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ARTIGO DE OPINIÃO - O agro responsável do Brasil na vitrine
Data de Publicação: 27 de janeiro de 2025 15:44:00 COP não é palco para entretenimento. É bastidor, onde é preciso fazer política climática com seriedade, com base em objetivos claros e metas realistas.
Por Aline Locks*
Não faltam olhos a acompanhar os movimentos do agronegócio brasileiro. O Brasil é um dos maiores players do mercado global de alimentos e commodities agropecuárias e, como tal, desperta atenções de todo o mundo, seja pelo interesse de comprar o que produzimos, seja por se tratar de concorrente preocupado com o que acontece nas nossas fazendas.
Mas talvez 2025 seja o ano em que a vitrine em que o País costuma estar esteja mais iluminada e, por isso, estejamos mais expostos ao escrutínio global, sobretudo no que se refere à sustentabilidade da nossa produção.
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Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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Isso acontece por conta da COP30, conferência global anual promovida pela Organização das Nações Unidas para discutir as mudanças climáticas. Ela acontece a daqui exatos 10 meses, em novembro, em Belém.
À medida em que o megaevento se aproxima, o tamanho do desafio da sua organização fica mais evidente, deixando claro que ainda há muito para se fazer.
A indicação pelo governo federal do embaixador André Correa do Lago como presidente do evento deve ajudar a dar um ritmo maior à organização e, principalmente, buscar os caminhos para fazer com que, ao invés de uma COP de discursos e promessas, como foram as anteriores, esta seja uma COP de resultados.
O Brasil festejou a possibilidade de trazer a conferência para o coração da Amazônia, foco de tantos debates globais sobre sua preservação e, claro, sua ocupação. Entendeu como uma oportunidade de apresentar ao mundo um discurso de desenvolvimento sustentável na região, acompanhado de cases reais de projetos nesse sentido.
Da mesma forma, setores do agronegócio vislumbraram a COP como uma importante vitrine para as iniciativas brasileiras, no campo agropecuário. Não nos falta, de fato, o que mostrar, com as tecnologias como os sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), plantio direto e soluções tropicais para remoção de carbono.
Pratica-se, aqui, modelos aferidos e comprovados de agropecuária de baixo carbono, que aliam capacidade de produção em escala com mitigação de emissões.
Exemplos como o uso de bioinsumos, monitoramento por satélite e projetos de agricultura regenerativa provam nossa capacidade de aliar produtividade e sustentabilidade.
Essas soluções devem ser apresentadas como parte de uma visão integrada, que beneficie não apenas o Brasil, mas o mundo. Vistas de perto, iniciativas já recorrentes nas propriedades rurais brasileiras ganham mais cores do que quando mostradas à distância, em vídeos e ppts.
Juntamente com a oportunidade, entretanto, o País comprou um risco. A conferência reúne autoridades e ativistas de todos os matizes e cobranças, in loco, sobre questões como desmatamento ilegal serão inevitáveis.
Assim, não basta ter o que mostrar. É preciso embalar o discurso com coerência, dados concretos e transparentes que demonstrem avanços, que referendem a eficiência dessas tecnologias e que permitam capitalizar a oportunidade conquistada.
Os setores público e privado precisam alinhar seus esforços e narrativa, apresentando o País como um bloco unido e preparado. Como vamos passar nossa mensagem ao mundo é algo que já deveria estar sendo trabalhado internamente.
Mais do que palavras em discursos impactantes, é essencial que a mensagem brasileira seja baseada em evidências.
COP não é palco para entretenimento. É bastidor, onde é preciso fazer política climática com seriedade, com base em objetivos claros e metas realistas.
Reside, aqui, o calcanhar de Aquiles da participação brasileira no evento. A COP no Brasil só será a COP do Brasil se soubermos tirar dela resultados. E o presidente da COP não é o responsável pela estratégia brasileira.
O embaixador Correa do Lago tem seus próprios desafios, como administrar um possível esvaziamento da representação política no evento, com a possível redução da presença oficial dos Estados Unidos, por orientação do presidente Donald Trump.
O antídoto a isso está no âmbito privado. As empresas americanas, com negócios globais e compromissos assumidos, estarão aqui. Os investimentos em alternativas de baixo impacto climático, em agricultura regenerativa, em ativos florestais privados, continuam acontecendo.
O Brasil pode estar na vitrine. Mas não estamos sós.
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* Aline Locks é engenheira ambiental, cofundadora e atual CEO da Produzindo Certo, solução que já apoiou a maneira como mais de 8 milhões de hectares de terras são gerenciados, através da integração de boas práticas produtivas, respeito às pessoas e aos recursos naturais. Liderou projetos com foco em inovação e tecnologia, como o 'Conectar para Transformar', um dos vencedores do Google Impact Challenge Brazil. Recentemente foi selecionada pela Época Negócios como um dos nomes inovadores pelo clima, é uma das 100 Mulheres Poderosas da revista Forbes e uma das líderes do agronegócio 2021/2022 pela revista Dinheiro Rural.
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