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PESCA ][ Projeto Propesca tira pesca artesanal do Tocantins da invisibilidade

PESCA ][ Projeto Propesca tira pesca artesanal do Tocantins da invisibilidade

Data de Publicação: 29 de junho de 2026 14:13:00 Monitoramento estatístico em cinco municípios às margens do Rio Araguaia serve de base para o boletim oficial de produção pesqueira do Ministério.

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Resumo

O projeto Propesca publicou novos boletins informativos sobre a cadeia produtiva da pesca artesanal em cinco municípios do Tocantins. Os dados coletados quebram um jejum de mais de uma década sem estatísticas oficiais no país e subsidiam o Ministério da Pesca e Aquicultura na formulação de políticas públicas e no fortalecimento socioeconômico de comunidades ribeirinhas.

 

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Da redação

O projeto "A bioeconomia da pesca artesanal nos estados de Tocantins e Roraima: caminhos seguros para a inclusão socioeconômica e estruturação da cadeia produtiva", ou Propesca, publica mais boletins informativos do monitoramento realizado em cinco municípios tocantinenses. Periodicamente, esses informativos são editados e têm se constituído em fonte segura de informações sobre a cadeia produtiva da pesca artesanal em Araguacema, Araguatins, Couto Magalhães, Esperantina e Xambioá, todos às margens do Rio Araguaia. São coletados e agrupados dados como número de desembarques, produtividade média por pescador, espécies mais capturadas, receita bruta e destino de comercialização do pescado.

Adriano Prysthon é pesquisador da Embrapa e coordena o Propesca. Segundo ele, "em 2025, o Ministério da Pesca e Aquicultura publicou o boletim da produção pesqueira dos anos de 2023 e 2024. Esse documento foi um marco histórico porque há mais de uma década o Brasil não publicava dados estatísticos oficiais sobre a produção pesqueira, principalmente a artesanal. Pela primeira vez na história, o Tocantins e Roraima aparecem nas estatísticas, mostrando que o setor é uma importante cadeia produtiva nesses estados. Isto só foi possível devido ao trabalho realizado pelo projeto, que subsidiou diretamente o boletim. A saída da invisibilidade é, sem dúvida, a principal relevância deste monitoramento. Pois não basta monitorar, tem que ser visto e valorizado".

Onivaldo Rocha é engenheiro de pesca e participa do Propesca desde o início. "A pesca artesanal, como um todo, é uma atividade ainda invisível para o estado e para a sociedade. Ainda há imprecisão em apontar qual a produção de pescado proveniente da pesca artesanal no Tocantins ou o quanto a atividade gera de renda a partir da exploração dos recursos pesqueiros ou se o esforço de pesca está além da capacidade de suporte do ambiente, bem como quantas pessoas são impactadas direta e indiretamente com a cadeia produtiva da pesca artesanal e qual esse impacto na comunidade", entende. E emenda: "a pesca artesanal é responsável por garantir segurança alimentar e renda a milhares de famílias no Tocantins. A partir de informações qualificadas, poderão ser desenvolvidas políticas públicas que fortaleçam a atividade pesqueira e as pessoas que dela vivem".

Acesse os novos boletins do Propesca, divulgados neste mês de junho:Araguacema
 

Araguatins
Couto Magalhães
Esperantina
Xambioá

Estrutura do projeto

O Propesca baseia-se na coleta sistemática de dados sobre a atividade da pesca artesanal. Esse trabalho de acompanhamento é realizado pelos monitores pesqueiros, pessoas da própria comunidade que são contratadas pelo projeto. Há um padrão de fichas para todos os municípios e, mensalmente, elas são agrupadas e organizadas pela Embrapa. Periodicamente, os dados agrupados e organizados retornam a cada comunidade no formato de devolutivas. Para Adriano, esses momentos "têm um papel importante não apenas de devolver e validar as informações com os pescadores, mas, sobretudo, de provocar um ciclo virtuoso de discussão permanente acerca dos desafios e das oportunidades enfrentados pela pesca artesanal".

Sobre mudanças onde o projeto está acontecendo, Onivaldo cita "o início de um debate sadio a respeito da valorização da atividade pesqueira e do próprio pescador. São informações valiosas que podem ser utilizadas para melhoria de infraestrutura, projetos de crédito para o fortalecimento da atividade etc.". E Adriano defende que "a metodologia participativa do Propesca favoreceu um processo de autoconfiança dos pescadores em se enxergarem enquanto geradores de trabalho, renda e segurança alimentar, mostrando o valor da cadeia produtiva da pesca artesanal nos territórios onde ocorre". O pesquisador da Embrapa considera que, com adaptações que considerem contexto pesqueiro, relações de governança e diferenças culturais, é possível utilizar a metodologia participativa do Propesca em outras regiões do país.

Acompanhe um vídeo sobre o projeto, com participação de pescadores, monitores e a gestão do Propesca

A experiência de uma monitora: Sunamita Lopes

Sunamita Lopes é monitora pesqueira em Couto Magalhães. Para relatar a realidade daquele município e como o projeto tem acontecido por lá, ela apresentou o relato intitulado "O Fortalecimento da Pesca Artesanal em Couto Magalhães: Monitoramento e União Transformam a Realidade Local":

A pesca artesanal em Couto Magalhães vai muito além de uma atividade econômica; ela é a identidade, o sustento e a tradição de dezenas de famílias que encontram no rio a sua história. Nos últimos anos, essa realidade ganhou um aliado fundamental: o monitoramento pesqueiro. O trabalho de acompanhar de perto o dia a dia dos pescadores artesanais tem se provado um divisor de águas para a sustentabilidade, a gestão financeira e o reconhecimento da categoria na região.

Essa trajetória de monitoria começou com Irenovan Lopes dos Santos. Mais tarde, em 2025, devido aos problemas de saúde de Irenovan, Sunamita Rodrigues Feitosa Lopes assumiu o posto de monitora. "Para nós, é uma satisfação muito grande participar desse projeto. Nos ajuda a saber quais são as espécies mais pescadas do rio e qual é o nosso gasto real, descobrindo a nossa despesa semanal e mensal", destaca Sunamita.

O impacto preencheu lacunas históricas na rotina dos trabalhadores. O preenchimento das fichas de monitoramento pesqueiro trouxe luz a dados que antes passavam despercebidos. "Coisas que a gente não sabia, passamos a saber. Essas fichas nos mostram o quanto a gente não tinha noção do que gastava mensalmente e semanalmente", relata a monitora. Esse choque de realidade gerou um profundo interesse coletivo: o projeto começou com a adesão de apenas dez pescadores, mas o sucesso foi tão grande que logo o número cresceu. Hoje, todos os pescadores ativos que realmente vão para o rio fazem parte do monitoramento.

Grande parte desse sucesso se deve ao apoio técnico e humano. A comunidade expressa uma gratidão profunda à Embrapa e, de forma muito especial, à Carolyne, ao Adriano e ao Onivaldo. "São pessoas que nos ajudam, nos ensinam, aprendem com a gente e a gente aprende muito com eles", reforça a liderança local, valorizando a troca genuína entre o conhecimento científico e os saberes e fazeres do campo.

Monitoramento organiza a pesca no Araguaia (Foto: Clênio Araújo)
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A Força da Colônia de Pescadores

No coração de toda essa engrenagem está a Colônia de Pescadores de Couto Magalhães, que trilha uma história de união e liderança desde a sua fundação, em 2001. O primeiro presidente a conduzir os passos da instituição foi Cláudio Pereira de Araújo. Mais tarde, a presidência passou para as mãos de Irenovan Lopes dos Santos, que liderou a categoria por mais de uma década, permanecendo no cargo de 2011 até o ano passado, quando precisou se afastar por motivos de saúde. Foi nesse momento de transição que Sunamita assumiu também a presidência da Colônia, acumulando as funções e dando continuidade ao fortalecimento da categoria.

Atualmente, a Colônia conta com 139 pescadores associados. Desse total, 84 estão ativos e recebendo o seguro-defeso. Houve uma pequena redução no número de segurados este ano em decorrência da aposentadoria de alguns membros, mas a expectativa da gestão é que, já no próximo ano, o número de pescadores ativos recebendo o benefício retorne ao patamar habitual.

Um apelo pelo futuro da pesca

Diante de tantas melhorias práticas trazidas pelo Propesca e pelo monitoramento diário, a comunidade pesqueira de Couto Magalhães deixa um recado claro e urgente para as autoridades nacionais. Fica o pedido ao Governo Federal para que mantenha o projeto ativo e garanta a sua continuidade. O desejo da Colônia é que a iniciativa continue gerando frutos, permitindo que os pescadores cresçam ainda mais, protejam o rio e continuem contribuindo ativamente com a economia e o sustento de toda a comunidade.

 

Pesca Artesanal — Bioeconomia do Pescado — Estatística Pesqueira — Desenvolvimento Ribeirinho

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