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QUEREM QUEBRAR BRASIL? ][ EUA impõem tarifaço de 25% e Brasil aciona reciprocidade

QUEREM QUEBRAR BRASIL? ][ EUA impõem tarifaço de 25% e Brasil aciona reciprocidade

Data de Publicação: 16 de julho de 2026 08:21:00 Decisão chancelada por Donald Trump leva o Brasil ao posto de 2º país mais taxado por Washington; Planalto repudia medida e promete ir à OMC.

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Resumo

O governo dos EUA anunciou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre ampla gama de produtos brasileiros a partir de 22 de julho, alegando concorrência desleal e citando o Pix e o desmatamento. O Brasil repudiou a decisão, chamou o episódio de "marco lastimável" e informou que acionará imediatamente a Lei de Reciprocidade.

 

 

Governo acionará a Lei de Reciprocidade.(Foto Luzitanija/Adobe Stoke)
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Da redação

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou oficialmente o encerramento da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma extensa lista de produtos importados do Brasil. A medida, chancelada pelo presidente americano Donald Trump, entrará em vigor no dia 22 de julho e abre uma crise diplomática sem precedentes. Em forte nota de repúdio emitida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência, o governo brasileiro classificou o anúncio como um "marco lastimável" na história das relações bilaterais e garantiu que acionará imediatamente os instrumentos da Lei de Reciprocidade e os mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

A ofensiva tarifária de Washington é o desfecho de uma investigação iniciada em julho do ano passado. O governo norte-americano alega que o Brasil adota práticas comerciais injustas que oneram e restringem o mercado para empresas e trabalhadores dos EUA. O relatório aponta como alvos principais o funcionamento do Pix — alegando que o Banco Central acumula funções de regulador e operador, prejudicando operadoras de cartão e big techs americanas —, decisões do Judiciário brasileiro contra plataformas digitais, tarifas preferenciais concedidas a México e Índia, além de supostas falhas no combate à corrupção, pirataria e desmatamento ilegal. A taxação adicional incidirá sobre itens como etanol, máquinas agrícolas, roupas, calçados e material elétrico, poupando commodities tradicionais como café, carne bovina e suco de laranja.

O anúncio americano foi acompanhado por duras declarações políticas no ambiente digital. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, utilizou a rede social X para defender o tarifaço de 25%, acusando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não negociar de boa-fé.

- As políticas econômicas de Lula são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros - escreveu Rubio, afirmando que o mandatário colocou o "próprio ego" à frente do bem-estar de seu povo.

Do lado americano, o representante de comércio Jamieson Greer declarou que o país segue aberto ao diálogo, mas reforçou que as sanções são necessárias para garantir uma competição em condições justas.

"Ao converter o Pix e políticas soberanas em pretexto para o isolacionismo, a nova barreira comercial de Washington força o Brasil a recalibrar suas alianças globais na marra."

A reação de Brasília

O Palácio do Planalto rebateu ponto a ponto as acusações norte-americanas e contestou a legitimidade da investigação unilateral. Na nota oficial, o governo brasileiro destacou que, nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit comercial de US$ 424,5 bilhões com o Brasil e pontuou que, em 2025, 76% das importações vindas dos EUA entraram no mercado nacional livres de impostos, sob uma alíquota média efetiva de apenas 3,1%. O texto defende o Pix como "patrimônio do povo e referência internacional" e enfatiza que o país não abdicará de regular o ambiente digital contra a ganância de "tecno-oligarcas", além de destacar a redução drástica no desmatamento a partir de 2023. O Planalto lembrou ainda que, das 78 frentes privadas ouvidas pelo USTR nas audiências públicas, 63 foram contrárias às tarifas.

Trump chancela sobretaxa de 25% ao
Brasil (Foto: Getty Images - via BBC)
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Diante da confirmação do sobreimposto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, sinalizou que o Brasil deve retomar o processo de retaliação legal que havia sido suspenso temporariamente durante os ensaios de recuo de Washington. Para mitigar os impactos internos sobre o emprego e a indústria, o governo pretende acionar o Plano Brasil Soberano para dar suporte aos setores atingidos, além de acelerar a diversificação de mercados por meio dos acordos recentes firmados pelo Mercosul com a União Europeia, Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Singapura. O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, lamentou a decisão, alertando que o bloqueio prejudica cadeias produtivas integradas de ambas as nações.

Impacto geopolítico e disputa eleitoral

De acordo com projeções do centro de estudos independente suíço St. Gallen Endowment, por meio do projeto Global Trade Alert (GTA), o novo imposto elevará a tarifa média efetiva sobre as exportações brasileiras de 11,73% para 14,9%. Na prática, o salto levará o Brasil da 13ª posição diretamente para o posto de segundo país mais tarifado pelos Estados Unidos em todo o mundo, ficando atrás apenas da China. Os dados consolidam a tendência protecionista do segundo mandato de Trump, no qual o Brasil registra a segunda maior alta tarifária média (18%), superado apenas pelo reajuste de 27% imposto aos produtos chineses.

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No cenário doméstico brasileiro, o episódio promete acirrar os ânimos na corrida presidencial. O Planalto explorou politicamente a medida ao afirmar na nota oficial que o desfecho teve a "ativa colaboração da família Bolsonaro", rotulando o grupo de "falsos patriotas" que teriam agido nos bastidores de Washington para desestabilizar a economia e colher dividendos eleitorais. A acusação ganhou força após a viagem do senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aos EUA, onde participou de uma audiência do USTR solicitando que as tarifas fossem suspensas para dar espaço a futuras negociações caso vença o pleito. Flávio tenta desvincular sua imagem do prejuízo comercial, argumentando que a taxação agressiva daria palanque político ao atual governo. Ministros como Márcio Elias Rosa (MDIC), no entanto, mantêm o tom crítico e atribuem a responsabilidade do tarifaço diretamente à articulação externa dos opositores.

*Com informações da Agência Brasil e da BBC Brasil.

 

Tarifaço EUA — Comércio Bilateral — Seção 301 — Lei de Reciprocidade — Donald Trump — Governo Lula — OMC — Pix Sob Ataque

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