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TENSÕES COMERCIAIS ][ Governo e agro tentam conter tarifas de Trump contra o Brasil
Data de Publicação: 15 de julho de 2026 08:25:00 Às vésperas de decisão dos EUA, Brasil condena sobretaxas como injustas e setor projeta perdas bilionárias em exportações industriais e de grãos.
Resumo
Em reunião de alto nível na véspera do prazo final norte-americano, o governo brasileiro classificou as propostas de novas tarifas dos EUA como injustas e sem fundamento técnico. Líderes do agronegócio e da indústria alertam que as barreiras podem impactar US$ 15 bilhões em exportações e encarecer insumos para os próprios americanos.
Da redação
O governo brasileiro voltou a classificar como injusta a possível imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais durante reunião de alto nível realizada nesta terça-feira com o representante estadunidense de Comércio, Jamieson Greer. O encontro ocorreu na véspera do prazo final para a decisão da administração do presidente Donald Trump sobre a adoção das sobretaxas, agendada para esta quarta-feira. Líderes do agronegócio veem o novo tarifaço com forte preocupação, classificando-o como uma medida protecionista de efeito reverso que deve inflar os custos para os próprios consumidores norte-americanos, enquanto o governo brasileiro aposta em negociações técnicas para ampliar a lista de exceções de produtos.
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2. Agro teme perda bilionária com tarifas
(Foto: Erich Sacco/ Adobe Stock)
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Segundo nota divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, esta foi a quinta reunião entre autoridades dos dois países desde maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho voltado ao diálogo comercial. No comunicado, o ministério destacou que as recomendações do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos não têm fundamento técnico e não justificam as barreiras. As críticas do Brasil envolvem tanto a proposta de sobretaxa de 25% específica para produtos brasileiros quanto a tarifa adicional de 12,5% relacionada à investigação sobre trabalho forçado, aplicável também a outras 59 economias. Participaram da reunião representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Assessoria Especial da Presidência da República, seguindo a orientação de manter o diálogo com Washington para buscar uma solução negociada, embora interlocutores avaliem que a posição americana tenha se tornado mais rígida nas últimas semanas.
"Entre a diplomacia técnica e a iminência de um protecionismo severo, o Brasil tenta blindar suas exportações do 'efeito reverso' das tarifas americanas."
As possíveis tarifas decorrem da investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 de sua Lei de Comércio. O governo americano acusa o Brasil de adotar práticas prejudiciais aos interesses comerciais de Washington em áreas como comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, sistema de pagamentos eletrônicos como o Pix e questões de combate ao desmatamento ilegal. O governo brasileiro sustenta que nenhuma dessas alegações justifica as medidas e, enquanto aguarda a lista definitiva de produtos atingidos, afirma que continuará defendendo o diálogo, sem abandonar a possibilidade de adotar medidas de resposta caso as sobretaxas sejam implementadas.
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O impacto esperado preocupa diversos setores produtivos. Um levantamento da Confederação Nacional da Indústria aponta que cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos poderão ser afetados caso as tarifas sejam confirmadas, o que representa aproximadamente US$ 15 bilhões em exportações brasileiras de itens como ferro-gusa, molduras de madeira, aeronaves e álcool etílico. Em manifestação conjunta enviada ao Departamento de Comércio dos EUA, mais de 330 empresas e associações alertaram que a tarifa de 25% vai encarecer insumos essenciais, prejudicando tanto as indústrias americanas quanto os exportadores brasileiros.
No setor florestal e de madeira, a Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente enviou defesa técnica ressaltando que os produtos processados brasileiros não competem com a indústria local, sendo considerados complementares à demanda estadunidense. Na mesma linha, a indústria de biocombustíveis rebateu acusações de concorrência desleal, defendendo que a tarifa brasileira sobre o etanol segue as regras internacionais vigentes. Especificamente no agronegócio, estudos da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul apontam que a restrição de 36,8% das vendas do setor ao mercado dos EUA pode resultar em um prejuízo financeiro estimado entre US$ 1 bilhão e US$ 4,2 bilhões, sendo os segmentos de produtos florestais, sebo bovino, complexo sucroalcooleiro e café solúvel os mais vulneráveis à volatilidade tarifária americana.
*Fonte: Agência Brasil e resumo do noticiário geral na Internet.
Relações Comerciais — Estados Unidos — Donald Trump — Protecionismo — Agronegócio — Indústria Brasileira — CNI
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