferecer alimentos de qualidade - afirma Antônio Marcos.
Sobre o impacto do Pronaf (Plano Safra da Agricultura Familiar), Antônio observa que a expansão do plano nos últimos anos resultou em um aumento na quantidade de agricultores familiares acessando os recursos.
- Em diversos estados, o número de contratos dobrou. Esperamos que, em 2025, esses índices continuem a subir, permitindo que mais agricultores investam na produção e geração de renda - comenta.
Ao ser questionado se a reforma agrária poderia contribuir para a redução do custo de vida, Antônio afirma que sim.
“A reforma agrária não é apenas uma luta por terra, mas uma conquista por dignidade e segurança alimentar."
- Se redemocratizarmos a terra e garantirmos políticas públicas adequadas, conseguiremos reduzir a pobreza e a desigualdade. Isso leva cidadania e dignidade aos trabalhadores do campo - conclui.
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Natal Alves, presidente da
CooperAmazônia (Foto: Antônio Oliveira)
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Natal Alves Rodrigues, presidente da CooperAmazônia, cooperativa atuante no sul do Tocantins, e uma das responsáveis pela idealização e realização da feira, destaca que o evento representa todos os assentamentos, desde Esperantina, no extremo norte, até Crixás, no extremo sul do estado.
- Ela veio para divulgar nossa produção e buscar um diálogo com a sociedade de Palmas - afirma Natal, ressaltando que a exposição ajuda a reduzir o preconceito em relação ao movimento dos Sem Terra.
Segundo Natal, muitas pessoas ainda não conhecem a contribuição do MST, que é o maior produtor de arroz orgânico da América Latina. Ele destaca que a agricultura familiar é responsável por 70% dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros e por 80% dos empregos no campo, envolvendo toda a família no processo produtivo.
- A agricultura familiar inclui não só o homem e a mulher, mas também os filhos e netos. Tudo isso faz parte do contexto da reforma agrária - explica.
Natal também menciona o impacto da agricultura familiar no abastecimento das grandes cidades tocantinenses, como Palmas, Gurupi e Araguaína. Um dado revelado por um secretário municipal de Palmas indica que 80% do recurso destinado à compra de alimentos para programas da prefeitura provém da agricultura familiar. Isso mostra a importância da produção local, que não apenas abastece a rede escolar, mas também ajuda a alimentar famílias em situação de vulnerabilidade.
A CooperAmazônia tem uma abrangência significativa, operando principalmente na região de Palmas e no Bico do Papagaio, estrategicamente atuando de Araguaína a Esperantina. Natal menciona planos de expansão, incluindo a construção do Armazém do Campo, com o objetivo de fortalecer e divulgar os produtos da cooperativa.
Ele ressalta a importância do cooperativismo no setor agrícola, afirmando que, atualmente, é essencial estar ligado a uma cooperativa ou associação para somar forças. A CooperAmazônia, por exemplo, distribui produtos em 65 locais e comercializou mais de 60 toneladas de alimentos no último ano.
- Quando somamos essa força, nos tornamos mais robustos - afirma Natal.
Em relação ao PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), Natal concorda que o programa tem atendido algumas expectativas, mas ainda há muito a ser melhorado. Ele defende a necessidade de juros mais baixos e de assistência técnica qualificada, essencial para orientar os produtores a maximizar seus ganhos.
- Precisamos de uma assistência técnica de pé no chão, que ajude o produtor a ganhar dinheiro com o que já tem - conclui Natal, ressaltando a importância de promover alternativas sustentáveis na agricultura, como a produção sem agrotóxicos.
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Guilherme Burns, diretor de Assistência
Técnica da Seasis (Foto: Júnior SuzukiSecom/Palmas)
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O diretor de Assistência Técnica da Secretaria Municipal de Agricultura e Serviços do Interior (Seasis), Guilherme Vaz Burns, representou o titular desta pasta, Major Negreiros, na feira da reforma Agrária.
Ele ressaltou a importância desta primeira feira da reforma a agrária do Tocantins, frisando que a iniciativa é parte de uma política pública do governo do prefeito Eduardo Siqueira Campos, focada na eficiência e resultados tangíveis.
- Nosso objetivo é melhorar a qualidade de vida do produtor rural, especialmente da agricultura familiar. Todas as nossas ações são voltadas para apoiar aqueles que produzem alimentos para nossas cidades - comentou Burns.
Ele mencionou que a região de Palmas e sua metropolitana possuem um grande potencial agrícola, tanto para grãos quanto para hortaliças e pescados. Contudo, a dependência de centros de distribuição de alimentos de fora ainda é um desafio a ser enfrentado, especialmente com a estrutura do Ceasa em Palmas, que permanece subutilizada.
Um dos avanços mencionados por Burns é a emissão do Cadastro da Agricultura Familiar (CAF) pela Secretaria, que já concedeu mais de 50 registros a produtores previamente não reconhecidos. Essa iniciativa ajuda a estruturar a produção local, facilitando o acesso a recursos e assistência técnica.
- Estamos trabalhando em prol de projetos como as hortas comunitárias, que contam com mais de 300 horticultores, muitos com mais de 80 anos - destacou.
Burns também frisou a importância de articular esforços entre esferas de governo para potencializar a assistência aos produtores.
- Precisamos garantir que as políticas públicas atinjam aqueles que realmente desejam produzir, afastando o uso indevido do serviço público para interesses pessoais - alertou.
O diretor acredita que ações como a feira ajudam a combater estigmas sociais relacionados à reforma agrária.
- Independente de filiações partidárias, o foco deve ser a produção e a melhoria na qualidade de vida das famílias rurais - enfatiza.
Burns se mostra otimista quanto ao futuro, vislumbrando que em poucos anos Palmas poderá alcançar a autossustentação alimentar.
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Prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira
Campos (Foto: Secom-Palmas)
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Durante a inauguração de uma nova praça na região norte de Palmas, o prefeito Eduardo Siqueira Campos, abordado por este repórter, destacou a importância da agricultura familiar e os desafios enfrentados pelo setor. Siqueira Campos enfatizou a necessidade de cuidar do cinturão verde da cidade, alertando que, se não forem tomadas ações eficazes, essa área pode ser convertida em loteamentos.
O prefeito mencionou os esforços já em andamento para apoiar os pequenos produtores.
- Estamos realizando um trabalho focado na agricultura familiar. Já temos máquinas operando em várias propriedades, embora o clima tenha dificultado os avanços - afirmou.
Ele ressaltou a necessidade de fortalecer programas como o Compra Direta, que garante a presença de produtos da agricultura familiar na merenda escolar, contribuindo para a economia local.
Siqueira Campos também abordou a questão crítica do acesso ao selo para a agricultura familiar, um processo que tem se mostrado desafiador.
"No campo, a força produtiva das mulheres transforma não só a terra, mas também a vida de comunidades inteiras."
- Muitos agricultores não conseguem o selo e acabam sendo prejudicados por atravessadores, que compram seus produtos a preços baixos para revendê-los com grande markup - explicou.
Essa situação afeta diretamente a sobrevivência dos pequenos produtores.
Outro ponto crucial discorrido foi a falta de um abatedouro na cidade, o que dificulta a comercialização e o processamento de produtos de origem animal.
- Se não preservarmos a vida no campo, teremos problemas não só em Palmas, mas em toda a região - alertou o prefeito, ao conectar a preservação ambiental, a agricultura familiar e a manutenção das matas ciliares como fundamentais para garantir a sustentabilidade do cinturão verde.
Além disso, o prefeito mencionou a revitalização e o movimento da Ceasa de Palmas como uma prioridade.
- Com certeza, isso é algo que precisamos resgatar, pois o município tem deixado a desejar nessa área - concluiu Siqueira Campos, reafirmando seu compromisso em revitalizar e apoiar a agricultura familiar como uma forma de garantir o desenvolvimento sustentável da cidade.
A reforma agrária produz. E preserva.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) desempenha um papel fundamental na produção de alimentos e na economia brasileira, por meio de várias iniciativas produtivas. Reconhecido como um dos maiores produtores de arroz orgânico da América Latina, o MST também cultiva uma ampla variedade de produtos, como feijão, café, leite, carne, peixe, mandioca, sementes, entre outros.
A produção ocorre em assentamentos rurais, onde as famílias se reúnem em cooperativas e associações para gerenciar suas atividades agrícolas. O foco é claro, conforme o Movimento: garantir alimentos saudáveis e acessíveis, contribuindo assim para a segurança alimentar da população.
Cooperativas e agroindústrias
Uma das forças do MST reside em suas cooperativas e agroindústrias, que são responsáveis pelo processamento e comercialização dos produtos agrícolas. Essas iniciativas não apenas agregam valor à produção, mas também geram renda para as famílias envolvidas, promovendo o desenvolvimento econômico local e regional e criando novos empregos.
Agroecologia e sustentabilidade
O MST investe em práticas agroecológicas, priorizando a produção sustentável, que evita o uso de agrotóxicos e busca preservar o meio ambiente. Essa abordagem não só resulta em alimentos mais saudáveis, mas também ajuda na conservação dos recursos naturais.
Contribuição econômica
A produção do MST , ainda conforme a instituição, é crucial para o abastecimento do mercado interno, fornecendo alimentos para a população brasileira. Parte dessa produção também é destinada à exportação, contribuindo para a geração de divisas para o país.
Entretanto, o MST enfrenta desafios significativos, como a necessidade de acesso a crédito, assistência técnica e infraestrutura adequada para fortalecer ainda mais sua atuação. Apesar dessas dificuldades, o movimento tem demonstrado uma notável capacidade de organização e produção, consolidando-se como um pilar importante para a economia e a segurança alimentar nacional.
Galeria de fotos
(Fotos: Antônio Oliveira)
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