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OPINIÃO ][ Prodecer III completa 30 anos como divisor de águas no Tocantins

OPINIÃO ][ Prodecer III completa 30 anos como divisor de águas no Tocantins

Data de Publicação: 28 de junho de 2026 09:02:00 Com investimento de US$ 850 milhões, programa transformou a região de Pedro Afonso em polo agroindustrial e referência de desenvolvimento no Cerrado.

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Resumo

O Prodecer III, programa de cooperação técnica e financeira entre Brasil e Japão, celebra 30 anos de sua implantação em Pedro Afonso (TO). Responsável por assentar produtores e consolidar a fronteira agrícola do Cerrado tocantinense com investimentos de US$ 850 milhões, o projeto impulsionou a economia regional, gerou emprego e renda, e transformou a região em um polo agroindustrial dinâmico.

 

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Por Antônio Oliveira

A terceira etapa do Programa de Cooperação Nipo-Brasileira para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer III), no Cerrado tocantinense,  completa 30 anos neste ano. Com investimentos (em financiamentos) da ordem de US$ 140 milhões, divididos entre Tocantins e Cerrado do sul do Maranhão, a iniciativa assentou 40 pequenos produtores e uma cooperativa na região de Pedro Afonso, no centro-norte do Tocantins. A exemplo das etapas anteriores — a pioneira no noroeste de Minas Gerais e a segunda no Cerrado baiano —, o Prodecer III, que também contemplou o Cerrado maranhense, consolidou-se como um dos principais motores da evolução agrícola e do desenvolvimento socioeconômico do Tocantins, contando, na época, com o forte apoio do governador Siqueira Campos.

No Mosaico, em fotos da cooperativa Coapa,
alguns dos pioneiros (Montagem: CRA)
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No início, o impacto regional enfrentou o desafio do isolamento logístico, já que o escoamento da safra e a entrada de insumos dependiam de balsas devido à ausência de uma ponte sobre o rio Tocantins. Com o tempo, a agricultura de grãos expandiu-se de Pedro Afonso e Tupirama rumo a Guaraí, atraindo empresas da cadeia produtiva que buscavam melhores condições logísticas nas margens da rodovia. Apesar disso, Pedro Afonso experimentou uma profunda transformação urbana e rural: a qualidade de vida melhorou substancialmente com a geração de emprego e renda, inserindo o município no mapa nacional da agroindústria e atraindo novos investimentos, como uma usina sucroalcooleira que tornou a região um polo canavieiro. Há, nitidamente, uma Pedro Afonso antes e outra depois do Prodecer.

Aos pioneiros, meus mais sinceros sentimentos de admiração e respeito por tão bonita epopeia.

 

"O Prodecer provou que o Cerrado não era terra infértil, mas o berço da revolução que transformou o destino do agro e das cidades no MATOPIBA."

 

O modelo de sucesso do Prodecer

Essa cooperação técnica e financeira entre o Brasil e o Japão teve início em 1979, no Cerrado mineiro, Iri, Paracatu, Coramandel e Mundo Novo , com o objetivo bem-sucedido de transformar áreas improdutivas de Cerrado em regiões de alta produtividade agrícola empresarial, inicialmente focadas em soja e milho.

O programa baseava-se em ocupar o Cerrado para expandir a fronteira agrícola, aplicar tecnologias adaptadas ao solo e clima, e criar sistemas de colonização e assentamento coletivo voltados ao mercado externo. Esse formato deveria servir de modelo para a reforma agrária do Incra, pois os produtores eram selecionados por sua vocação e experiência com a terra. Além disso, as famílias recebiam uma área estruturada com galpão, trator e implementos necessários. Nada era doado: tudo foi financiado com as devidas carências e pago pelos produtores.

Existe o equívoco de quem critica o projeto argumentando que "ninguém come soja" ou que apenas os assentados foram beneficiados. Nos preparativos para o Prodecer II, na Bahia, fui convidado por representantes da Jica (banco japonês financiador), da Campo (empresa que coordenava o assentamento e a assistência técnica) e da Secretaria de Planejamento da Bahia para conhecer a etapa mineira e acompanhar o processo baiano em Barreiras, onde eu atuava como editor de jornal.

Pude testemunhar – e este foi o objetivo de tão prazeroso convite - de perto como uma pequena cidade-polo, como Iraí de Minas, alcançou um desenvolvimento social extraordinário e um PIB muito superior ao de municípios significativamente maiores. O Prodecer transformou a realidade socioeconômica por onde passou, integrando as regiões produtoras da Bahia, do Tocantins e do Maranhão no atual MATOPIBA. Quem dera este projeto ganhasse novas etapas para os cerrados do Norte e Nordeste do Brasil.

Ao todo as três etapas tiveram financiamentos da Jica na ordem de  US$ 575 milhoes, sendo US$ 60 milhões na primeira etapa; US$ 375 milhões na segunda e US$ 140 milhões na terceira etapa. Dados da Jica.

 

Desbravamento do Cerrado — Prodecer 20 Anos — Fronteira Agrícola — Cooperação Brasil-Japão

 

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