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AGRONEGÓCIO E ECONOMIA ][ Recuperação judicial no agro segue em alta em 2026

AGRONEGÓCIO E ECONOMIA ][ Recuperação judicial no agro segue em alta em 2026

Data de Publicação: 16 de julho de 2026 16:39:00 Setor registrou 194 pedidos no primeiro trimestre; especialista aponta crise de liquidez estrutural provocada por crédito caro e insumos altos.

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Resumo

O agronegócio brasileiro mantém elevados índices de recuperação judicial em 2026, com 194 pedidos no primeiro trimestre, após fechar 2025 com o recorde histórico de 1.990 solicitações. Segundo o advogado Filipe Denki, o cenário reflete uma crise de liquidez e uma mudança de mentalidade na busca por reestruturação financeira.

Filipe Denki, advogado especialista em
Direito Empresarial (Foto: divulgação)
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Da redação

A boa performance da produção agrícola não tem sido suficiente para blindar o caixa das empresas. Levantamento da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) aponta que cerca de R$ 256 bilhões da carteira de crédito agropecuário já são considerados problemáticos, dentro de um estoque total de aproximadamente R$ 1,2 trilhão em operações de crédito rural.

- O aumento nos pedidos demonstra que a crise enfrentada pelo agronegócio deixou de ser pontual e passou a ter caráter estrutural - avalia Filipe Denki, advogado especialista em Direito Empresarial, com atuação em reestruturação de empresas, recuperação judicial, recuperação extrajudicial, negociação de passivos e resolução de conflitos empresariais.

- O problema hoje não é falta de produção, mas a dificuldade de transformar essa produção em capacidade de pagamento.

 

"O problema atual do agronegócio não é a falta de produção ou de competência no campo, mas a severa dificuldade de transformar safras recordes em capacidade real de pagamento diante de um crédito sufocante."

 

Além das taxas de juros elevadas, a redução da cobertura do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) agravou o cenário. De acordo com o especialista, o produtor precisa administrar riscos climáticos, financeiros e de mercado simultaneamente. Sem o amparo de um seguro abrangente e com o crédito escasso, qualquer oscilação de preços ou perda na produtividade compromete diretamente os pagamentos.

Por outro lado, o avanço das recuperações judiciais sinaliza que o mecanismo deixou de ser visto como sinônimo de falência.

- Demonstra uma mudança importante de mentalidade. Cada vez mais empresários compreendem que a recuperação judicial é uma ferramenta de reorganização capaz de preservar empresas viáveis, renegociar dívidas e manter a produção - explica o advogado.

Denki ressalta, contudo, que o maior erro do produtor é adiar a decisão e contrair novos financiamentos para cobrir rombos antigos.

- A atuação preventiva amplia significativamente as possibilidades de reorganização. Uma empresa financeiramente reorganizada tem muito mais condições de honrar compromissos do que uma atividade inviabilizada - conclui.

 

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