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LOGÍSTICA ESTRATÉGICA ][ Gargalos logísticos desafiam o recorde da safra 332,9 milhões de toneladas

LOGÍSTICA ESTRATÉGICA ][ Gargalos logísticos desafiam o recorde da safra 332,9 milhões de toneladas

Data de Publicação: 28 de abril de 2026 15:02:00 Relatório da nstech aponta que a dependência rodoviária e o déficit de armazenagem geram excedente de 70 mil caminhões e encarecem o agronegócio nacional.

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Resumo

O Brasil projeta safra recorde em 2024/25, mas enfrenta entraves estruturais com 69% do escoamento concentrado em rodovias. O estudo "Retrato da Logística de Grãos" destaca a tecnologia como solução imediata para otimizar terminais, enquanto ferrovias e hidrovias buscam expansão gradual.

O desafio de escoar a safra recorde pelas
rodovias (Foto: Antônio Oliveira/Cerrado Rural Agro)
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Da redação

O Brasil caminha para mais uma safra recorde: a estimativa para 2024/25 é de 332,9 milhões de toneladas de grãos, consolidando o país como uma das maiores potências agrícolas globais. Enquanto a produção avança em ritmo acelerado, a logística segue como um dos principais desafios para o agronegócio, criando um descompasso entre o campo e os centros de distribuição. Com participação de quase um quarto do PIB nacional, o agronegócio brasileiro precisa superar barreiras logísticas, como a dependência do modal rodoviário, para manter sua competitividade. Com isso em mente, a nstech — maior empresa de software para supply chain da América Latina e uma das cinco maiores SaaS do Brasil — lançou a primeira edição do relatório "Retrato da Logística de Grãos do Brasil", que analisa os principais entraves e aponta caminhos possíveis para reverter esse cenário, com destaque para o uso intensivo de tecnologia. Em 2023, o modal rodoviário foi responsável por 69% do escoamento de grãos, enquanto as ferrovias responderam por 22% e as hidrovias por apenas 9%. Esse desequilíbrio se reflete nos altos custos de frete, baixa previsibilidade e maior impacto ambiental. Segundo o relatório, o agronegócio brasileiro utiliza aproximadamente 70 mil caminhões além do necessário, como consequência de gargalos como filas em terminais e infraestrutura deficiente.

- As longas distâncias entre centros produtores e portos de exportação tornam a gestão logística ainda mais complexa. Uma operação eficiente é essencial para reduzir custos e manter o Brasil competitivo - analisa Thiago Cardoso, Diretor de Agronegócio da nstech.

- Os desafios são antigos: pouca infraestrutura, predominância do transporte rodoviário e falta de capacidade de armazenagem. A grande mudança dos últimos anos é o avanço da tecnologia - acrescenta Mariela Grisotto, especialista em Logística do Agronegócio da nstech e coautora do estudo.

Campo nota dez: o Brasil rumo aos 332,9 milhões de grãos,
apesar dos entreves (Foto: Arquivo Cerrado Rural Agro)
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Entre 2010 e 2023, a participação das hidrovias no transporte de grãos subiu de 8% para 13%, impulsionada por investimentos na região Norte e mudanças regulatórias. Ainda assim, o modal continua subutilizado. Projetos nos rios Paraguai, Madeira, Tapajós e Tocantins buscam ampliar o uso desse modal, reduzindo custos e emissões. As principais hidrovias do agro hoje são Tietê-Paraná, Araguaia-Tocantins e São Francisco. Já nas ferrovias, a discrepância é evidente: para cada quilômetro de linha férrea, há mais de 21 km de rodovia pavimentada no Brasil. Apenas um terço da malha ferroviária está ativa, concentrada em quatro operadoras, o que limita a concorrência e eleva os custos. Ainda assim, há avanços.

"Onde a infraestrutura ainda falha, a tecnologia acelera: o agro brasileiro produz recordes, mas é a inteligência logística que garante a competitividade global."

A Rumo Malha Norte, com terminal em Rondonópolis (MT), aumentou sua participação no escoamento de grãos de 24% para 31% entre 2010 e 2020. Já a VLI, operadora da Ferrovia Norte-Sul, ampliou seu market share de 4,4% para 10,8% no mesmo período. Apesar do crescimento absoluto no volume transportado, a participação ferroviária cresceu pouco: a soja, por exemplo, saltou de 14 para 28 milhões de toneladas entre 2010 e 2020, mas o uso de trens subiu apenas de 20,1% para 22,8%.

- Os projetos de multimodalidade no Brasil são a longo prazo. O hidroviário, por exemplo, tem ganhado espaço, mas a cabotagem também pode crescer muito - reforça Cardoso.

Apesar dos gargalos, há boas notícias. O Arco Norte passou de 12% das exportações em 2010 para 35% em 2024, impulsionado por investimentos privados e marcos regulatórios. A expectativa é que o Arco Sul/Sudeste também ganhe força com novos aportes. De acordo com a nstech, o investimento estimado para melhorias em infraestrutura rodoviária deve subir de R$ 1,5 bilhão para R$ 2,05 bilhões, com destaque para o Porto de Santos, que tem capacidade dinâmica para 70 milhões de toneladas de grãos por ano.

Porto de Itaqui, recepção da demanda do
MATOPIBA (Foto: governo do Maranhão)
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Outro polo estratégico em expansão é o MATOPIBA, com destaque para a Bahia na exportação de soja e o Maranhão no milho. Apesar do progresso, Cardoso alerta que mudanças profundas na matriz logística ainda dependem de grandes investimentos e de políticas públicas coordenadas. A navegação por cabotagem enfrenta entraves regulatórios que limitam sua expansão, como a exigência de embarcações construídas em estaleiros nacionais.

Outro gargalo relevante está na armazenagem: enquanto os EUA possuem capacidade para estocar 150% da produção, o Brasil só consegue armazenar entre 60% e 70%. Pesquisa do Grupo ESALQ-LOG e CNA revelou que 61% dos agricultores não têm armazéns próprios. A adoção de silos bolsa vem crescendo como solução temporária.

- A armazenagem rápida não preserva a qualidade dos grãos a longo prazo -  comenta Mariela.

Em um cenário de infraestrutura limitada, a tecnologia surge como uma alavanca poderosa. Soluções da nstech já aumentaram em até 40% a capacidade de escoamento em terminais portuários por meio de agendamento de cargas, gestão de pátio e rastreamento em tempo real.

- A tecnologia já permite mudanças imediatas, com resultados concretos -  afirma Cardoso.

Para a nstech, a logística do agro depende de três pilares: infraestrutura, armazenagem e tecnologia.

 

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