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ARTIGO DE OPINIÃO ][ O agro precisa aprender a se comunicar para vencer a rejeição urbana
Data de Publicação: 19 de maio de 2026 10:41:00 Setor que move a economia e lidera a transição verde ainda patina no marketing; exemplo da Abramilho mostra o caminho para valorizar a imprensa.
Resumo
Apesar de mover a economia e liderar a transição verde, o agro brasileiro enfrenta forte rejeição urbana. O artigo critica a arrogância e a falta de investimento em marketing do setor, apontando o congresso da Abramilho como exemplo de respeito e bom relacionamento com a imprensa.
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Diretoria e colaboradores da Abramilho durante
o 4º Congresso Abramilho (Foto: Ascom/Abramilho)
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Por Antônio Oliveira*
O agronegócio brasileiro é um dos maiores empregadores do país, gerando cerca de um terço dos empregos nacionais. O setor impulsiona o desenvolvimento de pequenas e grandes cidades, move o comércio e lidera as exportações, garantindo o saldo positivo da balança comercial. Além de abastecer mais de 210 milhões de brasileiros com alimentos diversos e acessíveis, o país alimenta cerca de 800 milhões de pessoas ao redor do mundo, consolidando-se como o grande "celeiro do planeta".
Como se não bastasse, o Brasil é pioneiro mundial em bioenergia. Por meio do cultivo da cana-de-açúcar e de grãos como a soja, o milho e o sorgo, produzimos o etanol e o biodiesel que limpam a matriz de transportes, além de gerar bioeletricidade a partir do bagaço residual, liderando a transição para uma economia de baixo carbono. O agro brasileiro é o que mais cultiva e cria com responsabilidade ambiental no planeta e está presente em quase tudo o que consumimos. O agro não é "pop", não é isto nem aquilo nos jargões do marketing. O agro é fundamental. Mas não deve ser alvo apenas de confetes, serpentinas e elogios, como se fosse intocável.
Apesar de todas essas virtudes, o setor ainda enfrenta grande rejeição na sociedade urbana, principalmente nas academias, entre jovens e adolescentes. Isso é prejudicial, especialmente perante a opinião pública dos países que consomem nossos produtos. O agronegócio precisa trabalhar, de fato, para melhorar sua imagem. Deve educar, esclarecer e mostrar que não é o vilão do equilíbrio ambiental. Pelo contrário: pratica a sustentabilidade porque depende da natureza para a saúde e a produtividade agrícola, pecuária e aquícola.
[O agro não pode fazer política partidária. Tem que buscar e provocar políticas públicas para o setor.” – Alysson Paolinelli]
A sociedade urbana precisa conhecer a dinâmica do campo. Precisa saber que, sem o combate de pragas e doenças com agroquímicos, o produtor trabalharia para alimentar dois grandes sócios indesejados, e a comida faltaria na mesa do cidadão. É preciso mostrar também que a ciência caminha a passos largos para que, muito antes do que se imagina, o controle seja feito majoritariamente por biológicos, e não mais por químicos.
O problema é que o agro ainda não aprendeu a fazer comunicação e marketing. Salvo honrosas exceções, o setor está preso à arrogância, à economia de palito ou a investimentos zero em publicidade. Muitas instituições nacionais e regionais pecam pela apatia e falta de conhecimento de seus assessores, quando não estão - as instituições, friso - envolvidas em picuinhas político-partidárias. “O agro não pode fazer política partidária. Tem que buscar e provocar políticas públicas para o setor”, disse-me certa vez o saudoso Dr. Alysson Paolinelli.
Muitos líderes de grandes empresas do agro aplaudem a imprensa e buscam os veículos apenas para emplacar publicidade mascarada em formato de release. Esquecem que as empresas jornalísticas precisam sobreviver para manter o equilíbrio social e econômico do setor. A imprensa precisa ser vista com mais calor humano e respeito, da mesma forma que o produtor respeita a pesquisa e o mercado.
Felizmente, há luz no fim do túnel. Participei de duas edições do Congresso da Abramilho: a terceira, no ano passado, e a quarta, realizada na semana passada em Brasília. Percebi em ambos os eventos que a Associação Brasileira dos Produtores de Milho, proposital ou não, tem feito um investimento pesado e certeiro nos profissionais de jornalismo do agro, vindos de todo o Brasil e, neste ano, até do exterior — éramos cerca de 100 profissionais de imprensa.
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Jornalistas brasileiros e estrangeiros na cobertura do
4º Congresso Abramilho (Foto: Ascom/Abramilho)
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Esse investimento visa apenas o marketing dos diretores e de seus produtos? Não! É respeito e reconhecimento da Comunicação Social para o agronegócio brasileiro. Tudo feito de forma muito simpática pelo presidente, diretores e assessores. Víamos transitar com muita humildade e simpatia entre nós o presidente da Abramilho, Paulo Bertolini, a nossa querida Maria Eustáquia, eterna secretária do Dr. Paolinelli, demais diretores e assessores de imprensa, prestativos, simpáticos. Esse panorama é essencial para nós, jornalistas de um setor onde a imprensa especializada muitas vezes só recebe retórica. Esse entrelaçamento entre nossas redações e as entidades é vital, assim como o networking entre colegas de todo o país e do exterior.
Em 2024, a Aprosoja Brasil tentou algo inteligente sob o comando de Maurício Buffon — praticamente meu vizinho aqui no “Toca”. A entidade convocou cerca de 30 jornalistas do agro de todo o Brasil para ouvir deles o que pensavam e o que o setor deveria fazer para melhorar sua imagem perante a sociedade urbana. O problema é que os produtores e diretores parecem não ter gostado do que ouviram, pois abortaram ou arquivaram o projeto de novas edições.
Parabéns, Abramilho. This is the way .
*É fundador, diretor e editor da web revista Cerrado Rural Agro.
Comunicação no Agro | Imagem do Agronegócio | Imprensa Especializada | Abramilho | Alysson Paolinelli | MATOPIBA
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