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AQUISHOW BRASIL 2024 – Panga: do mito à realidade. Um mercado de portas abertas
Data de Publicação: 22 de maio de 2024 22:13:00 Durante muito tempo, o panga foi alvo de preconceitos e desinformação no Brasil. Hoje, com o esforço dos piscicultores, o peixe volta a ganhar espaço no mercado nacional. Martinho Colpani, presidente da ABC Panga, destaca o potencial de crescimento e as vantagens do cultivo dessa espécie
Por Antônio Oliveira
Durante muito tempo, no Brasil, o pangasius, ou panga, era frequente nas peixarias e restaurantes. Foi sumindo em consequência do preconceito e das lendas em torno da espécie, originária do Vietnã, e com a produção cada vez maior da tilápia. Esses fakes sobre o panga já se converteram em informações corretas, graças à atuação de piscicultores que apostaram e apostam na sua viabilidade e vantagens no cultivo e no consumo. O panga tem a vantagem de possuir carne branca e macia, com sabor neutro, o que o torna versátil para diversos pratos. É frequentemente criado em cativeiro devido ao seu rápido crescimento e à sua capacidade de tolerar diferentes condições de água.
Um dos que estão apostando pesado no panga é o piscicultor Martinho Colpani, da Colpani Piscicultura, de Mococa, interior de São Paulo, onde exerce a cultura verticalizada do panga – um frigorífico está prestes a entrar em operação para a filetagem do peixe. Colpani é, inclusive, presidente da Associação dos Criadores de Pangasius (ABC Panga) e da Coperpanga, uma cooperativa de pequenos criadores. Em visita ao seu estande na Aquishow Brasil 2024, eu conversei com ele sobre a atual realidade do panga no Brasil.
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| Martinho Colpani, presidente da ABC Panga (Foto: Antônio Oliveira) |
Conforme o empresário, o pangasius brasileiro já atingiu 5 mil toneladas, mas pode ser muito mais, pois ainda há, entre os criadores da espécie, dificuldades de levantamento de dados por causa da falta de cadastramento do produtor, entre outros gargalos.
- Nós estamos fazendo um trabalho muito forte no licenciamento ambiental para regulamentar isso. O peixe não é proibido de ser criado, mas também não temos um regulamento claro para o produtor. E, por meio disso, fazer com que a produção aumente em todo o Brasil. Nós temos hoje sete estados que regulamentaram o cultivo do panga. A liderança é do estado de São Paulo, mas boa parte do Nordeste tem regulamentação para isso. Então a atividade está caminhando muito bem. Colpani informa que a ABC Panga está quebrando paradigmas e rompendo um desafio muito grande.
- O título das primeiras palestras que fazia era “do mito à realidade”, porque era mito esse negócio do panga, “como é que é isso, pode, não pode, é possível, tem mercado, vende, não vende.” O que nós fizemos foi desconstruir as mentiras em torno da atividade e mostrar a realidade, o que é de fato, o que é dificuldade, o que são oportunidades – diz o empresário.
Ainda de acordo com ele, atualmente a associação está tratando de uma questão de licenciamento ambiental junto aos órgãos de controle ambiental, mostrando para o produtor a rentabilidade do peixe, apresentando os dados de importação: o Brasil importa 40 mil toneladas por ano.
- Um bilhão de reais sendo jogado fora, que a gente está mandando para outros países. E a gente está mostrando a maneira de o produtor romper isso, por meio do panga inteiro e do filé fresco. Já que os vietnamitas não conseguem fazer isso no Brasil. Então o caminho é essa abertura. E a tilápia faz isso também. Parte da tilápia é comercializada fresca. E a gente está fazendo isso com o panga. São desafios que têm que ser superados. Hoje a nossa meta para este ano é resolver de uma vez a questão do Ibama e regulamentar isso em termos de normatização, para que dê tranquilidade para o produtor investir – explicou.
Colpani traçou um paralelo entre o panga e a tilápia.
- Então vamos fazer uma comparação. A tilápia é a maior cadeia produtiva, hoje, no Brasil. Agora, o que a gente tem que pensar? A tilápia, na média nacional em tanques escavados, produz de 10 a 15 toneladas por hectare. O Paraná atinge 50 toneladas por hectare embarcando um alto nível tecnológico, aerador, gerador. O panga, nós já começamos com 200 toneladas por hectare. Um produtor normal, um pequeno produtor, produz 200 toneladas por hectare. Se você embarcar tecnologia, embarcar mais conhecimento, é possível chegar a 600 toneladas por hectare – exemplificou. Para ele, isso é uma revolução na produção.
- Isso é a mesma coisa da chegada do milho híbrido no Brasil, na década de 80. Isso é a chegada da agricultura no Brasil, nas décadas de 40 e 60. Isso é uma revolução na produção. São números assustadores? Assusta sim, porque a gente está diante de uma realidade. E a gente precisa otimizar a produção para otimizar o uso da água. A água é um recurso finito. A gente tem que otimizar. O panga faz isso, e através da produtividade, a gente consegue levar mais renda para o produtor. E comparando a tilápia, outra comparação que a gente pode fazer é em rendimento de filé. O panga dá em torno de até 45% de rendimento de filé, então é um salto de aproveitamento de carcaça.
Martinho Colpani faz uma recomendação para quem quer entrar no ramo de cultivo de panga:
- É uma atividade para o pequeno? Perfeito, exato. Essa é a atividade para o pequeno produtor. Mas a gente tem que abrir um parêntese muito grande. O que nós chamamos de pequeno? Hoje o pequeno para o panga é produzir em torno de 40 a 60 toneladas por hectare, por ano. Isso é como considerar 50 toneladas? Com o custo de R$ 6,00, nós estamos falando em R$ 300 mil, então é bastante, é dinheiro debaixo d'água. Uma recomendação que eu dou, que é incisiva: o panga tem uma única aptidão, o frigorífico. E pensando nisso, na precisão dos arranjos produtivos locais, da produção em torno das indústrias pré-estabelecidas ou do cooperativismo, do associativismo.
Lembrado da possibilidade do panga entrar na merenda escolar, dado à facilidade de seu preparo e consumo, Colpani se expressa:
- Exato. E aí, a gente, esses produtores, não podem começar uma produção de panga, eu não recomendo de forma isolada. Porque aí, depois, gera o questionamento de a quem vender, para quem vender. O mercado está aí, mas o link entre o mercado e o produtor é a organização da cadeia produtiva. A necessidade de passar por uma indústria, até pelos regulamentos que a gente tem em sanidade, SIF (Serviço de Inspeção Federal).
Colpani diz ver, como barreira no fortalecimento do cultivo do panga, a falta de espírito associativista ou cooperativista do produtor brasileiro, principalmente na parte norte do Brasil.
- Eu não recomendo, precisa organizar e ter uma produção estável ao longo do ano e uma organização da cadeia produtiva.
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Comentário
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Tenho uma pequena estrutura passivel para o cultivo do pangasius (panga). gostaria de receber dicas sobre o cultivo e comercialização deste peixe. Ja tive oportunidade de consumir este peixe em um cruzeiro (travessia brasil/europa) gostei. Tenho vontade de produzir, mas temo a comercialização.






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