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AQUISHOW BRASIL 2024 – ESPECIAL: Explorando as oportunidades e desafios da ranicultura brasileira
Data de Publicação: 26 de maio de 2024 11:38:00 Dentro do vasto universo da aquicultura brasileira, uma cultura em ascensão tem despertado crescente interesse: a ranicultura. A criação de rãs vem ganhando destaque devido ao seu potencial econômico e à crescente demanda por produtos alimentícios diferenciados. A prática, que envolve a criação de rãs em cativeiro, especialmente da espécie Rana catesbeiana (rã-touro americana), destaca-se pela sua viabilidade comercial e pela qualidade excepcional de sua carne. A rã foi uma das “vedetes” da Aqu
Por Antônio Oliveira
Dentro do universo da aquicultura brasileira, uma cultura vem ganhando destaque: a ranicultura, ou criação de rãs. Isto se dá devido ao seu potencial econômico e ao crescente interesse por produtos alimentícios diferenciados. A prática envolve a criação de rãs em cativeiro, principalmente da espécie Rana catesbeiana (rã-touro americana), que é a mais utilizada comercialmente devido ao seu rápido crescimento e à alta qualidade de sua carne.
Com a proposta de agregar todas as cadeias produtivas da aquicultura, a Aquishow Brasil 2024 teve, mais uma vez, um estande de demonstração e comercialização: o da Ranitta, empresa de cultivo verticalizado de rãs. Eu conversei com um dos executivos da empresa, o Danilo Ferraz, que expôs um panorama deste tipo de cultura no Brasil. A Ranitta empreende o cultivo vertical de rãs em Gameleira de Goiás. A seguir, destacamos os principais pontos discutidos:
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Danilo Ferraz, da ranicultura Ranitta (Foto: Antônio Oliveira) |
Evolução da ranicultura no Brasil
Segundo Danilo, a ranicultura no Brasil tem aproximadamente 80 anos de história. Nesse período, houve um notável avanço, com a rã evoluindo significativamente, aumento da demanda e uma crescente aceitação da carne de rã pela população brasileira. Ele ressalta que a carne de rã é excepcionalmente nutritiva, sendo rica em proteínas e aminoácidos essenciais.
Desafios e marketing
Um dos desafios enfrentados pelos ranicultores é superar os preconceitos ainda existentes em relação à carne de rã. Danilo destaca que estão investindo significativamente em estratégias de marketing, especialmente nas redes sociais, para promover a carne de rã como uma opção alimentar saudável e de alta qualidade. Ele enfatiza que as rãs são alimentadas exclusivamente com ração, desmitificando a ideia de que se alimentam de insetos.
Origem genética das rãs comerciais
Atualmente, no Brasil, apenas a espécie de rã-touro americana é permitida para criação comercial. Danilo explica que as espécies nativas são proibidas para esse fim.
Processo de licenciamento ambiental
Danilo descreve o processo de licenciamento junto aos órgãos ambientais como tranquilo. Ele enfatiza a importância de obter a documentação adequada para legalizar o ranário, facilitando assim a compra e venda de animais e garantindo a conformidade com as regulamentações ambientais.
Desenvolvimento da legislação
Embora ainda considerada uma espécie exótica, Danilo observa que as leis estão sendo gradualmente adaptadas para a ranicultura no Brasil, seguindo exemplos de outras atividades, como a piscicultura.
Conselhos para futuros ranicultores
Para quem deseja ingressar na ranicultura, Danilo enfatiza a importância de iniciar com a legalização do ranário, obtendo todas as documentações necessárias antes de iniciar a criação.
Comparação com outras culturas
Danilo destaca que a ranicultura é atualmente considerada uma das produções mais rentáveis do agronegócio, com uma capacidade de adensamento de animais excepcionalmente alta. Ele compara os custos e o consumo entre a ranicultura e a piscicultura, destacando a rentabilidade da ranicultura.
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(Foto: Ranário Jaraguá do Sul -SC) |
Popularização da rã
Por fim, Danilo expressa o objetivo de popularizar ainda mais a carne de rã, buscando produzir em alta escala e tornar essa carne exótica acessível a toda a população.
Mais sobre a ranicultura
A ranicultura no Brasil começou a se desenvolver de forma mais estruturada a partir da década de 1980. Inicialmente, foi vista como uma atividade experimental e de pequeno porte, mas, ao longo dos anos, a criação de rãs foi se profissionalizando, com investimentos em tecnologia, manejo e pesquisa.
Estrutura de produção
Instalações: As rãs são criadas em ranários, que podem ser construídos de diversas maneiras, mas geralmente incluem tanques ou viveiros com controle de temperatura, qualidade da água e alimentação. Existem sistemas intensivos (tanques com alta densidade de rãs) e semi-intensivos.
Alimentação: A alimentação é uma parte crucial da ranicultura. Inicialmente, as rãs se alimentavam de ração artesanal, mas atualmente, utiliza-se ração balanceada específica para rãs, que contribui para um crescimento mais rápido e saudável.
Reprodução: A reprodução das rãs em cativeiro é induzida, o que permite um maior controle sobre a produção de girinos e, posteriormente, de rãs adultas. A tecnologia de reprodução assistida é utilizada para garantir uma produção contínua.
Mercado e consumo
A carne de rã é considerada uma iguaria e tem um mercado consumidor específico. É valorizada por seu baixo teor de gordura, alta concentração de proteínas e sabor suave, semelhante ao frango e ao peixe. No Brasil, a carne de rã é consumida principalmente em restaurantes especializados e exportada para países que têm uma tradição maior no consumo desse produto, como França e Japão.
Desafios e perspectivas
Tecnologia e Manejo: A ranicultura exige conhecimentos específicos sobre manejo e cuidados veterinários para evitar doenças e garantir a qualidade do produto final.
Mercado: A criação de um mercado interno robusto é um desafio, pois é necessário aumentar a aceitação da carne de rã entre os consumidores brasileiros. Estratégias de marketing e educação alimentar são importantes para ampliar o consumo.
Sustentabilidade: A ranicultura precisa ser desenvolvida de forma sustentável, garantindo que os impactos ambientais sejam minimizados. A gestão adequada dos recursos hídricos e o tratamento de efluentes são aspectos essenciais.
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A carne de rã ainda é uma iguaria, mas ganhando espaço
na mesa do brasileiro (Foto: Antônio Oliveira)
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Exemplos de sucesso
Existem várias fazendas e projetos de ranicultura bem-sucedidos no Brasil, que têm mostrado que, com investimento e gestão adequada, a criação de rãs pode ser uma atividade lucrativa e sustentável. Projetos de ranicultura integrados com turismo rural também têm sido desenvolvidos, aumentando a visibilidade e a aceitação dessa atividade.
Enfim, a ranicultura no Brasil tem potencial para crescer, especialmente se houver investimento em tecnologia, manejo eficiente e estratégias de mercado. A carne de rã, com suas características nutricionais e culinárias, pode se tornar uma alternativa viável e popular, tanto no mercado interno quanto no externo.
Um detalhe importante a ser reparado é que, a menos que surgiu recentemente, nenhum instituto público ou privado de pesquisas e melhoramento genético trabalha com a rã, tornando ainda melhor a espécie americana, mas, quem sabe, melhorando substancialmente, as nativas.
Ou não?
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